Diferença econômica já é clara no futebol brasileiro

Equilibrado ao longo dos anos, o campeonato brasileiro começa a mostrar que certos clubes já criaram uma separação e o dinheiro é a razão para isso

Assessoria de Imprensa Foto: Divulgação
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Mais por incompetência de cartolas do que qualquer outra coisa, a diferença no número de torcedores, conquistas históricas e valores de patrocínio e vendas nunca importou tanto no futebol brasileiro em sua época de ouro. Nos últimos cinco anos, esse cenário mudou no Campeonato Brasileiro.

A marca do futebol nacional sempre foi o equilíbrio maluco, que fazia a frase feita “o campeonato brasileiro começa com 10 favoritos” parecer próxima da verdade. De 1971 até 2002 tivemos 16 campeões diferentes em 32 edições. Ou seja, um inédito a cada dois torneios.

Uma das críticas dos pontos corridos é justamente tirar um pouco do elemento da surpresa. Isso não dava para notar na lista de 2003 até hoje, quando a fórmula foi usada. São sete campeões diferentes em 16 edições.

Normal, não? O problema é quando vemos os últimos anos: depois do bi do Cruzeiro em 2013/2014 tivemos um título do Corinthians, um do Palmeiras, um do Corinthians, um do Palmeiras. E o Palmeiras agora é o líder da edição 2019 e grande favorito para a conquista.

 

O dinheiro chegou em peso

Junto com o crescimento da economia brasileira, o futebol nacional começou a se organizar minimamente. Muitos apontam a chegada de Ronaldo no Corinthians como um novo momento; o time do Parque São Jorge imediatamente aumentou sua renda com patrocínios de forma exponencial e também subiu bastante o valor dos ingressos.

Desde lá isso se tornou a regra e com as novas arenas da Copa do Mundo, o custo para entrar em um estádio só aumentou. Dos cinco maiores em renda bruta no Campeonato Brasileiro de 2019, quatro deles jogam em arenas novas. O São Paulo (3º), no Morumbi, é o intruso. Palmeiras em primeiro, Flamengo em segundo, Corinthians em quarto e Internacional em quinto completam a lista.

E são esses mesmos times que são os maiores beneficiados nas cotas de televisão. O Flamengo pode receber até 327 milhões de reais se for campeão em 2019. Em 2018 levou 179,6 milhões. O Corinthians levou o mesmo valor, mesmo tendo um campeonato horroroso. São Paulo e Palmeiras terminaram com 135,5 milhões.

Os valores são definidos em uma mistura de classificação final e audiência gerada. 40% do montante total é dividido igualmente.

O Palmeiras ainda tem o plus da Crefisa em uma parceria que foi anunciada como a maior da América Latina por 81 milhões por temporada. As metas podem elevar o montante anual em 34 milhões.

 

Como competir?

Com todo esse dinheiro a mais a diferença só não seria evidente se o Palmeiras fosse muito incompetente na montagem do elenco. Por enquanto não o é: o time não sabe o que é perder no equilibrado Campeonato Brasileiro há mais de 30 jogos. A equipe também é favorita na Libertadores.

O Flamengo, que passou por uma reconstrução financeira e agora pode aproveitar todos os louros das contas em dia e os caminhões de dinheiro que chegam da televisão e renda, gastou mais de 100 milhões em contratações. Quando falamos em incompetência técnica o rubro-negro carioca sofre um pouco mais com ela, já que ainda não tirou um título de grande expressão dessa fase de vacas gordas. Mas é questão de tempo.

O futebol brasileiro ainda tem alguns intrusos nas disputas nacionais, com o Athlético-PR fazendo boas campanhas, o Santos conseguindo alguns vicecampeonatos brasileiros e da Copa do Brasil, o Cruzeiro dominando a Copa do Brasil e o Grêmio montando um elenco relativamente barato e vencendo a Libertadores em 2017.

 Mas a tendência é que um novo e muito seleto de grandes seja formado e tenha Palmeiras, Corinthians e Flamengo encabeçando eles. São Paulo, Grêmio, Cruzeiro, Internacional, Santos e Atlético-MG um nível abaixo e ainda competitivos, dependendo do realismo financeiro adotado pelas diretorias.

Já times altamente endividados como o trio Botafogo, Fluminense e Vasco e que sofrem para ter receitas grandes com renda, venda de jogadores e patrocínios podem ficar pelo caminho. E sem tanto dinheiro de televisão, não poderão montar grandes times para bater de frente com seus rivais históricos.

A diferença econômica já é clara no futebol brasileiro e o distanciamento só deve aumentar nos próximos anos. Ainda estamos longe do domínio dos gigantes nas ligas nacionais europeias, mas o Brasileirão daqui a pouco deve começar apenas com três ou quatro favoritos.

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