O que achamos de HORIZON ZERO DAWN

Será que o novo exclusivo para PS4 realmente merece os elogios que está recebendo? Confira o que achamos do jogo.

Repórter do Jornal da Economia
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Rafael Barbosa - Repórter do Jornal da Economia

HORIZON ZERO DAWN é um game que provavelmente vai surpreender de muitas formas. O novo trabalho da Guerrilla Games (responsável pela série KILLZONE) é sem dúvida o projeto mais ambicioso já feito pelo estúdio e, apesar de apresentar alguns problemas, nos leva a conhecer um universo encantador e carregado de uma dose de carinho e coragem que não vemos com frequência em jogos com grandes orçamentos.

Somos levados a um mundo que passou por um evento apocalíptico que extinguiu a sociedade como a conhecemos e embora a raça humana não tenha acabado, os seres humanos voltaram a viver em uma espécie de idade da pedra, espalhados pelo mundo em diversas tribos que tem que dividir seu território com estranhos animais mecânicos, que são os verdadeiros senhores daquele mundo.

É assim que conhecemos Aloy, uma garota que foi banida da tribo Nora após o seu nascimento e que busca descobrir os segredos sobre sua origem. Quando a comunidade da jovem é atacada por inimigos que conseguem controlar os animais/maquinas, a jovem se vê obrigada a iniciar uma peregrinação pelo mundo, para tentar descobrir quem são estes novos oponentes e qual a ligação deles com o seu passado.

Conhecer o mundo de Horizon é a melhor parte do game. A ambientação é deslumbrante, com imensas paisagens que mudam significativamente conforme desbravamos novos pontos do mapa e nos fazendo sentir que realmente estamos desbravando um ecossistema vivo, habitado por criaturas e vegetações próprias. A natureza pode ter reivindicado os seus domínios, mas apesar de nossa civilização ser apenas uma lenda entre os habitantes daquele mundo, ela ainda pode ser “sentida” no ambiente já que não é incomum encontrarmos estatuas abandonadas ou vestígios de construções e prédios esquecidos em meio a mata.

E o jogo te incentiva a explorar estas ruinas e encontrar vestígios desta civilização passada através de colecionáveis espalhados pelo cenário e que nos permitem entender como era o mundo antes do apocalipse. Porém mais importante do que entender o passado, é descobrir como funciona esta nova sociedade humana que nasceu após destruição.

Girl Power

Os humanos que habitam este mundo tem sua própria cultura e que vêem o mundo de formas diferentes, mas estes costumes não são apresentados de forma rápida, pois o jogo abraça estas diferentes perspectivas como parte de sua narrativa. HORIZON ZERO DAWN é um game carregado de questionamentos políticos e sociais e não me surpreenderia se a sua abordagem incomodasse algumas pessoas, principalmente pela carga feminista inerente ao jogo, embora está seja uma das suas principais qualidades.

Lembro de quando a Dontnod Entertainment promovia o seu REMEMBER ME, em 2013, pois na época o estúdio havia dito que muitas produtoras haviam rejeitado o seu projeto pelo fato dele ser protagonizado por uma mulher. O estúdio acabou encontrando alguém que acreditasse na proposta e o jogo foi feito, porém é perceptivel que se a protagonista fosse substituída por um homem, isso não traria grandes mudanças a história ou estrutura do game e isto é um problema que encontramos em inúmeros jogos protagonizados por mulheres.

Horizon é diferente pois é impossível imaginá-lo com um homem no papel principal. Os Nora são uma sociedade matriarcal e as regras desta tribo chefiada por mulheres é muito bem estabelecida pelo jogo, de forma que é apenas natural que seja uma mulher a responsável por avaliar e questionar estas tradições, estabelecendo um olhar crítico sobre as crenças destas e de outras culturas que encontramos durante nossa jornada.

Porém embora o jogo tenha uma boa carga de "Girl Power", ele consegue apresentar uma protagonista que facilmente vence a barreira dos gêneros. Aloy é inteligente, carismática e tanto a sua história quanto o mundo onde vive são tão interessantes que você vai querer conhece-los profundamente.

A forma como o jogo nos deixa interagir com este universo segue um padrão que já estamos acostumados em títulos ambientados em mundos abertos. Temos missões principais e paralelas, itens a serem coletados, equipamentos a serem construídos, entre outros elementos que fazem parte deste gênero de jogo e que funcionam de forma eficiente durante a jogatina. Estamos sempre buscando itens pelos cenários para construir munições para nossas armas e melhorar nossos equipamentos, enquanto as habilidades que podemos adquirir com os pontos de experiência são realmente uteis e sempre nos deixam indecisos sobre o que escolher.

A grande novidade em termos de jogabilidade está nos combates e nos incríveis animais mecânicos que habitam este mundo. Cada um deles tem um design único e habilidades e fraquezas próprias, de forma que parte do desafio de enfrenta-los está justamente em entender quais são estes pontos fracos e montar uma estratégia para derrota-los. Não entendeu direito? Então deixe-me contar como foi minha primeira experiência com um destes inimigos.

Animais ou máquinas?

Eram os primeiros momentos do jogo e eu estava começando a jornada de Aloy quando a garota foi obrigada a enfrentar um Dente Serrado. O animal era é versão gigantesca e robótica de um Tigre Dentes de Sabre e nem preciso dizer que a primeira coisa que fiz foi me esconder  e ficar longe dos olhos e das garras do bicho (se vai me chamar de covarde, espere até você ter que encará-lo).

Minhas flechas não conseguiam penetrar a armadura do animal, mas ao usar as habilidades de análise de Aloy, descobri que ele tinha dois pontos fracos (nas costas e na barriga), além de ser vulnerável a fogo. Com estas informações, parti para cima do bicho e busquei incapacita-lo com armadilhas enquanto concentrava meus tiros nos pontos fracos, produzindo dano suficiente para abater minha presa.

Isto resume bem a tensão e estrutura envolvida nos combates do jogo, onde cada inimigo tem um ponto fraco que deve ser explorado, o que dá aos embates uma divertida dose de estratégia, poia estamos sempre experimentando novas armas e artimanhas que nos tragam vantagens contra nossos inimigos. Infelizmente o jogo não nos deixa focar em um adversário por vez, uma mecânica que já se tornou padrão nos jogos do gênero, o que pode deixar os embates um pouco confusos e desengonçados em alguns momentos.

Na verdade este é apenas um dos pequenos equívocos que a Gerrilla Games comete neste game e refletem a inexperiência do estúdio em jogos do gênero, organizando suas missões em listas burocráticas, com um sistema de mapa que não é preciso em dizer ao jogador aonde ele deve ir e, embora seja excessivamente didático em alguns momentos, ele nunca consegue deixar claro ao jogador todas as ações que ele tem a disposição durante o jogo. Toda vez que precisava seguir rastros o game me explicava como fazê-lo mas, por outro lado, tive que aprender a criar meus itens sozinho.

Problemas existem, mas eles são facilmente esquecidos quando olhamos para a experiência que o jogo oferece. Do universo lindo e vivo, passando pela história interessante e mecânicas sólidas, HORIZON ZERO DAWN é um título obrigatório para o PS4 e que pode muito bem se transformar em uma franquia no futuro.

 

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