O estilo Corinthians

Colunista fala sobre o "DNA" do clube paulista

O estilo Corinthians

Clubes são identificados por diversos fatores ao redor do mundo:sabemos diferenciar bem, por exemplo, o Real Madri do Barcelona, o Boca Juniors do River Plate, por aqui o Corinthians do Palmeiras, que é diferente do São Paulo e por aí vai...diversos elementos criam uma faceta para determinado clube: a história, o jeito de jogar, a maneira com que as maiores conquistas foram alcançadas...enfim, um pouco de cada ingrediente faz com que tenhamos o chamado DNA de um clube de futebol.

O Corinthians foi extremamente vitorioso após cair para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro em 2007 com uma cultura de jogo bem definida. A torcida aceitava e diretamente validava uma ideia que, de maneira geral, tinha um bloco de marcação médio, linhas bem compactas, marcação zonal muito bem definida, transições defensivas e ofensivas rápidas e poucas ações para chegar ao gol adversário. Os três técnicos expoentes desse modelo - Mano Manezes, Tite e Fábio Carille - ganharam tudo e mais um pouco. Quando a direção corintiana tentou mudar o rumo trazendo técnicos com outras ideias não funcionou. É claro que a tática é apenas uma das vertentes do jogo de futebol. E as próprias competências de Oswaldo Oliveira, Cristovão Borges e Osmar Loss estavam um patamar abaixo do que era exigido hoje para a função. Porém romper drasticamente com uma fórmula que comprovadamente foi vitoriosa é algo desafiador, além de perigoso, e exige muita habilidade de todos os envolvidos.

Eis, então, o desafio de Tiago Nunes, novo técnico do Corinthians. Ele foi contratado para ser o contraponto de um modelo que foi vitorioso. Até porque o final de Fábio Carille no clube já mostrou algo desgastado e previsível. Tiago deverá ser extremamente hábil para construir novos comportamentos de jogo,mas preservando o DNA corintiano. Tenho dúvidas, por exemplo, se uma equipe que toque demais a bola, com passes predominantemente para o lado e para trás, agradaria a torcida. Ou então uma equipe muito exposta e que não coloque pressão e intensidade nos movimentos defensivos...

O corintiano, como todo torcedor, quer ganhar. É claro que a conquista de um troféu age sempre como uma borracha para apagar as coisas ruins e como um pincel para colorir o que funcionou. Sem um modelo dá para ganhar uma vez. Já para ganhar sempre, para construir uma era vencedora, para deixar um legado é preciso fincar bases bem mais sólidas. Tiago Nunes terá que tirar vantagem do que está arraigado no clube e melhorar isso, criar variações, aumentar o repertório da equipe com e sem a bola. Se ele quiser mudar tudo de uma vez, alterar da água pro vinho, creio que não será algo nem muito inteligente e nem muito eficaz. A torcida tem que saber o padrão que será apresentado, o menino das categorias de base que vai subir tem que saber o perfil do time profissional...tudo isso, o Corinthians teve nos últimos anos. A palavra agora, então, deve ser aprimorar. E não mudar.

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Marcel Capretz

Marcel Capretz é radialista e jornalista formado pela Universidade Mackenzie e pós-graduado pela Fundação Cásper Líbero. Atualmente, é apresentador e diretor-geral do programa diário Futebol Esporte Show, veiculado no SBT para quase cem cidades do interior e litoral de São Paulo através da VTV e da TV Sorocaba e âncora esportivo da rádio 105 FM.

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