Saúde de Mairinque enfrenta situação dramática

Problemas no PA e em postos de saúde da cidade

Da Redação: Rafael Barbosa
Fotos: Divulgação
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O setor de Saúde de Mairinque enfrenta momentos críticos devido à falta de repasses municipais, a começar pelo seu Pronto Atendimento, que passa por situações muito difíceis nos últimos meses.

Segundo o setor Jurídico do Instituto Cisne, responsável pela administração do PA, a Prefeitura de Mairinque tinha que repassar mensalmente R$ 650 mil reais ao hospital para cobrir os custos relacionados ao atendimento diário dos pacientes. Entretanto, há alguns meses os custos têm sido depositados de forma parcial, não sendo insuficientes para que o pronto atendimento possa exercer sua função em sua totalidade.

No início de junho, instituto e prefeitura teriam chegado a um acordo para um repasse de R$500 mil mensais, entretanto a falta de repasses continuou e os problemas no único hospital da cidade continuam a se agravar e podem trazer riscos a pacientes, devido à falta de profissionais e medicamentos.

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O hospital já chegou a um estado crítico no início de junho, quando ficou um dia sem médico no local e embora o atendimento tenha sido restabelecido, os salários continuam atrasados, desfalcando toda a grade de atendimento.

Porém os problemas podem ficar ainda mais sérios, já que o instituto estaria comprando seus medicamentos básicos por meio crédito e se a situação continuar, o posto pode ficar sem remédios, o que chegou a acontecer na quinta-feira passada quando, segundo funcionários, o PA ficou sem medicamento para pacientes de Urgência e Emergência e teve que emprestar remédio de outro hospital em Ibiúna.

Com tantos problemas, funcionários tem se mostrado extremamente preocupados. “É evidente que os profissionais se preocupam com o atraso no pagamento do vale, o que ainda não ocorreu, mas existem vidas em jogo aqui e isto é o mais importante. Será que vai ser preciso alguém morrer para que se tome alguma atitude”, informou um funcionário do local, que terá seu nome preservado por esta reportagem.

Segundo as últimas apurações realizadas por esta reportagem, o depósito do vale e do pagamento saiu nesta sexta-feira, porém os médicos ainda não teriam recebido e, neste momento, o PA está atendendo casos de Urgência e Emergência, ou seja, casos críticos e que precisam de tratamento imediato.

Comissão analisa situação

Entretanto, a Situação do PA parece ser apenas um dos problemas enfrentados na saúde da cidade. No início de junho o Vereador Rafael da Hípica protocolou um projeto que cria uma comissão para analisar e acompanhar o cumprimento dos contratos de serviços terceirizados na área da saúde da cidade.

Segundo o vereador, a comissão foi formada porque os questionamentos e cobranças dos parlamentares junto a comissão de saúde municipal não estavam surtindo efeito. A comissão foi oficialmente formada no dia 1° de julho e será composta pelos vereadores Rafael da Hípica (presidente), Túlio Camargo, Professor Giovani, Paulo Marrom e Biúla.

“O objetivo é acompanhar os contratos firmados referentes a saúde do município tento em vista os diversos problemas no setor como a falta de remédios, médicos e de pagamento dos profissionais. Queremos garantir que os recursos destinados a saúde sejam transformados em ações em prol da população”, afirmou o vereador. Segundo o parlamentar, após receber a informação sobre falta de médicos nas UBS’s da cidade e ir até os postos, ele constatou que as UBS’s de Três Lagoinhas, Vila Barreto alto e baixo, Jardim Vitória e Porta do Sol não estão oferecendo atendimento médico por falta de pagamento dos profissionais.

Uma situação que apenas agrava o problema. Sem os postos, os pacientes recorrem ao PA, que já enfrenta os problemas descritos acima e acaba tendo sua capacidade de atendimento sobrecarregada, não conseguindo atender a todos.

Desta forma, a comissão deve começar nos próximos dias as primeiras reuniões entre os parlamentares para dar início aos trabalhos da comissão, que irá ouvir diversas pessoas ligadas a saúde municipal, como responsáveis pelas Organizações Sociais que atuam na cidade, funcionários da prefeitura e o próprio prefeito. A comissão terá 180 dias para emitir um relatório sobre o caso, que será enviado para o Ministério Público, a própria Câmara, o Conselho Municipal de Saúde e o Tribunal de Contas.

“É importante ressaltar que o legislativo tem feito a sua parte com a aprovação de projetos importantes ligados a saúde, como a liberação de verbas para o setor, mas notamos que nada tem dado resultado em ações em prol da cidade”, afirmou o vereador Professor Giovani.

Situação também afeta São Roque

O problema da Saúde de Mairinque não afeta apenas a cidade, mas também a vizinha São Roque.

 Quando pacientes não tem atendimento ou não se sentem seguros para procurar atendimento no município, eles geralmente procuram a Santa Casa de São Roque. Segundo informações da irmandade, na segunda-feira em que o PA de Mairinque ficou sem atendimento, o número de pacientes registrados na Santa Casa aumentou para aproximadamente 400 acolhimentos, sendo que o número médio de pessoas atendidas é de cerca de 200 neste dia da semana.

Desta forma os problemas de atendimento em Mairinque afetam também São Roque e podem influenciar cidades vizinhas, como Alumínio.

O Jornal da Economia questionou a Prefeitura de Mairinque sobre a situação dos PA e a falta de médicos nos postos de saúde, mas não tivermos resposta. Segundo informações do setor Jurídico do Instituto Cisne, a OS vinha procurando junto a administração municipal uma solução para o problema do PA, porém até o fechamento desta edição não fomos informados se as partes chegaram a um acordo.

 

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