Preços dos alimentos aumentam no Brasil

da Redação Foto: divulgação
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Os preços de alguns alimentos básicos registraram aumentos significativos no período de setembro de 2019 a agosto de 2020. É o caso da carne bovina (+40%), galinha (+7,5%) e porco (+9,4%), ou feijão preto (+30%) e ovos (+7,5%). Os analistas atribuem estes aumentos a dois fatores: o aumento das exportações de alimentos para a China  —o que reduz os estoques disponíveis para consumo interno— e, ao mesmo tempo, o aumento do consumo interno destes produtos no Brasil.

 

A menor disponibilidade dos produtos, juntamente com a maior demanda, leva a preços mais altos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável por medir a evolução do Índice de Preços (IPC), este indicador aumentou apenas 0,7% desde o início de 2020. Entretanto, a seção que inclui produtos alimentícios registrou um aumento muito maior: +6,10%. Os alimentos são um novo mercado a ser explorado pelos investidores, que estão acostumados a direcionar suas operações para outros ativos nos quais podem buscar lucros usando suas estratégias e ferramentas, como a calculadora trader.

 

 

Importações e aumento da demanda interna como causa

Os resultados estatísticos foram acompanhados por análises detalhadas que explicam as razões deste aumento de preço. Os especialistas concordam que o aumento das exportações de produtos alimentícios brasileiros para a China é um primeiro fator. Mas não é o único. Se este aumento nas exportações não reduzisse a quantidade total de alimentos disponíveis para venda no mercado interno, os preços não teriam que aumentar. No entanto, no último ano, a demanda doméstica por alimentos que agora são mais escassos, devido às vendas no exterior, também aumentou.

 

A combinação destes dois fatores explica porque, no Brasil, hoje em dia é 40% mais caro comprar carne bovina em comparação ao ano passado ou porque os ovos são 7,5% mais caros do que em setembro de 2019, conforme publicado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Os agricultores brasileiros preferem vender seus produtos para a China do que para o mercado interno, devido à maior renda que recebem do país asiático.

 

A decisão de Pequim de eleger o Brasil —um dos maiores produtores mundiais de produtos como soja e milho— como parceiro deve-se às tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos. Antes da guerra comercial entre os dois gigantes, a China era o principal comprador de produtos agrícolas dos EUA. Mas a imposição de tarifas por Donald Trump e seu governo sobre alguns produtos chineses foi recebida com uma redução nas compras de produtos agrícolas americanos por parte da China. A geopolítica, neste caso, explica este problema que afeta diretamente os consumidores brasileiros.

 

 

Bolsonaro pede "atitude patriótica" aos vendedores

No contexto da crise econômica causada pela pandemia do coronavírus, muitos brasileiros perderam seus empregos e, consequentemente, ficaram sem rendimentos. Portanto, o aumento do preço dos alimentos mais consumidos, como ovos, frango ou feijão preto, significa que milhões de brasileiros estão tendo dificuldades para comprá-los. É por isso que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, fez um pedido para que os vendedores —as grandes lojas comerciais— tivessem uma "atitude patriótica", renunciando a aumentar os preços e assim reduzir suas margens de lucro.

 

Entretanto, parece improvável que as empresas de distribuição e varejo de alimentos atendam ao pedido de Bolsonaro. Por outro lado, a implementação da ajuda social do governo brasileiro, que introduziu uma renda mínima para milhões de brasileiros, fez com que muitos deles gastassem esse dinheiro em produtos alimentícios. A política, que foi pensada para reduzir os efeitos negativos da pandemia do coronavírus e ajudar os mais pobres, se tornou em outro fator para o aumento dos preços dos alimentos, que estão em maior demanda agora do que nos primeiros meses da pandemia.

 

A evolução dos preços dos alimentos no Brasil os próximos meses é relevante. Novos aumentos que não forem acompanhados por aumentos na renda disponível dos cidadãos podem levar a problemas de acesso a esses alimentos. Além disso, novos fatores geopolíticos, como o resultado das eleições presidenciais nos Estados Unidos em 3 de novembro, podem modificar a política comercial e as relações entre a China e os Estados Unidos, o que afeta diretamente o preço dos produtos brasileiros.

 

 

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