Série Especial: As lições do IDEB pelo Brasil - Avaliações diagnósticas e infraestrutura como alavancas da educação

Por Por Simone Teodoro-
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No artigo anterior, exploramos o caso de Sobral, no Ceará, e como a gestão educacional do município transformou a realidade escolar e elevou os índices do IDEB. Agora, voltamos o olhar para outras cidades brasileiras que também alcançaram avanços expressivos ao investir em dois pilares fundamentais:

  1. As avaliações diagnósticas
  2. A melhoria da infraestrutura escolar.
I.Sobral: O exemplo de sucesso no Ceará

Sobral, no Ceará, se destaca por seu crescimento notável no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Em 2023, a cidade obteve nota 7,1 nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano), superando a média nacional e alcançando o nível de excelência. Para os Anos Finais (6º ao 9º ano), a cidade conquistou a nota 6,3, mostrando um avanço contínuo e consistente na educação. A chave para esse sucesso foi a implementação de avaliações diagnósticas regulares, programas de formações para professores e um investimento significativo em infraestrutura escolar, com destaque para a formação continuada de educadores e o uso de tecnologias pedagógicas.

II.O papel das avaliações diagnósticas

Avaliar para intervir. Essa tem sido a estratégia de diversos municípios que conseguiram avançar no IDEB. As avaliações diagnósticas permitem que gestores e professores compreendam os desafios específicos enfrentados pelos estudantes, oferecendo subsídios para a formulação de estratégias pedagógicas mais eficazes. Cidades como Teresina (PI) e Recife (PE) têm se destacado ao estruturar sistemas próprios de monitoramento do aprendizado, garantindo intervenções direcionadas ainda no início do ciclo escolar.

Em Teresina (PI), a cidade alcançou uma nota 6,0 nos Anos Iniciais e nota 5,9 nos Anos Finais do Ensino Fundamental em 2023, destacando-se pelo uso de avaliações diagnósticas, com o objetivo de monitorar o desempenho dos alunos e promover intervenções pedagógicas eficazes. A capital do Piauí tem sido um exemplo de como um bom sistema de monitoramento aliado a programas de capacitação de educadores pode impactar positivamente os índices educacionais.

Em Recife (PE), os avanços no IDEB também são notáveis. Em 2023, a cidade obteve nota 5,27 nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano), com uma taxa de aprovação de 93%, posicionando-se entre as 10 capitais brasileiras com melhor desempenho nos Anos Finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano). Esse avanço é um reflexo do contínuo investimento em avaliações diagnósticas e na implementação de políticas de monitoramento do aprendizado.

III.Infraestrutura: um fator decisivo

Não basta apenas focar na aprendizagem em sala de aula se o ambiente escolar não oferece condições adequadas para o desenvolvimento pleno dos estudantes. Municípios que alcançaram avanços significativos compreenderam que a qualidade da infraestrutura impacta diretamente o engajamento dos alunos e professores. Programas de requalificação de espaços escolares, investimento em bibliotecas, laboratórios de ciências e tecnologia, além da melhoria da alimentação escolar, têm sido diferenciais observados em localidades como Curitiba (PR) e Palmas (TO).

IV.Adaptação às diferentes realidades

Cada região tem seus desafios específicos e, por isso, não existe um único modelo que sirva a todas as cidades. No entanto, o aprendizado gerado por essas experiências bem-sucedidas nos mostra que é possível melhorar a educação pública quando há planejamento, comprometimento e políticas consistentes.

V.Próximos passos: a experiência de São Paulo

Nos próximos artigos da nossa série, aprofundaremos como a formação continuada dos professores e o envolvimento da comunidade escolar são fatores essenciais para sustentar esse crescimento. Além disso, exploraremos a experiência do estado de São Paulo, analisando suas políticas educacionais e os resultados alcançados. Fique atento para descobrir como essas práticas podem ser adaptadas e aplicadas em diferentes contextos educacionais.

Referências Bibliográficas:

BRASIL. Ministério da Educação. Indicadores do IDEB. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Disponível em: https://ideb.inep.gov.br/ . Acesso em: 23 mar. 2025.

COSTA, A. L. & SILVA, L. F. Educação no Brasil: Conquistas e Desafios no Século XXI. 2. ed. São Paulo: Editora do Brasil, 2023.

FIEDLER, P. Desenvolvimento psicossocial e suas implicações educacionais. São Paulo: Editora Pedagógica, 2016.

SOBRAL, CEARÁ. Secretaria da Educação de Sobral. Relatório de Resultados do IDEB 2023. Sobral, 2023. Disponível em: https://www.sobral.ce.gov.br.  Acesso em: 23 mar. 2025.

TERESINA, PI. Prefeitura Municipal de Teresina. Relatório IDEB 2023. Teresina, 2023. Disponível em: https://www.teresina.pi.gov.br.  Acesso em: 23 mar. 2025.

RECIFE, PE. Prefeitura Municipal de Recife. Relatório IDEB 2023. Recife, 2023. Disponível em: https://www.recife.pe.gov.br.  Acesso em: 23 mar. 2025.