Lava Jato denuncia José Serra por lavagem de dinheiro

Filha do político também foi denunciada

Fonte: Portal G1
Foto: Reprodução / internet
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A força-tarefa da Operação Lava Jato em São Paulo denunciou nesta sexta-feira (03) o senador e ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) por lavagem de dinheiro, dando início nesta manhã a buscas contra o político. A denúncia é uma das etapas das investigações e após ela ser apresentada, a Justiça decide se a aceita ou não. Posteriormente, se aceitar, decide se condena ou absolve os réus.

Segundo o Ministério Público Federal, a Odebrecht pagou entre 2006 e 2007 cerca de R$ 4,5 milhões ao político, que teriam sido usados em suas campanhas ao governo do estado de São Paulo, e cerca de R$ 23 milhões, entre 2009 e 2010, para a liberação de créditos com a já extinta estatal paulista Dersa. Além de Serra, a filha do ex-governador, Veronica Serra também foi denunciada por lavagem de dinheiro.

Na operação desta sexta-feira (3), a polícia cumpre oito mandados de buscas e apreensão em São Paulo e no Rio de Janeiro, sendo que além de Serra, a PF também cumpriu mandados de busca e apreensão num imóvel na Vila Nova Conceição, na Zona Sul da cidade, tendo como alvo o empresário Ronaldo Cezar Coelho, que foi também tesoureiro do PSDB. Ele não é citado na denúncia apresentada pelo MPF.

A assessora de imprensa de José Serra disse que a defesa do ex-governador ainda não teve acesso ao conteúdo dos autos e que irá se pronunciar após tomarem conhecimento do processo.

Em nota, a construtora diz colaborar com a Justiça. “A Odebrecht, hoje comprometida com atuação ética, íntegra e transparente, colabora com a Justiça de forma permanente e eficaz para esclarecer fatos do passado”.

À TV Globo, o advogado Jorge Salomão, responsável pela defesa do empresário, disse que o escritório de advocacia dele foi acionado por Coelho para acompanhar a busca e apreensão, mas que nada foi levado pelos agentes da PF. “Nada foi apreendido. A investigação é sigilosa e não temos detalhes do que vieram buscar”, disse.

A denúncia

Segundo as investigações, em 2006 Serra solicitou ao executivo da Brasken Pedro Novis, que intermediava a relação com a Odebrecht, o pagamento de R$ 4,5 milhões (cerca de 1,6 milhão de euros) e pediu para receber o montante não no Brasil, mas no exterior, por meio da offshore Circle Techincal Company, indicada pelo empresário José Pinto Ramos, amigo de Serra por anos.

Ainda de acordo com a operação, Ramos e Veronica Serra, filha do ex-governador, constituiram empresas no exterior, ocultando seus nomes, e por meio delas receberam os pagamentos que a Odebrecht destinou ao então governador de São Paulo. Ramos é citado como responsável pela operação das transferências, mas não foi denunciado pelo MPF.

O MPF ainda afirma que Ramos e Verônica realizaram transferências para dissimular a origem dos valores e os mantiveram em uma conta de offshore controlada por Verônica Serra, de maneira oculta, até o final de 2014, quando foram transferidos para outra conta de titularidade oculta, na Suiça. O MPF obteve autorização na Justiça Federal para o bloqueio de cerca de R$ 40 milhões em uma conta no país.

 

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