Ipê Amarelo e Zé do Nino. Hora de Festar!

Ipê Amarelo e Zé do Nino. Hora de Festar!

Segundo o IBGE no Brasil existem 5,7 milhões de "Josés". Mas nenhuma cidade tem o José Carlos Dias Bastos ou simplesmente o Zé do Nino. Esse cara é batuta! Desde muito tempo atrás vejo fotos dele em teatros, procissões, festas de gala trajando seu smoking branco ou na coordenação de eventos. Quantas vezes ele me socorreu com seu arsenal de adereços que mais parece um depósito dos Estúdios Globo.

Nascido e criado em São Roque, conta rindo que quando criança vivia brincando na rua com seus irmãos. Também pudera quem conseguiria segurar 14 filhos dentro de uma casa? Essa convivência com vizinhos e com irmãos certamente colaborou na construção da consciência coletiva desde rapazote. Sempre muito religioso cresceu e fez suas amizades no meio das famílias tradicionais da cidade o que de forma alguma transformou o Zé em uma pessoa exclusivista ou de soberba.

O Zé é do povo. Tanto que suas ações culturais sempre foram para a galera e não para grupos restritos. Em 1989 ele foi Festeiro das Festas de São Roque quando todos puderam ver que seus olhos brilham mesmo é de ver o sorriso estampado no rosto do povão. E não tem jeito. Ipê Amarelo e Zé do Nino na mesma frase significa que é aniversário da cidade. Mas, amigos, não se enganem! Zé do Nino é dono de uma personalidade forte, conhecido por ser o famoso “cabeça dura”.

Particularmente acredito que foram estas características entre outras que o fizeram uma espécie de guardião cultural das tradições religiosas em nossa cidade. Será que ainda teríamos ainda os famosos desfiles de carro de lenha se não fosse sua persistência? E o que falar do conhecimento construído para a fabricação dos tapetes que enfeitam as ruas no dia 16 de Agosto? Não tem jeito, Seu Zé. Gente que faz e que realiza sempre vai incomodar alguns. Mas não liga, não. Por que a quantidade de pessoas que admiram sua arte e sua pessoa é muito maior. Mesmo em tempos estranhos como este que estamos vivendo, as boas lembranças me trazem à memória esse homem de cabelos brancos impecavelmente arrumados e de sorriso fácil andando rapidamente da sua casa para a igreja Matriz e de lá para o colégio São José.

Essa é uma das memórias que nunca quero perder. Faz-me sentir vivo e não me esquecer de onde venho independente para onde eu vá. Parafraseando Vinicius de Morais e o Garoto: “...e eu que creio peço a Deus por minha gente. É o Zé do Nino que vontade de chorar”.

Foto

Rogério Alves

Rogério Alves estudou regência na ULM (Universidade Livre de Música), é formado em prática de regência pelo Conservatório J. S. Bach e Gestão Pública pela UNIP. Atua na área da cultura, educação e da assistência social há mais de 20 anos. Foi criador de projetos como o Auto de Páscoa, Núcleo de Artes do CEC Brasital. Foi premiado pela criação do Programa de Boca Aberta - Musicalização Estudantil - escolhido para...

ver mais
Publicidade:

mais de Rogério Alves

Comentários:

1