Agenciador de Falsos médicos trabalhou por quase cinco anos na Santa Casa

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Texto e Foto: Rafael Barbosa

A Santa Casa confirmou que o boliviano Lee Boris, apontado como um dos agenciadores do esquema de falsos médicos que vinham atuando em São Roque, Mairinque e Alumínio, trabalhou na Santa Casa de São Roque por quase cinco anos. A informação foi divulgada durante uma coletiva de imprensa realizada no próprio hospital, na tarde de segunda-feira, dia 11.

Segundo um dos interventores da instituição, Sidney Muniz, após a divulgação dos nomes de outros falsos médicos apontados pela polícia, a Santa Casa realizou uma pesquisa para descobrir se estes falsos médicos tinham atuado no hospital. As pesquisas indicaram que Lee Boris trabalhou como plantonista na instituição entre fevereiro de 2011 até  julho de 2015.  O médico boliviano, que é regularizado para atuar no Brasil, é apontado pela Polícia Civil como um dos articuladores encarregados de agenciar os falsos médicos nos hospitais da região e atualmente se encontra foragido. Já Bertino Rumarco da Costa, que atuava ilegalmente utilizando o CRM do médico Naas Adonias Carvalho de Assis, atuou na Santa Casa, também como plantonista, entre fevereiro de 2011 e fevereiro de 2013.

“Estes dois profissionais atuaram na Santa Casa ao longo de diversas provedorias, trabalhando para diversas empresas prestadoras de profissionais para o hospital”, afirma Sidney. Ao ser questionado sobre a participação dos outros falsos médicos, identificados pela polícia como Jaime Ricardo Chumacero Júnior e o boliviano José Pablo Rojas Soliz, o  interventor  afirma que Jaime realizou alguns plantões no hospital, porém não existe registro de que José Pablo tenha atuado na instituição.

As investigações internas da Santa Casa seguem e uma delas irá analisar se existem atestados de óbitos assinados por Bertino durante o tempo da Santa Casa, o que pode aumentar o número de atestados duvidosos emitidos por falsos médicos na entidade. Uma auditoria interna também está sendo realizada para analisar se houve participação dos médicos e proprietários da empresa Innovaa, Pedro Renato Guazzelli e Tarquinio Lúcio Alves de Lima, no esquema dos falsos médicos na instituição.

A Santa Casa já afirmou o rompimento recente do contrato com a Innovaa e com a Guazza,  empresas que supostamente teriam participação no esquema. Ao ser questionado sobre porque  a instituição não rompeu o contrato com as duas empresas no momento em que surgiu a suspeita da participação delas no esquema o interventor fala que a decisão foi feita para preservar os serviços hospitalares e  que na época já procuravam outras empresas para prestar serviço de fornecimento de profissionais médicos. “Houve um zelo da nossa parte em não anunciar um rompimento para que os serviços não fossem paralisados”, completa.

O interventor completa afirmando que os médicos estão sendo contratados neste momento pela própria Santa Casa e que o processo de contratação de uma nova empresa que forneça os profissionais médicos já está em andamento. 

Ao ser questionado novamente sobre a incapacidade da Santa Casa em descobrir a atuação de falsos médicos, Sidney afirmou que o próprio CRM não detectou qualquer anormalidade, durante uma auditoria realizada em outubro de 2014, quando Pablo do Nascimento Mussolim, Natani Thaisse de Oliveira, já atuavam na entidade. “Se no momento da auditoria pelo próprio CRM existiam aqui dois falsos médicos, que não foram identificados pelo próprio CRM, fica muito difícil para a comissão interventora, que administra o hospital do ponto de vista de diretoria, identificar tais irregularidades”, completa Sidney.

 

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