Brasil repete o filme e cai para a Noruega na Copa 2026

Seleção faz a pior campanha desde 1990, perde para a Noruega e é eliminada cedo no mata-mata, em mais um ciclo abaixo das expectativas.

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Para quem acompanha futebol além dos períodos de Copa do Mundo, uma eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 já parecia uma possibilidade concreta. Restava saber em qual fase e diante de qual adversário ela aconteceria.

Como o futebol é um esporte imprevisível, capaz de transformar azarões em protagonistas, ainda havia espaço para acreditar em uma surpresa. Desta vez, porém, a surpresa não foi para quem venceu o Brasil, mas sim pelo momento em que a eliminação ocorreu.

Essa foi a pior campanha da Seleção Brasileira em Copas do Mundo desde 1990. Para muitos, trata-se da atuação mais fraca do Brasil em Mundiais nos últimos 36 anos. Desde o tetracampeonato, em 1994, a equipe brasileira sempre havia alcançado, no mínimo, as quartas de final.

Em campo, o Brasil pouco se impôs. A seleção permitiu que a Noruega controlasse a posse de bola durante praticamente toda a partida, apostando apenas em erros adversários para tentar contra-atacar. Sem pressionar a saída de bola e com uma postura excessivamente reativa, viu os noruegueses trocarem impressionantes 653 passes ao longo do jogo.

O resultado foi um dado histórico negativo: apenas 34% de posse de bola, o menor índice do Brasil em partidas de Copa do Mundo.

Mesmo com uma estratégia questionável, a equipe brasileira criou boas oportunidades. No primeiro tempo, Bruno Guimarães desperdiçou uma cobrança de pênalti, enquanto Vinícius Júnior teve uma chance clara diante do goleiro. Na etapa final, Endrick ficou cara a cara com o arqueiro norueguês, mas finalizou para fora, além de outra grande defesa do goleiro adversário.

As oportunidades existiram, mas a fragilidade defensiva voltou a aparecer. O espaço concedido permitiu que Erling Haaland, considerado por muitos o principal centroavante em atividade no futebol mundial, marcasse duas vezes: primeiro de cabeça e depois em um chute de longa distância com a perna esquerda.

Na semana que antecedeu o confronto, Haaland foi alvo de brincadeiras e memes nas redes sociais por causa de sua aparência. Em campo, porém, respondeu da melhor forma possível. Foi decisivo na classificação da Noruega e protagonizou uma eliminação que entristeceu torcedores de todas as idades, incluindo Neymar, que disputava sua última Copa do Mundo.

Mais uma vez, repetiu-se um roteiro conhecido: o Brasil caiu no primeiro confronto eliminatório contra uma seleção europeia, novamente diante de uma equipe considerada de segunda prateleira no cenário internacional.

Copa do Mundo se vence com talento, preparação — algo que faltou durante boa parte do ciclo, especialmente nas Eliminatórias —, inteligência, eficiência e, acima de tudo, coragem.

São características que o futebol brasileiro parece não apresentar de forma consistente desde a conquista do pentacampeonato, em 2002, no Japão.

O futebol evoluiu. O Brasil, por sua vez, permaneceu estagnado.

A tradição continua sendo um patrimônio valioso, mas, sozinha, já não é suficiente para garantir vitórias e títulos.

Autoria: João Dini (estudante de jornalismo)
Data: 06 de julho de 2026