Um novo dia

Muito se discute sobre as mudanças e transformações pelas quais a sociedade, pessoas e organizações passam. O tempo mais do que voa e as mudanças dançam envolvendo a tudo e a todos. Nesse turbilhão o que se evidencia é a importância da adoção de novas diretrizes profissionais e pessoais que favoreçam a adequada mutação dos indivíduos buscando o estabelecimento e o ordenamento das necessidades e realidades.

É indiscutível que a presença de uma postura que envolva o planejar, organizar, executar e o controlar dentro de parâmetros aceitáveis não só colabora com a construção de pessoas e organizações saudáveis, como também propicia a redução de diferentes formas de desperdícios, entendidos aqui como o uso inadequado dos recursos disponíveis: pessoas, materiais, tempo, tecnologia e dinheiro. Além de reduzir a possibilidade de perda de clientes, que em última instância são a razão de ser de profissionais e das próprias organizações.

Neste contexto destacam-se também pelo menos mais três questões de fundamental importância: a liderança, a responsabilidade social e a ética. Indiscutivelmente esse início de século a preocupação com as mesmas se faz presente em palestras, cursos, notícias e reportagens, as quais discutem outros aspectos desses temas como suas correlações com a sociedade, pessoas e organizações com ou sem fins lucrativos. Apesar dessa ênfase ainda se percebe um olhar de dúvida e ceticismo por parte de muitos.

Como conseguir que pessoas e profissionais deixem de lado essa resistência e passem a avaliar a importância da própria discussão do assunto e do seu posicionamento? Como estimular a busca de um novo estilo de gerenciamento?

A resistência encontrada quando se fala em rever, em adotar novas formas de ler as realidades, ou de gerenciar resultam pelo menos em duas manifestações muito próprias dos indivíduos: o medo do desconhecido e a acomodação. Em outras palavras, a antipatia ao novo, é comum, facilmente visível e perceptível e vai desde a oposição sutil até à declarada chegando, em alguns casos, até atos de violência.

Não obstante a essas manifestações, a organização, através de seus administradores, deve ajustar-se aos contínuos processos de mudanças e rever de maneira profunda e constante o seu estilo de gerenciamento. Esta adequação nunca é suave e implica em apreender de novo. Nessas ocasiões um erro comum é entender que a utilização de equipamentos sofisticados, a atualização de computadores, a substituição de máquinas, a implantação de programas de qualidade entre outras ferramentas, por si só, resultará em um estilo de gerenciamento mais eficiente e eficaz. Ferramentas que, logicamente, colaborarão com a melhoria, mas sem o desenvolvimento do homem, presente em todos os níveis hierárquicos da organização, não será obtido o resultado desejado.

O que fazer então?

É imprescindível que os administradores, entendidos como aqueles indivíduos que fazem as coisas acontecerem, independentemente de seu nível hierárquico, adotem uma postura atuante repensando, revendo e agindo no sentido de ajustar seus estilos de gerenciamento às realidades emergentes e preparando-se para fazê-lo de maneira contínua, não permanecendo assim no tradicional estilo reativo, mas adotando um estilo dinâmico e focado no futuro. Essas mudanças irão envolver não só a sua forma de atuar, mas também o seu ajuste a questões as quais incluirão a ética nos negócios, a responsabilidade social e a liderança.

O conjunto de fatores aqui discutido é indicativo de que a formação do administrador não termina ao final de seu curso de graduação, mas se inicia a partir do momento em que ele recebe seu diploma de Administrador. Em outras palavras o que ele viu e ouviu a partir do banco escolar constitui-se na abertura das cortinas de um espetáculo onde ele assumirá alternativamente o papel de ator e autor.

Assim, todos os dias serão dias em que ele aprenderá e ampliará sua maneira de ver e compreender amadurecendo e crescendo pessoalmente através da constante mudança de sua roupagem cerebral ao mesmo tempo em que se capacita e capacita as pessoas que atuam ao seu lado.

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Francisco Sacramento

Palestrante/professor especializado em atendimento ao cliente e gestão de recursos, Francisco Sacramento. Administrador de Empresas Graduado e Pós-graduado pela Fundação Getulio Vargas – SP, mestre em Administração pela UMESP – Universidade Metodista de São Paulo. Professor, palestrante, fotógrafo, orquidófilo. Membro da Academia de Letras Araçariguama (cadeira Guilherme de Almeida). É autor de artigos científicos ...

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