Governo de SP suspende instalação de pedágios free flow em rodovias da região de Sorocaba e São Roque

Decisão atinge cinco pórticos na Raposo Tavares; medida ocorre após pressão de prefeitos, parlamentares e população

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Governo de SP suspende instalação de pedágios free flow em rodovias da região de Sorocaba e São Roque
Créditos: Carlos Mello

O governo do Estado de São Paulo suspendeu a instalação de ao menos dez pedágios eletrônicos do tipo free flow em rodovias paulistas, incluindo cinco deles na Rodovia Raposo Tavares, no trecho que liga a capital à região de Sorocaba. A decisão, anunciada após forte reação de prefeitos, vereadores e deputados estaduais — inclusive aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) —, representa um recuo em um dos principais projetos de modernização rodoviária da atual gestão.

As informações foram divulgadas em reportagem do jornalista Túlio Kruse, publicada pela Folha de S.Paulo na segunda-feira, 20 de outubro. Segundo a matéria, os cancelamentos são resultado de um “diálogo com a população”, conforme declarou o diretor-presidente da ARTESP (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), André Isper. Ele afirmou que o governo entendeu que não seria justo cobrar tarifas de motoristas que trafegam apenas dentro dos limites do próprio município, especialmente em cidades cortadas pela Raposo Tavares.

Impacto na região de Sorocaba e São Roque

Na região de Sorocaba, estavam previstos oito pórticos de pedágio eletrônico no trecho da Raposo Tavares, mas cinco deles foram cancelados após a repercussão negativa e a mobilização de autoridades locais. Os três pórticos remanescentes foram mantidos nos mesmos pontos das praças tradicionais, com cancelas e cobrança convencional — localizados em São Roque, Sorocaba e Araçoiaba da Serra.

A decisão é considerada uma vitória política e popular para a região, onde moradores, prefeitos e deputados haviam manifestado preocupação com o impacto econômico e social da nova modalidade. O sistema free flow — que cobra automaticamente o pedágio conforme o veículo passa por pórticos equipados com câmeras — vinha sendo criticado por poder onerar moradores locais que usam trechos curtos das rodovias diariamente.

O deputado estadual Vitão do Cachorrão (Republicanos), da base do governador, foi um dos que se posicionaram publicamente contra o modelo, afirmando que o sistema penalizaria o “povão” e que a cobrança deveria ser revista. O parlamentar chegou a assinar, junto a deputados de outros partidos, um projeto de decreto legislativo para derrubar o decreto estadual que regulamentou a concessão dos sistemas rodoviários Rota Sorocabana e Nova Raposo.

Mudanças também em outras regiões

Além das alterações na Raposo Tavares, o governo estadual também desativou dois pórticos free flow na Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, entre Itariri e Pedro de Toledo, no litoral sul, e cancelou três instalações previstas na Rodovia Luiz de Queiroz (SP-304), que passaria por Piracicaba, Santa Bárbara d’Oeste e Americana.

Segundo Isper, a retirada de alguns pórticos pode levar a uma redistribuição de tarifas nos pontos que permanecerem ativos, para compensar a arrecadação das concessionárias. A ARTESP afirma que os cálculos de impacto financeiro estão em andamento e que novos ajustes contratuais poderão ser definidos para manter o equilíbrio econômico das concessões.

Entenda o sistema

O modelo free flow, que vem sendo implantado gradualmente no país desde 2023, substitui as tradicionais praças de pedágio por pórticos eletrônicos com câmeras e sensores capazes de identificar as placas dos veículos ou as tags eletrônicas coladas no para-brisa. A cobrança é automática e permite trânsito contínuo, sem necessidade de parada.

Para motoristas sem tag, o pagamento pode ser feito até 30 dias após a passagem, por meio dos canais indicados pela operadora.

Recuo técnico e político

A reportagem da Folha destaca que o recuo do governo Tarcísio representa tanto uma decisão técnica quanto política. Embora o modelo seja considerado mais moderno e eficiente, a forte resistência popular e parlamentar — especialmente nas regiões metropolitanas e do interior — levou o Palácio dos Bandeirantes a reavaliar a estratégia de implantação.

De acordo com André Isper, a revisão é uma “conjugação de medidas técnicas e políticas públicas”, e as isenções locais “param em pé do ponto de vista técnico e atendem a um pleito legítimo da população”.

Com o cancelamento dos novos pórticos, motoristas que trafegam entre São Roque, Sorocaba e Araçoiaba da Serra continuam pagando pedágio apenas nas praças convencionais já existentes, enquanto o governo estuda novas alternativas de cobrança equilibrada nas futuras concessões rodoviárias.

 

Fonte: Reportagem de Túlio Kruse, publicada pela Folha de S.Paulo em 20 de outubro de 2025.


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