O renascimento da Itália

Seleção Italiana volta a figurar entre as maiores do mundo

O renascimento da Itália

Recentemente, a Seleção Italiana lançou um novo terceiro uniforme inspirado em um período histórico que ficou conhecido como Renascimento. O Renascimento foi um período onde a razão e a ciência passou a nortear as produções artísticas e filosóficas da época, mudando o cenário político e econômico de toda a Europa. Essa inspiração para o terceiro uniforme nunca fez tanto sentido, principalmente levando em conta o atual momento da Seleção Italiana que depois de anos de “trevas”, volta a viver momentos de euforia.

Foram anos muito difíceis para o torcedor italiano, visto que após o título da Copa do Mundo de 2006, a Azzurra acumulou vexames: foi eliminada na fase de grupos das Copas de 2010, 2014 e sequer classificou-se para a Copa de 2018. Apesar da mudança de treinadores, a metodologia foi quase que a mesma em todos esses anos: esquemas extremamente defensivos e a insistência em jogadores veteranos. Os resultados vexatórios e a aposentadoria de jogadores símbolos do futebol italiano como: Pirlo, Totti, Marchisio, Barzagli e outros , obrigaram a Seleção Italiana a mudar a sua estratégia e basear sua nova filosofia em dois pilares: a opção por um esquema mais ofensivo e a aposta em jogadores mais jovens.

Para essa nova fase da Azzurra, Roberto Mancini foi o treinador escolhido. Mancini foi o primeiro treinador bem sucedido dessa fase rica do Manchester City e na temporada 2011/12 colocou fim aos 35 anos de jejum do City, vencendo a Premier League. No comando da Seleção Italiana, Mancini está sendo implacável: deu à equipe um DNA ofensivo e vêm de incríveis 11 vitórias consecutivas, sequência que nunca havia ocorrido na história da Itália. Nas eliminatórias da Eurocopa de 2020, a Azzurra foi impecável: venceu os dez jogos que disputou, o último por incríveis 9 a 1 contra a Armênia e em toda a competição fez 37 gols e tomou apenas 4. Fica claro que diferente de outros anos, a Itália de Mancini põe de lado todo o legado defensivo desses últimos anos e aposta na ofensividade para colocar-se de volta ao topo do futebol mundial.

Um outro fator fundamental nessa “nova Itália” é a aposta em novos talentos que  vêm dando resultados excelentes. No gol, Gianluigi Donnarumma é absoluto como titular e apesar de ter apenas 20 anos de idade, joga como se fosse um veterano, visto que é titular do Milan desde seus 16 anos. A defesa é uma mescla entre jogadores experientes como Chiellini, que apesar de lesionado tem cadeira cativa nesse time, e Bonucci e jogadores mais jovens como Gianluca Mancini e Romagnoli. O meio de campo é setor que sofreu a maior renovação, diversos jogadores jovens e talentosos vêm tomando conta do setor:  como o brasileiro naturalizado Jorginho, Sandro Tonali que lembra muito o estilo de jogo de Andrea Pirlo, além da dupla da Inter de Milão formada por Barella e Sensi e para fechar a Azzura ainda conta conta com Zaniolo que é candidatíssimo a craque devido às suas belíssimas atuações pela Roma e pela Seleção. No ataque, a Seleção Italiana conta com o polivalente Insigne e dois centroavantes de muita qualidade que são Immobile e Belotti, ambos com muitos recursos de finalização. A juventude no ataque fica a cargo de Federico Chiesa, uma das grandes revelações do futebol italiano atuando pela Fiorentina. Esse conjunto de bons jogadores são fundamentais nessa renovação na Azzurra.

Por todos esses fatores, a Itália volta a figurar entre as grandes seleções do mundo. A gigante tetracampeã do mundo deixa de ter um compromisso com o atraso. O fato de abrir mão do DNA defensivo, que é uma característica histórica da Seleção Italiana, e ver os bons resultados chegando, mostra que os times e seleções que ainda insistem em métodos e estratégias ultrapassadas tem pouquíssima chance de se conquistar títulos e de fazer sucessos. A Itália é um grande exemplo de como se reinventar e pode servir como inspiração para diversos times que ainda tem compromisso com o passado e consequentemente compromisso com a derrota.

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Leonardo Casemiro de Oliveira Faria

Leonardo é formado em Gestão pública pela Uninove e atualmente cursa Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Sigam-me no instagram: @leofaria12

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