Educação Política: o que significa educar para a cidadania?

Educação Política: o que significa educar para a cidadania?

Nas discussões sobre a educação, inevitavelmente surgem comentários quanto ao fracasso da educação básica no Brasil. Nestes comentários, aborda-se, como evidência, os números da escolarização, por exemplo: o baixo índice de desenvolvimento nas competências de língua portuguesa e matemática - as competências básicas!

Por outro lado, neste mesmo país, é crescente o número de manifestações populares, demonstrando interesse na política. Embora, não sejam manifestações que revelam conhecimento político ou de política.  Com relação à educação básica, em se tratar de currículo, não há disciplina que aborde o sistema político brasileiro ou constituição.

Todavia, qual é a importância da Educação Política? Será que a precariedade da educação básica é reflexo da falta da Educação Política? Afinal, o que é a Educação Política e qual é o seu propósito?

Conceitualmente, a educação política pretende formar a consciência da cidadania com valores de convivência "com o outro". A consciência da cidadania prepara o sujeito para atuar no âmbito da sociedade em respeito aos direitos e deveres. Neste sentido, a educação política oferece ferramentas para o empoderamento coletivo, das pessoas, grupos e comunidades. Não, não estamos falando de debater "direita e esquerda", ideologias ou entrega de santinhos em período eleitoral.

Acredita-se que, o “educar politicamente”, tratando da compreensão de assuntos de relevância nacional e de estrutura dos estados, possibilitará aos estudantes entender os aspectos da organização estatal e o “modo como estão”, “porque estão” e “como estão” as “coisas” no país - a compreensão dos fatos!

A educação política, além de fomentar o conhecimento da divisão dos três poderes (executivo, legislativo e judiciário), a percepção dos princípios da democracia, o entendimento do papel de cada autoridade política, o poder de influência de cada papel e da organização do Brasil, igualmente, possibilitaria a análise das relações de poder entre os poderes.

No que tange às relações de poder, de modo mais específico, desenvolveria a compreensão do jogo e das regras do jogo dentro da política.

Em tese, a política é um processo de tomada de decisões para o bem-estar social, a fim de que valores de convivências sejam implementados na sociedade, mediante aplicação dos princípios democráticos.  Valores como: ética, responsabilidade, empatia, tolerância; tudo no sentido de combater os discursos de ódio, discriminação e preconceitos, totalmente contraditórios ao sistema político pretendidos como movimento de "ação - reflexão e ação" dos homens sobre o mundo.

Mas, no caso da falta de educação política, como ficamos? As pesquisas mostram a escassez na qualidade da educação básica, como também, podemos salientar que não há educação para a convivência, isto é não há “a educação política”, já sabemos. Dito isto, podemos afirmar que a educação, em sua amplitude, é um artigo cada vez mais caro para nós brasileiros e sua falta custa vidas!

Analisando o que está privilegiado como obrigatório na educação básica: do âmbito intelectual, emocional, cultural e físico-motor; nosso desenvolvimento é raso e não temos projetos, principalmente pós pandemia. Vivemos constrangidos com uma lamentável falta de educação básica, de participação democrática, educação filosófica e atuação cidadã.  Agora, trazendo ao debate a importância da educação política, perguntamos: Como fica o cenário da educação no Brasil?

Acreditamos que a política está em todos os lugares e as decisões políticas afetam o nosso cotidiano! Atualmente, podemos defender que a competência da “convivência com o outro” se faz mais do que necessária! A atuação política não é somente para os políticos, mas para sabermos como nos inserirmos nos vários espaços de inter-relações e participarmos da construção coletiva e social. Podemos citar os conselhos e as audiências públicas, entre outros, enquanto espaços de relações em que atuamos para tomadas de decisões totalmente influente na organização civil, política e social. São espaços de direitos e deveres para desenvolvimento do senso de pertencimento e identitário pelo ativismo cidadão.

Há que se frisar, as competências básicas (também) merecem a devida atenção das políticas públicas, as quais é sumário se ater com ações para possibilitar o sucesso da educação brasileira.   Iniciando-se, quem sabe, por retirar a educação do modelo de competição e formação técnica, investindo em mais cultura e democracia.

Educar não é um ato que supõe somente desenvolvimento das competências cognitivas, físicas e psicoafetivas, mas, também, é um ato para desenvolvimento da cidadania e tomada de consciência política. Nesta perspectiva, a educação política tem por propósito a construção da cidadania plena.

Para finalizar, abordando metaforicamente e de modo grotesco, a educação por suas evidências tem parecido um bebedouro com as necessidades de manutenções constantes - morremos de sede à beira do bebedouro!!!

Porém, a educação pode e deve ser como uma fonte inesgotável - a fonte de conhecimento e sabedoria de uma formação voltada para o desenvolvimento da consciência humana.  Dessa forma, a influência e afluência da educação dar-se-á para formação da cidadania. Concordemos, se a educação é para a vida, objetivamente, a educação é para a formação política!

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Simone Teodoro

Professora de Educação Básica, Pesquisadora em Educação, Consultora e Assessora Educacional em editoras, sistemas públicos e privados de ensino, atuando com formação docente, formação de gestores escolares e educacionais; assessoria à gestores municipais de educação na implementação de políticas educacionais nas suas diferentes vertentes. Integrante do MLG - Master de Liderança e Gestão Pública - da Rede CLP - Ce...

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