O ano dos treinadores estrangeiros

O “efeito Jorge Jesus” faz diversos times buscarem, fora do Brasil, a solução para o comando técnico

O ano dos treinadores estrangeiros

 O ano de 2019 foi, sem dúvidas, um divisor de águas para o futebol brasileiro. Com o sucesso avassalador do Flamengo, comandado pelo português Jorge Jesus, diversos dirigentes e torcedores, no geral, perceberam o atraso tático que perdurava no país. Diante dessa situação, na já tradicional “dança das cadeiras” entre os treinadores, diversos medalhões como Felipão, Cuca e Mano Menezes foram escanteados e treinadores estrangeiros foram a preferência de alguns times brasileiros. Eduardo Coudet foi contratado pelo Internacional, Jesualdo Ferreira pelo Santos e Rafael Dudamel pelo Atlético-MG, ilustrando a escolha por técnicos vindos de fora.

Uma característica em comum entre os três treinadores escolhidos é que os três, apesar de diferentes, são extremamente competentes. Coudet foi campeão argentino comandando o Racing. Suas equipes tem como característica principal a saída de três, onde o primeiro volante recua, formando uma linha de três jogadores com os zagueiros e os laterais tem a liberdade de subir ao ataque. Dessa maneira, o time agride pelos extremos do campo e ataca os espaços pelo meio. Com o forte elenco do Inter, Coudet deve montar um time extremamente competitivo. Jesualdo é conhecido por ser o professor dos professores, foi um dos mentores de José Mourinho e é um defensor ferrenho do 4-3-3, esquema com o qual foi tricampeão português pelo Porto. Dudamel é o mais desconhecido entre os três. O atual treinador do Galo revolucionou o futebol praticado pela Seleção Venezuelana, antes dele, a Venezuela era um “saco de pancadas” e após sua chegada, tornou-se um time extremamente consistente, chegando a ser vice-campeão mundial, comandando a seleção sub-20 e tendo boas exibições com a seleção principal, chegando a empatar com o Brasil na Copa América do ano passado. Geralmente suas equipes jogam no 4-1-4-1 aproveitando-se dos contra ataques e fazendo transições rápidas.

É inegável que essa entrada maior de treinadores estrangeiros, no Brasil, causa uma dor de cotovelo nos treinadores brasileiros, que no ano de 2020 tem em Vanderlei Luxemburgo toda a esperança de poder fazer frente a esses gringos, visto que é o treinador da velha guarda com o melhor elenco em mãos. Seria muito mais proveitoso para esses medalhões do futebol brasileiro, ao invés de torcerem contra, irem estudar e se atualizar, porque a tendência é eles ficarem cada vez mais para trás. Dos seis maiores times ingleses, apenas o Chelsea é comandado por um inglês. Esse intercâmbio futebolístico, no Brasil, deve só aumentar e quem ganha com isso é a qualidade do futebol apresentado no país. É importante ressaltar que não todos os treinadores brasileiros que são desatualizados e estão ultrapassados. Renato Gaúcho, Tiago Nunes e Rogério Ceni são grandes exemplos de treinadores brasileiros que estão atualizados e jogam de maneira vistosa. Entretanto, alguns treinadores que tiveram, recentemente, trabalhos horrorosos, devem, de fato, ficarem preocupados pois, se não houver uma mudança de postura, tendem a ficarem para trás. 2020 é o ano dos treinadores estrangeiros, no Brasil, consolidarem seu espaço. 

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Léo Faria

Leonardo é formado em Gestão pública pela Uninove e atualmente cursa Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Sigam-me no instagram: @leofaria12

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