Copom deve manter a Selic em 6,5%, afirmam professores da FGV

Assessoria de imprensa
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A expectativa para o Copom é manter a taxa Selic em 6,5%, nesta quarta-feira (20), afirmam os professores Nelson Marconi, coordenador executivo do Fórum de Economia da FGV EAESP e Marcelo Kfoury, coordenador do Centro Macro Brasil da FGV EESP.

"O Banco Central vai manter a taxa estável, mas deveria reduzir para 6%, pois o nível de atividade está baixo, o desemprego e a ociosidade apresentam taxas elevadas. Não há pressão inflacionária no horizonte, a evolução dos preços está comportada, portanto, uma redução de juros ajudaria, ainda que não seja suficiente, a retomar a atividade produtiva", afirma Nelson Marconi.

Marconi ainda revela que o problema maior de toda forma é a taxa de juros ao tomador final, que continua elevada. "Nesse caso, é fundamental que aumente a concorrência bancária e isso não se faz do dia para noite, porém é preciso priorizar", finaliza.

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Para Marcelo Kfoury "por ser a primeira reunião do novo presidente do BC, que não deve ser leniente à inflação logo de cara e, principalmente, por estarmos ainda no início dos debates sobre a reforma da previdência, não há espaço para mexer nos juros nem para mudar o discurso com antecipação de futuras ações de política monetária".

Kfoury lista quatro condições que se forem atingidas simultaneamente podem abrir espaço para um novo ciclo de flexibilização da Selic para o segundo semestre:

1- Inflação abaixo da meta. Segundo as projeções do BC e mesmo as expectativas do Boletim Focus, a inflação está em linha com as metas de inflação, mas como a inflação corrente anda muito bem-comportada, pode impactar nos próximos meses uma revisão baixista nas projeções (menos de 4% em 2020), que seria um bom indicativo para novos cortes de juros. Em 2019, a inflação deve chegar o ano em 3,7%. Mas o Copom, no terceiro trimestre estará olhando a inflação de 2020.

2- A dinâmica do crescimento econômico mostra o enfraquecimento na margem. No primeiro trimestre, a expansão, segundo os indicadores antecedentes, parece ficar ligeiramente positiva o que deve forçar revisão baixista também nas projeções de crescimento do PIB para o ano possivelmente abaixo de 2%. O baixo crescimento é a segunda condição para se cortar juros.

3- Um cenário internacional tranquilo, com a economia americana crescendo o suficiente para o FED não surpreender o mercado com altas adicionais no FED Fund é outra condição para o corte nos juros.

4- Por fim, a condição mais difícil de vislumbrar atualmente é a reforma da previdência. Se o governo mostrar que tem força para aprová-la e, pelo menos garantir uma economia de R$800 bilhões em 10 anos em meados no ano, o Banco Central pode cogitar em cortar juros novamente no segundo semestre.

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