Coluna VITRINE

“Sua risada devia tocar no rádio” (Caio Fernando Abreu)

Coluna VITRINE

E para começar com o pé direito nada como falar de umas das estrelas do rádio são-roquense. Sim, caro leitor. Você leu certo!  Aquele aparelho quadradinho que só quem é “cringe” teve um. Pois bem. Quem hoje vê a Beth Mattos também conhecida como a Hebe Camargo de São Roque por seus cabelos loiros e elegância não sabe que a dona dessa bela voz é uma mulher que já enfrentou bravamente as duras lutas que a vida lhe impôs. Beth é uma daquelas pessoas que você não consegue conversar por menos de uma hora. Aliás, foi esse seu talento da boa conversa que a levou às ondas do rádio.

Casada com o Pedro Rodrigues há 42 anos, começou sua vida profissional como empresária na Capital. Por conta daquelas desafinadas que a vida dá ela acabou vindo parar numa casa no bairro de Mailasqui aqui na terrinha. A própria radialista se refere a esta casa cantarolando “era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada”. Por conta desses perrengues e sugestão do seu irmão procurou uma rádio de Itapevi para ser locutora onde o teste foi apresentar um programa ao vivo. Simples assim! Logo ela virou um sucesso. Mas sucesso não rima com dinheiro. E por incrível que pareça artistas não pagam suas contas exibindo sua bela voz no caixa do supermercado. Era preciso recomeçar. Gostaria de fazer um recorte aqui. Talvez este seja o motivo por que a Beth veio parar nesta coluna. É da alma do artista ser subversivo. Nem tudo será como manda o figurino. E tudo bem com isso!

De volta para São Roque, a Beth foi dona de rádio, comerciante e apresentadora da rádio na EXPO SÃO ROQUE. Mas ela ficou mais conhecida durante sua passagem pela Rádio Coluna FM, onde comandou um programa matinal. Lá ela experimentou um pouco da fama e da lama que é inerente à vida do artista. Recebia inúmeros telefonemas todas as manhãs, era convidada para conhecer a casa de seus fãs mirins e idosos e até recebeu uma Moção Honrosa da Câmara de Vereadores de São Roque como “Amiga dos Idosos”.

O que talvez nem ela saiba é a forma como impactou a vida de muita gente. Conversando com alguns de seus antigos ouvintes descobri pessoas que estavam entrando em depressão e tinham a Beth como companhia para atravessar este processo. Ou da família que conseguiu doações para construir uma casa através do seu programa. Da menina que começou a lutar por sua saúde usando o microfone da rádio e hoje retribui o gesto ajudando outras pessoas. Pois é, Dona Beth Mattos. Por isso e por todos que digo: não é hora de parar. Precisamos de mais gente como você! Coloque seu belo vestido tubinho e se for preciso chute a porta com o salto alto. Mas entre e ocupe seu lugar. O microfone é todo seu.

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Rogerio Alves

Rogerio Alves estudou regência na ULM (Universidade Livre de Música), é formado em prática de regência pelo Conservatório J. S. Bach e Gestão Pública pela UNIP. Atua na área da cultura, educação e da assistência social há mais de 20 anos. Foi criador de projetos como o Auto de Páscoa, Núcleo de Artes do CEC Brasital. Foi premiado pela criação do Programa de Boca Aberta - Musicalização Estudantil - escolhido para ...

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