Uniesp São Roque encerra atividades e causa revolta em alunos matriculados

Direção da faculdade não quis se pronunciar sobre o assunto

Da Redação: Ana Laura Gonzalez
Foto: Carlos Mello
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A Uniesp São Roque, faculdade localizada no bairro Guaçu, fechou suas portas na manhã desta quinta-feira (18) e, de acordo com alunos matriculados na unidade, o fato tem causado uma série de transtornos para cerca de 180 estudantes, que agora esperam por soluções em todo o dano relacionado às inscrições já existentes nos cursos de Direito e Pedagogia do campus.

Na ocasião, o Jornal da Economia esteve no endereço a fim de conversar com a direção da faculdade para que prestasse esclarecimentos a respeito do encerramento de atividades. No entanto, foi informado que a administração não iria se pronunciar sobre o caso e ainda presenciou a chegada de caminhões que foram enviados ao local para recolher documentos, móveis e outros materiais que estavam armazenados no espaço.

Já na tarde desta quinta, o JE retornou ao local para mais apurações sobre o fechamento da unidade e conversou com uma ex-aluna, que se formou há cinco anos e ainda não havia recebido o diploma. Ela conta que entrou na Justiça em busca dos seus direitos e teve causa ganha, fazendo com que a Uniesp tivesse de indenizá-la em 10 mil reais, valor que não foi pago pela instituição e, desta forma, a mulher foi até a unidade na companhia de um oficial de Justiça para retirar, com autorização, equipamentos que totalizassem a quantia.

Ainda segundo os estudantes que estiveram em contato com a nossa reportagem, a Uniesp São Roque já apresentou muitos problemas em sua administração e agora dificulta o processo de formação para diversos universitários. Um aluno que cursava Direito na faculdade e que terá seu nome preservado por esta redação, falou sobre os danos que agora afligem a maior parte de seus colegas.

“A faculdade, de última hora, comunicou os alunos que iria fechar suas portas e disponibilizou entre aspas uma outra instituição, que seria a Uniesp de Boituva. Entretanto, tem aluno que está vinculado ao Flex Universitário, um plano que reduz o valor da mensalidade ao estudante durante o curso e, após cinco anos, cobra um saldo devedor. Esse contrato foi quebrado pela faculdade, mas eles estão cobrando este saldo até o atual momento, o que torna inviável essa transferência para o aluno, porque ele se matriculando em outra instituição, terá de pagar uma mensalidade e mais o saldo da antiga”, disse o universitário.

O homem ainda relatou que isso irá afetar a grade curricular dos estudantes no momento em que se matricularem em outra faculdade. “Outros danos que os alunos irão sofrer é a diferença de grade. Quando se mudarem, vão ter que retroceder semestres já concluídos”, afirmou ele, adiantando que pretende processar a Uniesp em uma ação conjunta.

Outra aluna que esteve em contato com o Jornal da Economia também relatou que foi prejudicada pela faculdade, perdendo uma bolsa de estudos que conseguiu pelo Prouni (Programa Universidade para Todos). “Perdi por incompetência da Uniesp, porque já estavam com o despejo do prédio prestes a acontecer e ainda assim continuavam recebendo as matrículas e mensalidades deste ano. Muitos não conseguiram e disseram que vão entregar só até dia 24 [de fevereiro], mas como meus documentos da bolsa não ficarão prontos até lá, vou perder o benefício”, informou.

Vereador solicita esclarecimentos

O vereador Guilherme Nunes encaminhou um documento à coordenadora do curso de Direito da Uniesp, onde solicita informações sobre o encerramento das atividades acadêmicas e questiona quais serão as medidas tomadas pela faculdade para assegurar aos alunos o devido acolhimento e eventual aproveitamento de estudos em outra instituição.

“Tal questionamento se faz necessário pois com o encerramento das atividades de maneira abrupta a UNIESP deixa cerca de 180 alunos matriculados com apenas duas opções: serem recebidos no curso noturno na unidade de Boituva ou tentar a transferência para outra instituição e pedido de estorno dos pagamentos realizados em 2021.

Ressalto que os alunos foram tomados de surpresa, pois esperavam o retorno das aulas para os próximos dias, e estão encontrando algumas dificuldades para atendimento presencial. Muitos não têm possibilidade de fazer o curso no período noturno por trabalharem nesse horário, outros temem a volta das aulas presenciais e as dificuldades de locomoção até Boituva. Considerando que muitos alunos cursam os dois últimos semestres, questiono se foram esgotadas todas as possibilidades de manutenção do campus São Roque ao menos até o final do ano letivo”, questionou o vereador através do ofício.

 

 

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