Taxa Selic irá subir 1,50 p.p. nesta reunião, projeta ABBC

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) se reúne na terça-feira (7) para decidir sobre a Selic.

Assessoria de Imprensa Foto: Divulgação
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O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) se reúne na terça-feira (7) para decidir sobre a Selic. De acordo com o superintendente da Assessoria Econômica da ABBC (Associação Brasileira de Bancos), Everton Pinheiro de Souza Gonçalves, a taxa deve subir 1,50 p.p., chegando a 9,25% ao ano.

 

“Na reunião do Copom de outubro, os riscos à manutenção da âncora fiscal fizeram que o aumento da Selic superasse o sinalizado na reunião anterior. Adicionalmente, foram também avaliados cenários com ritmos de ajuste maiores do que os 150 pontos base. Prevaleceu, no entanto, a visão de que a trajetória de aperto da política monetária com elevações de 150 pontos base, ainda que considerando taxas terminais diferentes, seriam consistentes com a convergência da inflação para a meta em 2022, mesmo diante da elevada assimetria no balanço de riscos. Porém, a manutenção dessa indicação dependeria da evolução da atividade, dos fatores de riscos, das projeções e das expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária (2022 e em menor grau em 2023)”, explica Gonçalves.

 

“Em novembro, com trajetória para a taxa de juros extraída da Focus e taxa de câmbio partindo de R$ 5,60/US$ e corrigida pela paridade do poder de compra, as projeções de inflação do Copom eram de 9,5% para 2021, 4,1% para 2022 e 3,1% para 2023. Esse cenário supunha trajetória de juros que se elevava para 8,75% a.a. neste ano e para 9,75% a.a. durante 2022, terminando o ano em 9,50% a.a., reduzindo-se para 7,00% a.a. em 2023. As expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontravam-se em torno de 9,0%, 4,4% e 3,3%, respectivamente”, afirma Gonçalves.

 

Desde então, o ritmo de expansão do IPCA corrente alcançou 10,67% a.a., mostrando um grau de disseminação e persistência maior do que o antecipado por grande parte dos analistas. O cenário para várias medidas importantes de inflação continuou bem negativo, como a de serviços, subjacentes e de núcleos. Por fim, houve deterioração das expectativas com a mediana da inflação pelo IPCA da Focus para 2022 elevando-se para 5,0% (teto da meta) e de 3,25% para 3,42% para 2023.

 

“Apesar dessa desancoragem das expectativas, ficou mais nítida a perda de tração da atividade econômica que deverá ser aprofundada no próximo ano com a deterioração das condições financeiras, o que beneficiaria o processo de convergência da inflação às metas. Adicionalmente, a Focus mostra agora uma Selic de 9,25% a.a. ao final de 2021, de 11,25% para 2022 e 7,75% para 2023, enquanto a taxa real de juros ex-ante de 1 ano vem subindo, encontrando-se agora próxima a 6%

a.a.”, complementa Gonçalves.

 

“É inegável o tamanho do desafio de trazer a inflação à meta ainda em 2022. Como há defasagens da política monetária, o aumento da Selic teria que ser feito em um prazo suficientemente curto para que seus efeitos pudessem ocorrer dentro do ano de 2022. Isto requeria uma aceleração do passo das elevações da Selic. Entretanto, por causa das limitações dos modelos de previsão de inflação e em função do elevado grau de incerteza no tempo de duração dos choques, acreditamos que seja mais adequada a manutenção do ritmo de aperto monetário de forma a não comprometer de forma excessiva a atividade do próximo ano e reduzir a volatilidade, estendendo se necessário o ciclo ao longo de 2022, o que não comprometeria a credibilidade da autoridade monetária”, finaliza Gonçalves.

 

 

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