A Emef Carmem Lúcia Carvalho Blanco Brito, localizada na Vila Amaral, está realizando uma exposição contemplativa sobre o continente africano e suas pluralidades. A ideia partiu da professora e narradora de histórias, Kaká Vieira, que vem trabalhando com o tema desde o início do ano.
“Como estou com o 4° ano e o currículo contempla a migração dos povos africanos para o Brasil, encontrei aí uma deixa para fazermos uma contemplação das coisas belas que herdamos dos nossos ancestrais e salientar a importância da cultura africana para a formação do povo brasileiro”, explica Kaká.
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As professoras do ensino fundamental 1 (1° ao 5° ano) gostaram da ideia e todas contribuíram para a exposição. “Confio muito nas minhas professoras. Aqui elas têm total autonomia e apoio para desenvolverem o trabalho que julgarem importante. Quando isso acontece, não só a escola ganha, todo o bairro se enriquece!”, comentou o diretor Marcos Galli.
Para a montagem da exposição, trabalharam estagiárias, professoras, auxiliares e a intérprete de libras da escola. Cada turma explorou um tema escolhido pela professora e desenvolveu o trabalho com os materiais escolhidos por elas também.
“Fiquei encantada ajudando a montar, vendo que cada professora contribuiu com algo lindo e pensando que o povo brasileiro foi formado assim, com um pouco da cultura de cada lugar!”, disse Natália Satilio, estagiária da escola.
“Aqui no fundamental 1 precisamos despertar nas crianças o amor e encantamento pelo continente africano. Valorizamos todas as cores vivas e ricas que eles nos trouxeram e contamos histórias das princesas e príncipes que foram presos na sua terra e obrigados a trabalhar e morar no Brasil”, relata Kaká Vieira.
Para a profissional, a base de tudo é o respeito e, a partir do 4° ano, os professores já podem começar a plantar a semente do que foi a luta escravagista para que ela possa aflorar no fundamental 2, que é a época de despertar o senso crítico.
Os alunos do ensino fundamental 2 também contribuíram para a exposição, com a ajuda do professor de Língua Portuguesa Francisco de Assis Fernandes. Eles criaram móbiles com frases de empoderamento, celebrando o dia de luta e memória que é o 20 de novembro.
Mãe de aluna e estagiária na escola, Vera Lourdes Gomes comentou: “Sou negra. Tenho muito orgulho de dizer isso: Negra. Tenho 49 anos, moro na Vila Amaral desde os meus oito anos e nunca tinha visto uma mostra sobre nossa cultura tão linda como essa da Escola Carmem Lúcia. Temos cores diferentes, mas o sangue que corre em todos é igual”.
Marcos Galli, diretor da escola, finaliza dizendo: “Falar sobre Consciência Negra é reconhecer que o racismo é um problema estrutural e, diante disso, as escolas precisam adotar uma postura institucional antirracista. É fundamental que nós educadores tenhamos como premissa o combate ao racismo, esse deve ser um compromisso de toda a comunidade escolar”.
A Escola Carmem Lúcia convida a todos para prestigiarem sua mostra que ficará disponível até o dia 04 de dezembro.