Sem retorno

A era digital chegou discreta e repleta de interrogações

Sem retorno

A era digital chegou discreta e repleta de interrogações. Poucos admitiam que o conteúdo daquele misterioso invólucro seria capaz de balançar estruturas tradicionais fazendo-as perder seu lugar e legando-as à penumbra. “O futuro, nascido no ontem,” estava a provocar uma imensidade de mudanças! No ontem, Charles Babbage (1794-1871) deu seus primeiros passos e desenvolveu o conceito de um computador; no hoje, a virada ocorreu e um vendaval oriundo da área da saúde precipitou organizações e pessoas ao fulcro do ciclone. As urgências emergiram em todos os setores e lares e o ato de atender as necessidades mínimas da subsistência passaram a ser o foco, o trabalhar em home e o ficar on line está a transformar cenários de maneira vertiginosa. Tenho pensado com constância em como o mundo reagiu diante da primeira revolução industrial (1760), ao promover drásticas alterações nos processos de produção (naquele momento as pessoas sentiram-se atônitas, perdidas); não menos importante foi a crise de 1929, a “grande depressão” carregou em seu lastro desespero e destruição; o advento, da Qualidade Total, a partir das abordagens de Feigenbaum, Deming, Juran, Ishikawam, Croby e outros, promoveu uma crise na indústria automobilística americana.

Como sempre a história é a Mestra da vida. Basta prestar atenção na contínua presença de diferentes crises: sonhadores acreditam que a última sempre será a derradeira. Acredito nisso tanto como em Papai Noel! Basta olhar pelo retrovisor e logo encontraremos nas palavras de Rogoff e Reinhart a obra “Oito séculos de Delírios financeiros”; também iremos nos deparar com “A dança das mudanças” de Senge; assim como com as considerações de Schumpeter (1883-1950) a evidenciar a “Destruição criativa” e, mais ainda, com o intenso destaque, a Inovação. Agora, nós nos confrontamos com a imensidão, até certo ponto desconhecida, do pensamento digital. Nada com certeza voltara a ser como foi até janeiro passado, estamos diante de uma virada sem retorno, vivendo em ambientes onde novos conceitos, posturas e habilidades passam a ser valorizados e nos quais ferramentas estratégicas assumem dimensões ainda não muito bem percebidas. Como Cabral chegamos diante de um novo território a ouvir o grito grumete: “Terra a vista!” Ainda não tendo domínio do novo conhecimento ficamos a imaginar, temer, a nos preparar para enfrentar o desconhecido. In fine urge a hora de aprender a aprender, de entender que a teoria é tão importante como a prática, de manter a mente aberta e estabelecer uma linha de contatos com seus concorrentes, de mudar as formas tradicionais de abordagem para as virtuais, de absorver as tecnologias digitais, de construir a vida a partir de alicerces diferenciados.

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Francisco Sacramento

Palestrante/professor especializado em atendimento ao cliente e gestão de recursos, Francisco Sacramento. Administrador de Empresas Graduado e Pós-graduado pela Fundação Getulio Vargas – SP, mestre em Administração pela UMESP – Universidade Metodista de São Paulo. Professor, palestrante, fotógrafo, orquidófilo. Membro da Academia de Letras Araçariguama (cadeira Guilherme de Almeida). É autor de artigos científicos ...

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