Zé do Nino! “Uma vez festeiro, sempre festeiro”

Foto: Rafael Barbosa
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Raquel Faria - Foto: Rafael Barbosa

José Carlos Dias Bastos é conhecido por todos como Zé do Nino. Cidadão extremamente participativo em diversos eventos da nossa cidade, ele nos conta com carinho sobre as origens das tradições que envolvem as Festas de Agosto.

Zé do Nino nasceu em São Roque e desde criança participa da festa, da qual sempre esteve envolvido de alguma forma na organização. Em 1989, em conjunto com uma de suas irmãs, integrou um dos casais de festeiros. São sempre dois casais escolhidos explica ele. “ Uma vez Festeiro, sempre festeiro”.

Quando se é festeiro as responsabilidades acabam sendo maiores e o envolvimento também aumenta, mesmo nos anos seguintes.

“Costumo dizer que as Festas de Agosto são uma das poucas que tem certidão de nascimento”. Isso porque no testamento de Pedro Vaz de Barros, fundador da cidade, já constavam as festividades de agosto em homenagem ao padroeiro São Roque do qual ele era devoto. Ele pedia no documento que seus herdeiros cuidassem da igreja e fizesse a festa uma vez por ano.

A festa sempre começa no primeiro domingo de agosto, com as entradas dos carros de lenha, antigamente os carros de boi eram o principal meio de transporte assim como a lenha era o combustível mais utilizado. Já era costume dos cristãos fazerem a doação de lenhas para a igreja, mas em 1881 o Padre João Carlos da Cunha pediu para que todas as doações fossem feitas em um único dia. E foi uma grande festa, as carroças foram enfeitadas e saíram do largo dos Mendes subindo a Av. Tiradentes até a Matriz. Para que desse tempo de todos chegarem pois muitos vinham de outros vilarejos o desfile foi marcado ao meio dia e assim é até hoje.

 Em agradecimento das prendas os festeiros deram aos doadores pedaços de carnes e eles retornaram ao Largo dos Mendes, e fizeram um grande churrasco e esse virou mais um motivo de confraternização, atualmente após o desfile os festeiros oferecem um almoço.

A arrecadação do dinheiro revertido nesse primeiro desfile ajudou a pagar a imagem de é São Roque escultura que veio da França, país onde nasceu o santo. Zé do Nino faz a observação de que a imagem chegou ao porto de Santos e veio de lá até a cidade em carros de boi, por isso essa tradição é tão forte.

Ele nos conta que antigamente na cidade não havia tantos hotéis e pousadas, os parentes e amigos vinham de longe e o transporte não era tão prático, as pessoas ficavam hospedados nas casas uma semana antes e uma depois da festa. “Não tinha luxo mas muita fartura de comida e era gostoso, ficávamos sempre esperando essa época do ano”.

Agora com a correria do dia a dia, as pessoas vêm num fim de semana e já retornam, também o transporte evoluiu muito, e aos poucos os costumes foram mudando.

A casa na rua Rui Barbosa está sempre de portas abertas, lá existem vários objetos que ajudam a contar a história de nossa cidade e é considerado um ponto de encontro, nessa época do ano os voluntários se reúnem lá para tingir o pó de serra, usado para ornamentar as ruas com os tapetes para a procissão do dia 16 de agosto.

As festas de Agostos para as famílias sanroquenses é um marco, é algo esperado pelos moradores, Zé do Nino falou sobre os jantares que acontecem durante o ano, das novenas religiosas e dos Bailes de Agosto que também já se tornaram tradicionais.

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