CPI aponta irregularidades na gestão do São Roque Prev

Relatório final revela R$ 93 milhões aplicados no Banco Master, falhas graves de governança e pede que MP investigue ex-diretor, consultores e o Banco Central.

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CPI aponta irregularidades na gestão do São Roque Prev - Foto: Carlos Mello

 SÃO ROQUE (SP) — A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apurou irregularidades na gestão administrativa, financeira e decisória do Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais de São Roque (São Roque Prev) aprovou, por unanimidade, o seu relatório final nesta segunda-feira (27). O documento confirma graves falhas de governança, descumprimento de dispositivos legais e reincidência de irregularidades já alertadas por órgãos de controle entre os anos de 2024 e 2026.

Instaurada em abril após requerimento na Câmara Municipal, a comissão foi presidida pelo vereador Mateus Taraborelli Foina (PSB), teve Wanderlei Divino Antunes (Republicanos) como relator e Guilherme Araújo Nunes (PSD) como membro.

O foco central das investigações foi a aplicação de R$ 93,15 milhões do fundo previdenciário em Letras Financeiras do Banco Master — montante que chegou a representar cerca de 18,8% do patrimônio líquido do São Roque Prev em setembro de 2024, no limite máximo do teto legal de 20%.

A instituição financeira teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, acarretando sérios prejuízos aos cofres públicos municipais.
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Wanderlei Divino Antunes (Republicanos) como relator, Mateus Taraborelli Foina (PSB) como presidente,
e Guilherme Araújo Nunes (PSD) como membro. Foto: Carlos Mello

Falhas de gestão e descumprimento da legislação

De acordo com as conclusões da CPI, foram identificadas "falhas graves de gestão" atribuídas diretamente ao ex-diretor presidente da autarquia, Vanderlei Massarioli.
O relatório aponta que aplicações milionárias foram realizadas na ausência de pareceres obrigatórios dos Conselhos Deliberativo e Fiscal, violando o artigo 5º da Lei Federal nº 9.717/1998, que estabelece a responsabilidade civil, penal e administrativa de gestores que causem danos a fundos previdenciários.

Houve ainda o registro de fragilidades na custódia de documentos internos, com indícios de possível adulteração documental ou falha no controle de atas, com destaque para a ata nº 02/2024.

Prorrogação da CPI foi negada pela mesa diretora
Antes da aprovação do texto, os vereadores da oposição Diego Costa (PSB) e Dani Castro (PSD), que não integravam a CPI, solicitaram a prorrogação dos trabalhos para que os demais parlamentares pudessem analisar detalhadamente o relatório.

O pedido, no entanto, foi rejeitado pelos membros da comissão, que alegaram entraves regimentais de prazo.

Na sequência, o relatório final foi votado e aprovado por unanimidade pelos integrantes da CPI.

Encaminhamentos ao Ministério Público e órgãos federais

A comissão deliberou um amplo pacote de representações e providências aos órgãos de fiscalização e controle:

  • Ministério Público de São Paulo (MP-SP): Solicitou-se a avaliação de abertura de inquérito civil/criminal para apurar eventual falso testemunho de Vanderlei Massarioli, a quebra de seus sigilos fiscal e telefônico, a responsabilização de consultores da Crédito & Mercado e da Genial Investimentos, além da apuração sobre a cronologia de investimentos no fundo imobiliário Nest Eagle.

  • Ministério Público Federal (MPF): Envio do caso para apurar a responsabilidade criminal dos consultores financeiros (incluindo Renan Foglia Calamia) e uma eventual omissão do Banco Central no dever de fiscalizar o Banco Master antes de decretar sua liquidação.

  • Outras Esferas: Remessa do dossiê ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), à Polícia Civil, à Polícia Federal, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e ao Ministério da Previdência Social — este último para checar a informação fornecida pela consultoria de que o Banco Master figurava em lista de instituições habilitadas pela pasta.

Reestruturação e recomendações

Além da responsabilização dos envolvidos, a CPI recomendou que o Executivo e o São Roque Prev promovam melhorias na governança e no quadro de pessoal da autarquia.
Entres as propostas apresentadas estão a criação de um comitê permanente (composto pelo Legislativo e Executivo) para auxiliar na recuperação dos ativos do Banco Master e a obrigatoriedade de gravação e armazenamento em nuvem de todas as reuniões do Comitê de Investimentos do instituto.