Futsal promove inclusão e autoestima para pessoas com Síndrome de Down em Limeira

Equipe da Aril, apoiada pelo Instituto Adimax, treina há mais de duas décadas e busca destaque em competições nacionais

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Em Limeira, no interior de São Paulo, o esporte tem sido um poderoso instrumento de inclusão social e fortalecimento da autoestima para pessoas com Síndrome de Down. O time de Futsal Down da Associação de Reabilitação Infantil Limeirense (Aril) reúne atletas que, por meio do esporte, desenvolvem disciplina, autonomia e confiança.

“Meu filho se sente um atleta, uma pessoa responsável, dentro da medida que ele considera responsabilidade. E isso para o sistema emocional dele é muito importante, assim como para o psicológico”, relata orgulhoso o aposentado Arlindo Gutierrez, pai do atleta Diego Gutierrez, de 39 anos.

Diego começou a praticar futsal há 22 anos, junto com a formação da equipe da Aril. A instituição é referência no município no atendimento a pessoas com deficiência física ou intelectual, oferecendo suporte educacional e terapêutico em diversas áreas.

Inicialmente, a proposta era oferecer apenas mais uma atividade aos alunos, mas rapidamente o futsal se transformou em paixão. Hoje, os 12 integrantes do grupo se dedicam aos treinos semanais e encaram a prática esportiva com seriedade.

“Eles estão aqui todas as quintas-feiras para os treinos e, mesmo com as limitações, são muito disciplinados. No esporte, aprendem a seguir regras, que no caso são as oficiais da FIFA. Esse comprometimento faz com que evoluam diariamente”, explica o técnico da equipe, Cleber de Oliveira Filho.

A Síndrome de Down é uma alteração genética conhecida como trissomia do cromossomo 21, na qual a pessoa possui um cromossomo a mais — totalizando 47, em vez de 46. A condição gera características físicas e cognitivas específicas, mas não é considerada uma doença. Com acompanhamento multidisciplinar desde cedo, pessoas com Síndrome de Down podem alcançar inclusão social, educacional e até profissional.

No futsal adaptado, além do trabalho de coordenação motora e condicionamento físico, a prática esportiva contribui para a melhoria da qualidade de vida dos atletas.

“Claro que existe uma adaptação em relação ao futsal tradicional, pois a pessoa com Síndrome de Down tem menos tônus muscular e um deslocamento mais lento. O tempo de reposição do lateral, por exemplo, é maior”, explica Cleber.

Ao longo dessas duas décadas, a equipe participou de competições em diversas regiões do país, proporcionando aos atletas experiências enriquecedoras e maior autonomia. Para que isso seja possível, o apoio da iniciativa privada tem papel fundamental.

O Instituto Adimax, organização sem fins lucrativos sediada em Salto de Pirapora (SP), contribui com recursos por meio do programa Paradesporto, um dos 11 projetos sociais mantidos pela instituição.

“Nós contribuímos com essa pequena parcela para que pessoas com Síndrome de Down tenham a chance de desenvolver ao máximo suas capacidades. Nesse cenário atual, isso é inclusão. Cada conquista deles também é nossa”, afirma Edmilson Bueno, gestor do programa.

O empenho e a dedicação do time têm rendido resultados importantes. A equipe já conquistou título regional e agora se prepara para um novo desafio: disputar a Copa do Brasil de Futsal Down, que será realizada em julho, na cidade de Maceió (AL).

“Estamos trabalhando para isso, porque o sonho e a vontade eles já têm”, conclui o técnico Cleber.


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