Ciência brasileira avança na regeneração medular, mas prevenção da violência continua sendo o maior instrumento de proteção da vida. Todos os dias, no Brasil, vidas são interrompidas por um disparo, um acidente, uma imprudência, uma violência evitável.
Algumas dessas vidas não terminam — mas mudam para sempre. Lesões medulares estão entre as consequências mais devastadoras da violência e dos traumas urbanos.
A maioria dessas lesões tem causa traumática, frequentemente associada a acidentes de trânsito e episódios de violência. Não são apenas números.
São pais, mães, filhos e trabalhadores que passam, de um instante para outro, a depender de uma cadeira de rodas.
É nesse cenário que surge uma notícia que carrega esperança. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a pesquisadora Tatiana Lobo Coelho de Sampaio lidera, há quase três décadas, uma linha de pesquisa dedicada à regeneração da medula espinhal.
A tecnologia desenvolvida, conhecida como polilaminina, apresentou resultados iniciais promissores em estudos preliminares, com indícios de recuperação motora em parte dos pacientes avaliados. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária já autorizou o avanço para fase clínica.
É fundamental dizer com clareza: ainda não existe cura definitiva comprovada. A ciência exige método, tempo, rigor.
Mas o fato de o Brasil produzir pesquisa de ponta nessa área é motivo de reconhecimento e apoio. Contudo, há uma reflexão que precisa ser feita.
Quantas dessas lesões poderiam ter sido evitadas?
Quantas são consequência da violência urbana, do crime, da ausência de políticas preventivas eficazes? Quantas resultam da banalização da imprudência, da falta de fiscalização, da desordem social? A ciência pode devolver movimentos.
Mas nenhuma tecnologia devolve integralmente o tempo perdido, a dor vivida, os sonhos interrompidos. É por isso que defendo, há anos, que segurança pública não é apenas repressão ao crime.
Segurança pública é proteção da vida.
É política estrutural.
É a plataforma que sustenta saúde, educação, economia e dignidade.
Quando prevenimos a violência, prevenimos também a paraplegia, a invalidez, o sofrimento permanente de uma família inteira.
Precisamos investir em pesquisa científica, sim. Precisamos valorizar nossas universidades e nossos pesquisadores.
Mas precisamos, acima de tudo, impedir que a tragédia aconteça.
Ciência traz esperança depois do trauma.
Segurança evita que o trauma aconteça.