Duas vezes Flamengo, sempre Flamengo

Flamengo conquista Libertadores de maneira épica, conquista o Brasileiro e faz história

Duas vezes Flamengo, sempre Flamengo

Já disse mais de uma vez nessa coluna que a bola costuma recompensar quem a trata bem, mas nesse último final de semana essa máxima foi levada ao extremo, de maneira épica. No sábado, o Flamengo venceu o River Plate e voltou a conquistar a Libertadores após 38 anos. No domingo, com a vitória do Grêmio contra o Palmeiras, a equipe da Gávea sagrou-se campeã do Campeonato Brasileiro sem sequer entrar em campo. Poucas vezes na história futebolística do Brasil aconteceu algo parecido. E foi merecido.

No sábado, o Flamengo esteve longe de jogar sua melhor partida do ano. Dentro da proposta de cada equipe, o River foi melhor que a equipe rubro-negro. Extremamente compacto, intenso e letal no contra-ataque, a equipe argentina abriu o placar no primeiro tempo e durante quase todo o jogo não foi envolvido pelo estilo de jogo ofensivo de Flamengo e são nesses momentos difíceis que a estrela tem que brilhar e que a bola premia quem a trata com carinho. E foi aos 44 do segundo tempo, quando Bruno Henrique faz uma jogada genial e dá um passe magistral para Arrascaeta ajeitar para Gabigol, que só empurrou para o gol, empatando o jogo no último minuto do tempo regulamentar. Todos já se preparavam para a prorrogação quando Gabigol, no segundo minuto do acréscimo, leva a melhor, numa falha de Pinola, que até então era um dos melhores em campo, e finaliza impiedosamente, levando abaixo, não só o Estadio Monumental de Lima, mas sim toda uma nação de 32 milhões de torcedores que desde 1981 não viam o time conquistar a América. Pode não ter vencido o melhor time da final, mas sem dúvida alguma venceu o melhor time do campeonato.

No domingo, nas ruas do Rio de Janeiro, viu-se o verdadeiro motivo do futebol ser o esporte mais emocionante do planeta. As ruas foram tomadas por milhares de torcedores que, quase que literalmente, carregaram os jogadores campeões, numa festa maravilhosa que foi comandada por quem, de fato, torna o Flamengo gigante: o povo. O rubro-negro é um dos poucos times no Brasil que tem a capacidade de mobilizar torcedores em todos os cantos do país, e a festa nas ruas, que diferente dos estádios modernos, não foi nem um pouco elitizada, foi maravilhosa e manchete em jornais do mundo inteiro.

É importante ressaltar o trabalho magistral de Jorge Jesus. O treinador português chegou após a Copa América e fez o time do Flamengo mudar da água para o vinho. O time quando era comandado por Abel Braga era apático, pouco agressivo e ainda cometia o absurdo de colocar Arrascaeta no banco. Com a chegada do Mister, a equipe alvinegra passou a jogar um futebol esplendoroso, jogadores como Gérson e Arão jogaram como nunca haviam jogado e passou a encantar a todos. Ficou notório, nesses últimos tempos, a dor de cotovelo que os treinadores jurássicos do Brasil têm em relação ao Jesus. Grande parte desse ciúme reside no fato de que há muito tempo não se via um time jogar de tal maneira no país e o fato de ter que vir um treinador de Portugal para trazer essa inovação só torna mais vexatório os trabalhos recentes dos treinadores brasileiros mais antigos.

Foi, sem dúvida alguma, um final de semana histórico para o futebol brasileiro e que tende a mudar a monotonia que perdurava no Brasil. Agora não basta apenas jogar pelo 1 a 0 e se retrancar, tem de jogar e encantar. Foi uma vitória não só do Flamengo, mas de todo o futebol brasileiro. Desde o Santos de Pelé um time não vencia o Brasileiro e a Libertadores na mesma temporada. É um privilégio ver esse time jogar e estamos vendo a história sendo escrita, vamos ver até onde esse Flamengo vai. E repito: a bola recompensa quem a trata com carinho.

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Leonardo Casemiro de Oliveira Faria

Leonardo é formado em Gestão pública pela Uninove e atualmente cursa Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Sigam-me no instagram: @leofaria12

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