Medida de inteligência?

Como realmente funciona a mente humana?

Medida de inteligência?

Não se tem um consenso sobre a definição de inteligência hoje em dia, tendo em vista que sabemos minimamente sobre o funcionamento da mente, assim como em uma época remota da história da humanidade estávamos longe de descobrir o fogo e aprender a manipulá-lo. Hoje estamos à procura de descobrir como realmente funciona a mente humana – apesar de termos exaustivas pesquisas nessa área, sabemos muito pouco.

 Durante a leitura dos textos dos compêndios de psicologia, percebemos que a mudança na nomenclatura de expressões tradicionais como “testes de inteligência”, “quoeficiente de inteligência”, foram substituídas adequadamente por expressões que nos remete a melhores compreensões acerca da inteligência como “cognição” e “funções cognitivas”.

 Verificamos também que a mensuração da inteligência só será eficiente caso os testes sejam atualizados periodicamente e que também seja considerado o ambiente sociocultural do indivíduo. Ou seja, as medidas de inteligências devem ser transitórias no espaço-tempo. Uma pessoa seria bem avaliada psicologicamente caso realizasse um teste atualizado e dentro do contexto da vida cotidiana. Ainda, poderemos verificar diferentes resultados do teste de inteligência para um mesmo indivíduo em períodos diferentes. 

 Para ilustrar melhor a ideia da utilização dos testes de inteligência, podemos fazer uma analogia a uma experiência química em laboratório, onde as coisas vão acontecer dentro de parâmetros limitadores isolando muitas variáveis do ambiente para focar exclusivamente em um evento. Já no ambiente do cotidiano as variáveis são muitas, e acabam por interferir na própria experiência, ou em outras palavras, acabam por interferirem no desempenho e resultados. 

É importante considerar algumas variáveis de interferência no nível de inteligência de um indivíduo: a) genética, b) educação familiar, c) educação escolar, d) ambiente onde está no momento, e) pessoas próximas no momento, f) estímulos áudio - visual no momento, g) auto-estima aprendida elevada ou baixa, h) motivação para essa ou aquela tarefa. 

            Os testes de inteligência jamais devem ser tomados como absoluto, mas sim como parte de um todo. Assim podem garantir confiança e ajudam a tomar decisões, pois as margens de erros cometidos podem ser bem menores com o seu uso do que sem ele. Sua utilidade se verifica em maior número em corporações e escolas tomando como ferramenta auxiliar para seleção de candidatos, direcionamentos de funcionários a certos cargos de acordo com suas melhores aptidões e prevenir dificuldades de aprendizagem. No ambiente educacional clássico vemos uma grande injustiça ao longo de décadas na forma de que educadores estimulam o desenvolvimento dos alunos e alunas utilizando a memória como depósito de informações – a educação bancária – segundo Paulo Freire. Na verdade, no mundo atual, a sociedade precisa de educadores que estimulem os alunos e alunas a utilizarem a memória como suporte para a arte de pensar e refletir – requisito fundamental para a formação de pensadores e não de repetidores de informação. “Excesso de Informação sem a devida compreensão mental gera ansiedade” Cury (2012).

 Em relação ao Fator Geral (fator G) de inteligência, existe uma grande discussão sobre sua eficiência devido ao formato do teste que “dificulta a avaliação de capacidades criativas de produção de novas ideias e associações diante de um estímulo comum, uma vez que as alternativas possíveis já são fornecidas e se requer do sujeito que selecione uma delas, a resposta correta, e não a produção de possíveis respostas” (Almeida & Primi)

  Apesar da sua grande utilidade no mundo corporativo e escolar, há controvérsias em torno dos testes principalmente pelas “incidências de utilização massiva, pois o uso desenfreado dos testes e a tomada dos seus resultados como absoluto, suscitaram receios e reserva pública” segundo Almeida e Primi. Em alguns estados americanos, por exemplo, os testes de inteligência foram pura e simplesmente abolidos, ou limitados judicialmente. Os grupos sociais mais desfavorecidos apresentavam resultados mais fracos, e por causa desse desempenho inferior, apareciam com maior frequência segregados em termos de ensino e de emprego. Porém, em “um teste de vocabulário assente nos conhecimentos culturais dos guetos negros; as crianças negras obtêm melhores desempenhos que as crianças brancas” (Matarazzo e Wiens, 1977)

 Por fim, convencer alguém sobre a eficiência de um teste de inteligência quando ainda não temos se quer uma definição precisa do que é inteligência, não é tarefa fácil. Podemos tomar a utilização de testes como “ medidas possíveis da inteligência, mas nunca  como as medidas da inteligência”.  

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Jean Carlos Vaz

Jean Carlos Vaz é Administrador de Empresas, Consultor Empresarial em Gestão e Estratégias de Negócios, Psicólogo Clínico e Organizacional e Professor de Administração de Empresas na Etec de São Roque. Contato: jeancvaz.consultores@gmail.com

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