Quanto custa jogar?

Colunista : Andrea Voûte
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As microtransações são compras de bens ou serviços virtuais que você faz dentro do videogame. Elas podem aumentar o seu poder, deixar as coisas mais divertidas, agilizar processos e até pular etapas. Começaram só nos jogos gratuitos junto com as propagandas e agora são comuns em todo tipo de jogo. As microtransações estão na vitrine sempre disponíveis: roupas, ferramentas, armas, veículos, miras, personalizações em geral. Pay-to-win é a mais polêmica: uma taxa para terminar o jogo...

Quanto custa um videogame? Começa com o custo do equipamento - console, celular ou computador - que não pode ser muito antigo ou básico. Quem joga com frequência quer equipamento para gamers, compensando o desconforto causado pelo sedentarismo e aumentando o desempenho. Isso tudo custa milhares de Reais, mas pode durar anos.

Existem games de diferentes preços, alguns gratuitos e muitos com preço em torno de R$ 200. Se você quiser jogar online com outros jogadores simultaneamente, pode ter mais uma mensalidade de cerca de R$ 30 para a empresa do console e mais um valor pago à empresa que criou o jogo.

Totalmente gratuito? A fantasia deveria ficar restrita ao conteúdo do jogo e não transbordar para a nossa realidade! Um jogo elaborado que funcione bem custa várias horas de trabalho de uma equipe de pessoas talentosas e com ótimos equipamentos. O preço pode ser cobrado de diversas maneiras, visíveis ou não. Por exemplo coletar seus dados em um nível de detalhe inacreditável e vende-los ou outro usuário gastador compulsivo financiando o seu jogo gratuito. A empresa precisa pagar os custos e isso é normal, especialmente se você espera qualidade.

Outra forma de compensar os custos são as vendas em forma de propagandas diversas (nos jogos gratuitos) e microtransações. Tudo opcional, mas inteligente: um mau jogador que é gastador recebe uma oferta de pagar para pular de fase. As primeiras microtransações podem ser gratuitas ou bem baratas e depois vão encarecendo. Como na vida real, a propaganda está em toda parte, cada vez mais bem informada e manipuladora e você ainda pode clicar nela sem querer.

Muitos destes privilégios pagos podem viciar e alterar positivamente a experiência do jogador privilegiado e negativamente a dos outros competidores que não compraram as vantagens. Para desbloquear um único personagem, você pode ter que jogar 1.000 horas, mas comprando é instantâneo! Não parece justo que com dinheiro alguns personagens fiquem cada vez mais fortes e poderosos e alguns impérios só cresçam, certo?

Cosméticos não afetam seriamente o desempenho: são roupas, emojis e itens decorativos para o seu personagem ou cenário, danças divertidas para aumentar a interação online. Assim como no mundo real, a estética e o lazer são gatilhos que levam muita gente a gastar mais do que deveria. Uma peça de roupa pode custar 20 Euros e uma dança 30 Euros, a soma pode gerar uma conta extra em seu cartão de crédito.

As estratégias das fichas de cassino, pacotes, pontos e valores diferentes são utilizadas no mundo virtual também. Isso pela Economia Comportamental produz uma confusão de valores e te faz perder o controle. Adquira 5.100 diamantes por apenas R$ 150, só que não dá nem para comprar 3 “skins” com esse valor.

Sabe os polêmicos brinquedos surpresa? Aqui são caixas ou baús de itens que você não sabe exatamente o que tem dentro e arrisca a sorte. São as “Loot Boxes” para você apostar. Quer tenha pago com dinheiro ou horas de jogo, pode não vir o item que você quer e você se vê obrigado a continuar comprando até consegui-lo. Por exemplo, 24 caixas por 19 Euros.

Obsolescência programada é um termo que você já deve ter ouvido. É uma forma de fabricar já encurtando o prazo de validade e forçando uma nova compra. Isso também acontece dentro dos jogos, trocando uma arma atual por uma não tão potente por exemplo, mas que pertence à nova fase do jogo.

São muitos os jogos que usam microtransações: Anthem, Battlefield, Call of Duty, Candy Crush, Clash of Clans, Clash Royale, Counter-Strike, FIFA, Fortnite, Forza Horizon, Free Fire, Overwatch. O site (em inglês)  MICROTRANSACTION.ZONE  informa detalhes sobre cada jogo e os classfica.

É verdade que os games são uma forma de lazer e rendem diversão e novas habilidades. Só que eles são desenhados para viciar, portanto não deixe que eles te viciem e te roubem muito tempo, dinheiro e energia. Se você já for consumista ou excessivamente competitivo, alerta dobrado. E as crianças são mais vulneráveis, não deveriam estar expostas a vendas diretas ou “monetização” do vício. Há jogos faturando milhões de dólares por dia e há pessoas comuns gastando milhares de dólares por ano com eles. Avalie o que vale a pena para você ou não.

 

 

 

Andréa Voûte

Desde 2002 Andréa Voûte ajuda pessoas a lidarem melhor com o seu dinheiro individualmente, em família ou nas micro e pequenas empresas. Foi bancária e hoje é Consultora financeira e palestrante na Voute Contar. Autora do livro Finanças pessoais uma gestão eficaz, criou vários cursos, controles e métodos de consultoria e planejamento. contato@voutecontar.net.br

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