O Jornal da Economia publica, a seguir, artigo de autoria do Dr. Hélio Bressan, Delegado Chefe da Assessoria da ALESP – Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, com 39 anos de carreira na Polícia Civil do Estado de São Paulo e reconhecida atuação no combate a crimes de alta complexidade, como pedofilia, tráfico de seres humanos e aliciamento digital.
*As opiniões, análises e posicionamentos apresentados no artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam, necessariamente, o posicionamento editorial ou institucional do Jornal da Economia.
O que aconteceu com o cão Orelha não é apenas um caso de maus-tratos. É um assassinato cruel. Uma execução covarde. Um retrato repugnante da degradação moral que estamos tolerando.
Quatro adolescentes são acusados de espancar um cachorro indefeso a pauladas.
Não foi “brincadeira”. Não foi “excesso”. Não foi “ato impensado”. Foi crueldade pura. Violência gratuita. Maldade consciente.
A agressão foi tão brutal que, mesmo socorrido, Orelha precisou ser submetido à eutanásia. Ou seja: bateram tanto, com tamanha perversidade, que destruíram a vida de um ser inocente até o ponto em que não havia mais o que salvar.
Isso não é travessura juvenil. Isso é caráter apodrecido.
E a pergunta que precisa ser feita é direta: que tipo de ser humano se forma quando se é capaz de sentir prazer ou indiferença diante da dor de um animal?
Porque quem consegue esmagar um ser indefeso sem remorso, já perdeu algo essencial: humanidade.
O mais revoltante é que, segundo as notícias, não era a primeira vez. Esses adolescentes já teriam praticado outros atos infracionais. E nada aprenderam. Permaneceram impunes. E quem cresce sem consequência aprende uma lição simples: pode repetir. Pode piorar.
E pioraram.
Como se não bastasse a barbárie, três parentes adultos foram indiciados por coação de testemunhas. A família, ao invés de vergonha, demonstra cumplicidade. Ao invés de reprovação, tenta intimidar.
É daí que vem a formação. A árvore é ruim. O fruto aparece.
O caso Orelha é um alerta gravíssimo.
Crueldade contra animais nunca é “só contra animais”. É sinal de perversidade. É ensaio de violência. É sintoma de uma sociedade que está perdendo o senso de limite, de compaixão e de moral.
Isso é inaceitável. Isso é nojento. Isso é intolerável.
E o Estado não pode continuar assistindo a monstros em formação sendo tratados como se fossem apenas “menores em situação”.
Orelha não morreu. Orelha foi morto.
E a sociedade precisa reagir com firmeza, com lei, com consequência e com vergonha na cara. Porque quando a crueldade vira rotina, o próximo indefeso pode ser um ser humano.
Delegado Hélio Bressan
Chefe da Assessoria Policial Civil da ALESP
@delegadoheliobressan