Bailarina cega conquista autonomia com cão-guia e inspira debate sobre inclusão no Brasil

Professora de dança beneficiada pelo Instituto Adimax relata como cão-guia transformou sua independência e reforça necessidade de políticas públicas para acessibilidade

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A trajetória de superação da professora de dança e bailarina Giseli Camillo, de 47 anos, tem emocionado e inspirado ao mostrar como autonomia e inclusão ainda são conquistas diárias para milhões de brasileiros com deficiência visual.

Natural de São Paulo, Giseli nasceu com catarata congênita e baixa visão. Aos 16 anos, perdeu completamente a visão. Desde a infância enfrentou desafios de inclusão escolar, preconceito e bullying, situação que levou sua mãe a retirá-la da escola para alfabetizá-la em casa.

“Eu tinha baixa visão e ninguém naquela época entendia o que era. As professoras me chamavam de preguiçosa”, relembra.

Apenas aos 24 anos, Giseli retomou os estudos, concluiu o supletivo e se formou em Educação Física, além de se especializar em dança e yoga. Hoje, ela atua como professora na Associação Fernanda Biachini, em São Paulo, onde coordena o balé de cegos.

Apesar das conquistas acadêmicas e profissionais, Giseli ainda enfrentava um desafio fundamental: a falta de autonomia para se locomover sozinha. Essa realidade mudou há nove meses com a chegada de Faísca, seu cão-guia.

“O Faísca representa para mim amor, independência e autonomia, porque depois que eu recebi ele, além de estar me guiando e eu não depender mais de ninguém, ele é puro amor”, afirma emocionada.

O cão-guia foi entregue por meio do Programa Cão-Guia do Instituto Adimax, considerado o maior centro de referência em treinamento de cães-guias da América Latina. A instituição já realizou a entrega de mais de 104 cães-guia, representando mais da metade dos animais em atividade no país.

Segundo Fabiano Pereira, coordenador técnico do Instituto Adimax, o impacto vai além da mobilidade. “O cão-guia não é apenas uma ferramenta de autonomia, é um passaporte social. A pessoa com deficiência que conduz o cão-guia passa a sair mais, a ser vista”, destaca.

Mesmo com iniciativas como esta, o número de cães-guia ainda é pequeno diante da demanda nacional. De acordo com dados do Censo 2022 do IBGE, o Brasil possui mais de 7 milhões de pessoas com deficiência visual severa.

Para Giseli, é necessário ampliar o debate e as políticas públicas voltadas à acessibilidade. “Não podemos ser invisíveis. Precisamos e merecemos muito mais”, defende.

Sobre o Instituto Adimax

Com sede em Salto de Pirapora (SP), o Instituto Adimax conta com uma estrutura de 15 mil metros quadrados dedicada ao treinamento de cães-guia e desenvolvimento de programas sociais voltados à inclusão e ao bem-estar animal.

Os cães passam inicialmente por famílias voluntárias socializadoras durante um ano, período em que são expostos a diferentes situações do cotidiano. Depois retornam ao instituto para treinamento técnico de quatro a seis meses antes de serem entregues gratuitamente às pessoas com deficiência visual selecionadas.

As inscrições para o Programa Cão-Guia podem ser feitas diretamente no site oficial do instituto: www.institutoadimax.org.br.

 

 

 


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