Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Will Bank

Instituição controlada pelo Banco Master entra em liquidação; clientes terão cobertura do FGC até R$ 250 mil

Por Por Guilherme Alexandre-
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Reprodução: Will Bank

O Banco Central decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank. A instituição integra o conglomerado controlado pelo Banco Master, que já havia sido liquidado e operava sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) desde novembro de 2025.

Segundo o Banco Central, a medida inclui a indisponibilidade dos bens dos controladores e dos ex-administradores da Will Financeira. A decisão ocorre após a autoridade monetária concluir que não foi possível preservar a operação da instituição, diante do agravamento da sua situação econômico-financeira e da insolvência constatada.

Inicialmente, o Banco Central optou por submeter o Will Bank ao RAET, avaliando que essa solução poderia manter o funcionamento da instituição, considerada controlada estratégica do conglomerado Master. No entanto, no dia 19 de janeiro, foi identificado o descumprimento da grade de pagamentos junto ao arranjo Mastercard Brasil, o que resultou no bloqueio da participação da fintech no sistema de pagamentos.

Com isso, o regulador considerou inevitável a liquidação extrajudicial, destacando também o vínculo de interesse entre a Will Financeira e o Banco Master. Juntas, as empresas do conglomerado representavam cerca de 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional.

A Will Bank informou possuir aproximadamente 12 milhões de clientes, com atuação concentrada em cartões de crédito, empréstimos e investimentos, além de cerca de 1,1 mil funcionários. No último ano, a instituição movimentou aproximadamente R$ 7,5 bilhões. Na véspera da liquidação, a Mastercard suspendeu o uso dos cartões emitidos pelo banco, que agora serão definitivamente cancelados.

Os investimentos mantidos pelos clientes do Will Bank contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege valores de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Estimativas indicam que a liquidação pode gerar uma demanda de até R$ 6,5 bilhões ao fundo, considerando os depósitos a prazo registrados até setembro de 2025.

Especialistas alertam, no entanto, que clientes com valores superiores ao limite do FGC podem enfrentar prazos mais longos para reaver o excedente, que dependerá da conclusão do processo de liquidação. O caso se soma ao impacto gerado pela liquidação do Banco Master, que já representa o maior resgate da história do fundo garantidor.

O episódio reacende o debate sobre gestão de riscos, governança e sustentabilidade dos modelos de negócios no setor financeiro digital, especialmente entre instituições que cresceram rapidamente oferecendo produtos com rentabilidade acima da média do mercado.