Fotografia e teoria do entrelaçamento

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Fotografia e teoria do entrelaçamento

A análise de múltiplos aspectos que conduzem ao aprimoramento humano e porque não dizer à construção do conhecimento, ao longo dos tempos, conduziu-nos a considerar diversos aspectos envolvidos no processo fotográfico e a sua relação entre técnica, arte, visão social, visão econômica. Dentro deste contexto algumas questões se apresentaram: A pratica da fotografia se constitui apenas em um instrumento social e artístico? Ela pode ser analisada como uma ferramenta de construção do conhecimento? A fotografia participa de outros saberes ou mantém isolada? Essas e outras questões nos tem levado a considerar o seu significado muito além de seus aspectos técnicos ou artísticos, pois entendemos que o saber envolvido nesta atividade se insere no contexto do atual processo de gestão organizacional e no desenvolvimento de novas tecnologias.

Do ponto de vista histórico o processo de reprodução de imagens surgiu séculos atrás, ao que tudo indica na China, quando um filósofo observou que após um feixe de luz passar pela fresta de um quarto escuro reproduzia, em um anteparo, uma imagem quase perfeita da cena observada no ambiente externo. Sucederam-se a esse evento outros os quais evidenciam que o processo de reprodução de imagens, independente da forma como ocorreu e ocorre, acabou por criar um imenso rol de atividades econômicas, sociais e históricas, em outras palavras, ele evoluiu e passou a participar de forma intensa de diferentes áreas do conhecimento humano.

Essas considerações nos conduziram e conduzem a observar aspectos de interações múltiplas. Ao buscarmos apoio no contexto da física veem à tona algumas questões a serem consideradas a partir do ponto de vista da Teoria do entrelaçamento quântico na qual “dois ou mais objetos podem estar de tal forma conectados que uma face não pode ser analisada adequadamente sem que a outra seja igualmente afetada, ainda que ambos estejam localizados em dimensões espaciais distintas”. Afirmação que nos leva a considerar que, em sua essência o processo fotográfico participa de maneira intensa de distintas áreas: matemática, administração, comunicação, medicina, astronomia, geologia. Enfim, somos remetidos a outras questões: Esse entrelaçamento conduz a visão restrita de um tema a outro muito mais amplo e capaz de possibilitar o desenvolvimento mais efetivo e completo do ser humano? Essa abordagem nos transforma de indivíduos dotados de visão específica, em seres capazes de perceber e entender inter-relações construtivas? Não estaríamos, desta forma, a abandonar a visão e a decisão restrita para assumir o desenvolvimento de processo decisória amplo e mais eficiente? Neste contexto, o processo educacional e o desenvolvimento do conhecimento, não se constituem em pontos vitais, ou mais especificamente no nó de muitas questões?

Enfim: O entrelaçamento entre a visão fotográfica, e o processo de gestão conduz efetivamente à construção do homem? Dentro dessa abordagem pelo menos mais duas interrogações surgem e permanecem em aberto: a) até que ponto a visão das especialidades, produz consequências adequadas a diferentes processos de tomadas de decisão? b) diante das aparentes limitações humanas e tecnológicas não estamos deixando de considerar efeitos cruzados?

Ao final nos vemos diante de realidades ao mesmo tempo complexas e simples. Complexas, pois envolvem diversas áreas do saber, simples pois elas se fazem presentes de maneira clara aos olhos do observador.

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Francisco Sacramento

Palestrante/professor especializado em atendimento ao cliente e gestão de recursos, Francisco Sacramento. Administrador de Empresas Graduado e Pós-graduado pela Fundação Getulio Vargas – SP, mestre em Administração pela UMESP – Universidade Metodista de São Paulo. Professor, palestrante, fotógrafo, orquidófilo. Membro da Academia de Letras Araçariguama (cadeira Guilherme de Almeida). É autor de artigos científicos ...

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