“É preciso a chuva para florir"

“É preciso a chuva para florir

1992. Esse foi o ano que conheci  a professora Márcia Nunes. Começamos juntos no PROFIC - Programa de Formação Integral da Criança. Ela como professora de reforço escolar e eu como professor de música. Mas a vida reservava muitos outros encontros. Antes de continuar preciso esclarecer um ponto. Depois de pensar muito resolvi escrever esta coluna sem me preocupar em ser piegas por dar um tom muito pessoal. Acredito que neste caso essa decisão tornou meu relato mais verdadeiro e rico. Voltemos para a coluna. A Márcia, enquanto funcionária da Prefeitura de São Roque atuou em diversos papéis. Mas  gostaria de destacar sua atuação frente aos Departamentos de Educação e do Bem Estar Social onde atuei na sua equipe. Muita gente pode imaginar que por nos conhecermos a tanto tempo poderia gerar um tratamento diferenciado. Grande engano. A Márcia sempre teve uma postura muito bem definida. A amiga não estava sentada  na cadeira da gestora. E a gestora era firme. Com o tempo eu aprendi a reconhecer suas impressões pelo olhar. Pessoa que não admite desonestidade em nenhuma de suas formas e preocupada com a ética praticada por toda a sua equipe, nada e nenhum assunto passava por ela sem ser tratado. Com a mesma firmeza que chamava a atenção, ela estendia a mão, acolhia, aplaudia e quando se encantava pelo projeto dizia: “Vai em frente. Eu acredito em você”. Com o tempo eu aprendi a  lidar com a Márcia.  Para ir a uma reunião com ela eu precisava estar muito bem fundamentado ou seria engolido pela sua arte de perguntar. Isso fazia com que sua equipe sempre estivesse estudando e correndo atrás de formação e conhecimento. Tudo foi tão marcante que algumas das suas frases me acompanham até hoje: “vamos dormir com este assunto e amanhã conversamos”, “até quando você vai passar por isso?”, “a firmeza não pode ser motivo para perder a ternura”, “ tenha fé”.  A esta altura você deve estar estranhando este texto estar quase todo escrito no passado. Mas tem uma explicação. Em Agosto de 2019 a Márcia já aposentada comunicou seu afastamento do serviço público. Encerrava assim sua carreira profissional para dedicar-se à família e projetos pessoais. Em 2021 reencontrei a Marcia. Seu semblante mais leve com olhar mais claro e descansado mostraram que ela tomou a decisão certa. Era mesmo a hora de cuidar do que tem de mais precioso na vida. Hoje está mais próxima da família, dos livros, das romarias de Santa Rita e da natureza que tanto ama. Está colhendo as flores que a chuva tratou de molhar por seu caminho.  É, Dona Márcia. Sua vida dá um livro. Um bom livro. Daqueles que ficam na cabeceira da cama para ler sempre que o coração precisa ser aquecido.

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Rogério Alves

Rogério Alves estudou regência na ULM (Universidade Livre de Música), é formado em prática de regência pelo Conservatório J. S. Bach e Gestão Pública pela UNIP. Atua na área da cultura, educação e da assistência social há mais de 20 anos. Foi criador de projetos como o Auto de Páscoa, Núcleo de Artes do CEC Brasital. Foi premiado pela criação do Programa de Boca Aberta - Musicalização Estudantil - escolhido para...

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