O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo e atual secretário de Administração de Praia Grande, Ruy Ferraz Fontes, foi assassinado na noite de segunda-feira (15), em Praia Grande, no litoral paulista. Ele foi um dos principais nomes no combate ao crime organizado no Estado e pioneiro nas investigações sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo informações do g1 Santos, que teve acesso a imagens de câmeras de monitoramento, Fontes foi perseguido por criminosos quando trafegava pela Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, no bairro Nova Mirim. Durante a perseguição, o carro do delegado capotou após colidir com um ônibus e ser atingido por outro veículo. De acordo com a Polícia Militar, há indícios de que Fontes já havia sido baleado antes de perder o controle do automóvel.
Em seguida, três homens desceram do veículo usado na perseguição. Dois deles se dirigiram ao carro de Fontes e o executaram com disparos de fuzil. O terceiro criminoso deu cobertura à ação, enquanto um quarto integrante aguardava no automóvel. Ao todo, mais de 20 tiros foram disparados, segundo o delegado-geral de São Paulo, Artur Dian.
Durante o ataque, um homem e uma mulher que passavam pelo local também foram atingidos. Ambos foram socorridos pelo Samu e encaminhados para a UPA Quietude, sendo posteriormente transferidos ao Hospital Municipal Irmã Dulce. Eles não correm risco de morte.
Após a execução, os criminosos fugiram. Horas depois, o veículo utilizado no crime foi encontrado incendiado a cerca de dois quilômetros do local.
Trajetória
Formado em Direito pela Faculdade de São Bernardo do Campo, Ruy Ferraz Fontes atuou em delegacias especializadas como o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) e o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Foi neste último, no início dos anos 2000, que passou a investigar e prender lideranças do PCC, além de mapear a estrutura da facção.
Sua atuação foi decisiva durante os ataques de maio de 2006, quando o PCC desencadeou uma série de atentados contra forças de segurança em São Paulo. Entre 2019 e 2022, comandou a Delegacia Geral de Polícia do Estado, período em que determinou a transferência de chefes da facção para presídios federais em outros estados, medida considerada fundamental para enfraquecer o poder do grupo criminoso.
Ao longo da carreira, Fontes também participou de cursos no Brasil, França e Canadá, além de lecionar Criminologia e Direito Processual Penal. Em 2023, assumiu a Secretaria de Administração de Praia Grande, cargo que ocupava até ser assassinado.
Repercussão
O delegado Hélio Bressan lamentou a morte de Ferraz Fontes e se solidarizou com a família.
"Nós policiais civis hoje estamos todos de luto. Perdemos ontem o doutor Ruy Ferraz Fontes, nosso ex-delegado-geral, de uma maneira brutal e covarde, assassinado no litoral do Estado de São Paulo. Eu tenho absoluta certeza de que a Polícia Civil do Estado de São Paulo vai dar a resposta certa e urgente, prendendo todos esses indivíduos, quer tenham participado da execução, quer tenham participado do planejamento. Todos eles deverão ser absolutamente presos e condenados”, afirmou.
A morte de Ruy Ferraz Fontes representa uma perda significativa para a segurança pública do Estado, marcando a trajetória de um delegado que dedicou a carreira ao combate ao crime organizado em São Paulo.
Com informações e imagens de câmeras obtidas pelo g1 Santos.