Como quebrar um time de futebol

Corinthians enfrenta uma crise financeira gigantesca que traz reflexos dentro e fora de campo

Como quebrar um time de futebol

 Nesse período de pandemia, em que o futebol brasileiro ficou parado, nenhum clube conseguiu tantas manchetes ruins como o Corinthians. Foram diversas derrotas em ações trabalhistas, cobranças de dívidas, brigas políticas e protestos da torcida. A pergunta que fica é: como um clube que, na última década, foi campeão mundial, campeão da Libertadores e tricampeão brasileiro, pode entrar num limbo financeiro como esse em que o Corinthians se enfiou?

  É verdade que, excetuando Flamengo, Palmeiras e talvez o Atlético-MG que vive um período de mecenato, nenhum clube brasileiro vive um período de bonança financeira, mas o Corinthians abusa dessa estatística. O que mais impressiona em toda essa crise financeira vivida pelo clube é a quantidade de dívidas que surgem apenas por pura incompetência administrativa e jurídica. Tomemos como exemplo os 23 milhões de reais que o Corinthians terá que pagar ao JMalucelli, pela venda do Jucilei que ocorreu há (pasmem) 9 anos. O clube paranaense entrou na justiça cobrando R$ 5,5 milhões da equipe alvinegra e anos depois, devido aos juros e à correção monetária, a dívida passou a ser de R$ 23 milhões. Caso o Corinthians tivesse pago corretamente ao JMalucelli, teria economizado quase 18 milhões de reais. Seguindo essa linha, a equipe do Parque São Jorge tem diversas dívidas bizarras, como uma multa de mais de 20 milhões de reais por usar uma rua como estacionamento, pagamento de ações trabalhistas para o Clodoaldo, que estava no time rebaixado, em 2007, fora o gasto feito em contratações bizarras.

O ponto contraditório nesse problema reside no fato do faturamento do Corinthians ser gigantesco. A equipe possui uma torcida imensa e fanática tendo tudo para ter um orçamento similar ao Flamengo, mas para que isso aconteça, precisa urgentemente passar por um saneamento das dívidas, iniciando pelo seu estádio. Desde sua construção, a Arena Corinthians foi um grande problema financeiro para o clube, que não consegue aproveitar sua receita e vê sua quitação como um sonho cada vez mais distante. O grupo político que administra o Corinthians se mostra cada vez mais problemático. Há 13 anos no poder, o grupo liderado por Andrés Sanchez, apesar de ter sido extremamente vencedor no início, mostra-se incapaz de resolver os problemas do clube e acaba se complicando em pleno ano eleitoral.

Fica muito evidente que todos esses problemas fora de campo, acabam refletindo no desempenho da equipe dentro dele. No ano de 2020, o Corinthians já foi eliminado da pré-Libertadores e está em uma situação crítica no Campeonato Paulista. Uma equipe da grandeza do Corinthians não pode ficar refém da incompetência de seus dirigentes como já ocorreu no passado. A verdade é que a equipe do Parque São Jorge parece seguir um script perfeito que leva um clube à beira da falência e necessita de mudanças drásticas na forma de se administrar o clube. O amadorismo administrativo não pode frear uma equipe de chegar em seus objetivos e o amor pelo clube tem de estar acima de qualquer desejo político. Um time de futebol pertence aos seus torcedores e não aos seus dirigentes.

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Léo Faria

Leonardo é formado em Gestão pública pela Uninove e atualmente cursa Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Sigam-me no instagram: @leofaria12

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