Os perigos da 'Nova Política'

O termo que tomou conta do cenário politico nacional começa a cobrar seu preço

Os perigos da 'Nova Política'

Desde o início da Operação Lava Jato, em 2014, você certamente já deve ter ouvido ou lido por aí sobre a necessidade de se praticar, no Brasil, a chamada “nova política” e que deveríamos aposentar qualquer método da “velha política” em nome do combate à corrupção e do desenvolvimento do país. Pois bem, seis anos após esse discurso ecoar por todo o país, conseguimos a proeza de, na maior pandemia do século, fazer as manchetes serem sobre uma crise política, que nada tem a ver, com a crise do Coronavírus. Diante desse cenário, fica a pergunta: o que tem de novo nessa “nova política”?

O primeiro fator que coloca em cheque essa nova forma de se fazer política, reside no fato de que o escolhido para representar esse movimento foi um parlamentar que já estava no Congresso Nacional há 28 anos: Jair Bolsonaro. Bolsonaro era um deputado do baixo clero e que sempre foi conhecido pelos absurdos que dizia em entrevistas ou no plenário e nunca por uma atuação parlamentar brilhante. Pelo contrário, nesses 28 anos apenas um projeto de sua autoria foi aprovado. Um fator preocupante nisso tudo é que justamente essas declarações o levaram ao poder, ou seja, ele reflete o pensamento de uma parcela considerável da população brasileira.

Essa crise entre o Presidente Bolsonaro e o ex-ministro Sergio Moro escancara diversos pontos no mínimo controversos dessa chamada “nova política”. O que tem de novo em um parlamentar com 28 anos de Congresso Nacional, que inseriu 3 filhos na política, tem mania de perseguição, é conspiracionista e tem uma veia autoritária quase que incontrolável?

A verdade é que a chamada nova política serve de refúgio para diversas práticas antiquíssimas voltarem. Tem algo mais antigo que um Presidente da República subir em palanque e discursar numa manifestação favorável à uma intervenção militar?

Nessa onda de “nova política” foi criado até um partido com o nome NOVO. O NOVO conseguiu eleger, em 2018, Romeu Zema, como governador de Minas Gerais. Zema é um dos poucos governadores que apoiam Bolsonaro, silenciando-se diante de absurdos ditos pelo presidente e mesmo agora, sendo um político, continua fazendo um discurso anti-política. O que tem de novo em calar-se diante de impropérios? Ou melhor, o que tem de liberal nesse ato?

A verdade é que devemos ter cuidado com soluções fáceis para problemas complexos. A “nova política” e o processo de sucateamento da política tradicional não foram benéficos ao país. Num momento de crise extrema e na maior pandemia do século, a nova política nos dá mais problemas do que soluções. É importante ressaltar que o fato de eu criticar essa nova tendência política não implica em passar pano para tudo de errado que a política tradicional fez como: esquemas de corrupção, troca de cargos por votos e um inchaço da máquina pública. Entretanto, com o passar do tempo, a “nova política” vem se mostrando tão nociva quanto, mas com um agravante, ela tem, como um dos objetivos, enfraquecer as instituições e não existe país sério no mundo que funcione sem o seu fortalecimento. É possível combater a corrupção sem desmontar as instituições mas parece que, infelizmente, apenas a experiência ruim irá mostrar essa constatação aos brasileiros.

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Léo Faria

Leonardo é formado em Gestão pública pela Uninove e atualmente cursa Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Sigam-me no instagram: @leofaria12

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