Os sapos que temos que engolir na vida

Os sapos que temos que engolir na vida

Mark Twain diz que se você tiver que engolir um sapo vivo, faça isso logo cedo, assim nada pior poderá acontecer com você no resto do dia… 

O seu sapo pode ser um processo burocrático, com intermináveis formulários, cópias, assinaturas e todas aquelas atividades que parecem feitas só para irritar, mesmo quando são necessárias para a sua própria segurança. O seu sapo pode ser uma dívida que faz você sentir-se muito mal só de pensar nela e não quer ou não consegue pagar. Goste do sapo ou não, ele é real e se ele é seu, algum dia você o tomou. Tem sapos que são obrigações sociais, cheias de formalidades entediantes ou interações forçadas. Eles podem ser o preço de alguns relacionamentos ou cargos que você assumiu. Os sapos das tarefas domésticas que você não acredita que já tem que fazer de novo existem para todo mundo, mas alguns lidam com isso melhor do que outros. E os sapos em forma de trabalhos acadêmicos ou grandes projetos tão difíceis e trabalhosos que parecem impossíveis?

Não adianta esperar a vontade chegar, ninguém tem apetite para sapos. O que algumas pessoas tem é um senso de responsabilidade que as faz comer o que tem que ser comido. Não adianta fugir do sapo, ele pula atrás de você e te alcança, o que na verdade você já sabia que aconteceria. Pense bem antes de aceitar um sapo, mas depois que ele estiver lá, coma logo. Postergar não faz os sapos desaparecerem como nas suas ilusões. Eles vão incomodar por muito mais tempo. Tornam-se uma fonte de stress dupla, agora além de ter que cumprir uma obrigação desagradável o seu prazo encurtou e as chances de dar errado aumentaram. Você passa dias olhando para eles e pensando neles, sentindo o terrível gosto de sapo antes de colocá-los na boca. Você pode sentir a desconfortável sensação de estar sendo covarde e infantil. Você acaba prejudicando outras atividades prazerosas e importantes, às vezes perde raras oportunidades enquanto está ocupado com o sapo.

Sei que ninguém quer começar o dia fazendo o que não gosta. Então se não for na primeira hora do dia, que seja na sua primeira hora de trabalho. Quanto pior a obrigação, mais rápido devemos nos livrar dela. Não consegue comer a seco? Escolha acompanhamentos e bebidas para disfarçar o gosto do sapo. Não consegue comer inteiro? Fatie. Coma direito, não com má vontade ou pela metade, termine o que começou. Peça ajuda ou delegue se possível, o que não significa jogar o sapo no colo do outro pensando que ele pode até gostar do bicho. Não piore a situação porque os sapos podem voltar, já meio mastigados e mais melecados, te obrigando a recomeçar! Não tente comer todos os sapos juntos, um de cada vez já está bom demais. Depois de resolver, faça algo para evitar novos sapos e mudar o sistema se for melhor para todos.

Felizes aqueles que temperam o sapo com paciência e o comem logo pela manhã, assim passam o resto do dia livres. De repente podem até descobrir que não era tão ruim assim e mesmo se for, o desgosto será o mesmo de quem adiou, só que acaba rápido e os deixa livres para produzir e viver com tranquilidade. Eles sabem que nem tudo que está em nossa lista de coisas a fazer é um processo fácil e gostoso, mas certas coisas fazemos pelo resultado ou porque elas são degraus para chegarmos às outras coisas realmente importantes. Agora com licença que vou lá temperar os meus sapos e me livrar deles o mais rápido possível…

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Andréa Voûte

Desde 2002 Andréa Voûte ajuda pessoas a lidarem melhor com o seu dinheiro individualmente, em família ou nas micro e pequenas empresas. Foi bancária e hoje é Consultora financeira e palestrante na Voute Contar. Autora do livro Finanças pessoais uma gestão eficaz, criou vários cursos, controles e métodos de consultoria e planejamento. contato@voutecontar.net.br

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