A Câmara Municipal de São Roque realizou, na tarde desta quarta-feira (06/05), a segunda reunião da CPI do Banco Master. O encontro foi marcado por intensos debates entre os blocos de situação e oposição, resultando em decisões cruciais sobre a metodologia de trabalho e a abertura do processo para a participação popular.
O Foco das Investigações
A CPI foi instituída para apurar possíveis irregularidades na gestão administrativa e financeira do São Roque Prev entre os anos de 2024 e 2026. O ponto central são as aplicações financeiras realizadas junto ao Banco Master, que totalizam volumes significativos de recursos dos servidores municipais.
O Embate Político e o Clamor por Transparência
A reunião evidenciou uma divisão clara na condução dos trabalhos. Os vereadores de oposição, que foram os proponentes da CPI, cobraram maior independência, já que a Mesa Diretora é composta por membros da base governista que inicialmente não assinaram o pedido de investigação.
Marcos Arruda: Defendeu a convocação do prefeito Guto Issa para explicar a atuação da antiga presidência do instituto. "Não estamos aqui para defender ninguém", afirmou.
Diego Costa: Criticou a falta de acesso prévio a roteiros e documentos, exigindo que as decisões ocorram no plenário e não nos bastidores.
Paulo Juventude: Questionou a composição da Mesa e a falta de documentos básicos no início da sessão, exigindo "moralidade" na condução dos processos.
Rafael Tanzi: Reforçou a importância da investigação para que eventuais responsáveis pelos "erros" sejam identificados e punidos.
Destaque: A voz feminina no debate
A vereadora Dani Castro, única representante feminina no legislativo são-roquense, também marcou presença e acompanhou atentamente as deliberações sobre o regramento da CPI.
Dani reforçou a necessidade de que os trabalhos não percam o foco técnico e que a comissão ofereça respostas claras à população, especialmente aos servidores que dependem do instituto de previdência. Para a vereadora, a organização e o cumprimento rigoroso do cronograma são fundamentais para que a investigação tenha a credibilidade que o caso exige.
A Defesa da Mesa e a Resposta Técnica
Em contrapartida, os membros da Comissão garantiram que o rigor técnico será mantido:
Mateus Taraborelli (Presidente): Destacou que o volume de dados é imenso — apenas o Ministério Público enviou 777 páginas — e garantiu que tudo será publicado no site oficial e nas redes sociais da Câmara.
Wanderlei da Qualiser (Relator): Afirmou que, embora não tenha assinado a abertura da CPI, trabalhará com justiça e rigor para chegar aos culpados, caso existam.
Guilherme Nunes (Membro): Colocou seu conhecimento jurídico à disposição para dar celeridade aos trabalhos, embora tenha pontuado as limitações legais da CPI, como a impossibilidade de quebra de sigilo por foro municipal.
Wanderlei da Qualiser (Relator) Mateus Taraborelli (Presidente) e Guilherme Nunes (Membro) - Comissão da CPI
Definições e Próximos Passos
Após os debates, a Comissão chegou a consensos importantes para as próximas etapas:
1. Ampliação do Tempo de Fala: O tempo de tribuna para os vereadores deve ser ampliado de 3 para 10 minutos, permitindo maior aprofundamento.
2. Horário Noturno: A próxima reunião será realizada no período da noite para facilitar a presença da população e garantir o acompanhamento social.
3. Primeira Oitiva: Já está agendado o depoimento do atual Diretor-Presidente do São Roque Prev, Bruno Caparelli.
ANOTE NA AGENDA:
A próxima reunião da CPI acontece na quinta-feira, 14 de maio, às 17h, no Plenário Dr. Júlio Arantes de Freitas, com a oitiva de Bruno Caparelli e a definição do cronograma de novos depoimentos