7 filmes nacionais para entender a realidade da Bahia

Conhecida por sua história e cultura ricas, a Bahia é tema de inúmeras produções cinematográficas

da Redação Foto: divulgação
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Cumuruxatiba, Caraíva, Trancoso, Chapada Diamantina, Salvador, Cachoeira, Península do Maraú... Conhecida como um dos polos que reúnem algumas das belezas naturais mais lindas do Brasil, a Bahia é alvo da paixão de turistas nacionais e estrangeiros, além dos próprios baianos.

 

Procurada por pessoas de diferentes nações e culturas, a Bahia é inspiração e tema de produções de diferentes linguagens artísticas: cinema, literatura, artes plásticas, música, teatro e dança.

 

Sendo o quinto maior estado do país, a Bahia, contudo, não pode ser resumida em uma só obra. Por isso, reunimos 7 filmes nacionais para quem deseja conhecer um pouco a complexa realidade baiana e as diferentes culturas negras que a habitam.


 

Café com Canela (2017)

Dirigido por Glenda Nicácio e Ary Rosa, o filme baiano conquistou três prêmios na 50ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Café com Canela conta a história de duas mulheres que, embora separadas fisicamente pela ponte que perpassa o Rio Paraguaçu, estão unidas pela dor do luto.

Margarida (Valdinéia Soriano) vive sozinha a dor causada pela morte de seu filho e mora na cidade de São Félix, na região do Recôncavo Baiano. Do outro lado da ponte, na cidade de Cachoeira, berço do samba de roda, está Violeta (Aline Brunne). Nos encontros que acontecem entre faxinas e cafés, as duas mulheres constroem uma amizade ao partilharem seu sofrimento, conversando sobre seus ancestrais, machismo e homofobia.

 

Ó Paí, Ó (2007)

Com roteiro baseado em uma peça escrita por Márcio Meirelles, Ó Paí, Ó se tornou um dos filmes mais conhecidos sobre a Bahia nos últimos anos. Dirigido por Monique Gardenberg, o filme conta a história de moradores de um cortiço localizado no centro histórico do Pelourinho.

Em meio às festas do último dia de Carnaval, a síndica Joana (Luciana Souza) fecha o registro de água do cortiço, provocando a ira dos moradores. O filme é estrelado majoritariamente por atores do Bando de Teatro Olodum e retrata os contrastes sociais de Salvador, além de abordar os temas de violência, racismo e drogas.
 

A Cidade das Mulheres (2005)

Baseado no livro homônimo da antropóloga Ruth Landes, escrito em 1939, o filme traz como protagonista Mãe Stella de Oxóssi, ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá, um dos terreiros de candomblé mais tradicionais da Bahia. Formada pela Escola de Enfermagem e Saúde Pública, Maria Stella de Azevedo Santos atuou como visitadora sanitária por mais de 30 anos.

Além de Mãe Stella de Oxóssi, o filme traz a história e os relatos de outras ialorixás e mostra a importância das mulheres de terreiro da Bahia, chamadas de Mulheres do partido alto.
 

SuperOutro (1989)

Dirigido pelo soteropolitano Edgar Navarro, o filme retrata uma pessoa que vive nas ruas de Salvador e tenta libertar-se das misérias que o acompanham durante a sua vida. Certo dia, ele decide realizar seus sonhos ao tentar voar pelas ruas da cidade, exatamente como faria um super-herói.

O filme traz reflexões interessantes sobre a alteridade, o modo como a relação com o lugar onde moramos também modela nossa subjetividade. Salvador aparece no filme como esse “SuperOutro”, matéria da paixão, de martírio e de gozo das pessoas que vivem nela.
 

Boi Aruá (1983)

Primeiro desenho animado baiano dirigido por Chico Liberato, Boi Aruá recebeu a láurea da Unesco de “Referência de Valores Culturais para a Infância e Juventude”. Baseado no livro homônimo de Luís Jardim, o filme narra a história de um fazendeiro arrogante e egoísta que fica fascinado por um enorme boi negro.

Em contrapartida, o boi zomba dele e o desafia inúmeras vezes. O fazendeiro então tenta capturar o Boi Aruá e, por seis vezes, falha. Após a sexta derrota, o tirano começa a entender a dimensão humana e começa a aproximar-se mais de si mesmo e das pessoas ao seu retor.
 

O Pagador de Promessas (1962)

Pagador de Promessas é a única produção brasileira a conquistar a Palma de Ouro do Festival francês de Cannes, um dos mais reconhecidos no mundo. O filme conta a história de Zé do Burro, homem humilde que possui um pequeno pedaço de terra no interior da Bahia, cujo melhor amigo é um burrico chamado Nicolau.

Certo dia, Nicolau adoece e, então, Zé do Burro recorre a uma Ialorixá (mãe de santo) para tentar salvar o amigo. Ele faz a promessa que, se ela melhorar o estado de saúde de seu amigo, ele carregará uma imensa cruz de madeira até a Igreja de Santa Bárbara e dividirá as suas terras entre os mais pobres.
 

Bahia de Todos os Santos (1960)

Do gênero drama psicológico, Bahia de Todos os Santos é um filme de Trigueirinho Neto. O longa retrata a cidade de Salvador durante a ditadura varguista a partir da vivência de Tonio, que vive conflitos sociais, políticos e religiosos e se envolve entre grevistas e polícia.

Em meio aos conflitos, Tonio vê sua namorada tentar afastá-lo de seus amigos. Contudo, ele rouba os pertences dela para ajudar seus companheiros. Ela então denuncia o namorado, que é preso e fica comprometido politicamente.

O filme faz parte do “fenômeno baiano”, que marcou o cinema da Bahia no início da década de 1960 e foi antecessor ao Movimento Cinema Novo, marcado pelo intelectualismo e pela abordagem da desigualdade social e racial no país.

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