Chegou a hora de um técnico estrangeiro assumir a Seleção Brasileira?

Diante do desempenho pífio da Seleção, a polêmica de um estrangeiro como seu treinador sempre vem à tona

Chegou a hora de um técnico estrangeiro assumir a Seleção Brasileira?

 Desde a Copa do Mundo de 2018, Tite deixou de ser uma unanimidade no comando técnico da Seleção Brasileira, e o recente título da Copa América pouco atenuou a desconfiança dos torcedores para com o treinador gaúcho. Os desempenhos pífios da Seleção frente à seleções de nível duvidoso, como são Senegal e Nigéria, além da convocação de jogadores que atuam no futebol brasileiro e que foram desfalques importantes em momentos decisivos do campeonato, fizeram com a popularidade do treinador canarinho começasse a despencar. Com essa queda de popularidade, começa-se a questionar se Tite é, de fato o treinador certo para comandar o Brasil na próxima copa. Diante desse questionamento e de diversas especulações, surge a sempre polêmica questão: chegou a hora de um técnico estrangeiro assumir a Seleção Brasileira?

Surfando nessa onda, trago três nomes que cairiam muito bem no comando técnico da Seleção e que sairiam dessa mesmice que o Brasil vive há anos.

JORGE JESUS

“Mister” Jorge chegou no Flamengo há pouco mais de três meses e já é a sensação do futebol brasileiro nesse ano. O português, juntamente com Sampaoli, é responsável por uma discussão quem vem aflorando, no Brasil, nesse ano, que é a relação entre desempenho e resultado e é muito importante para discutir o nível técnico do futebol praticado no Brasil. Jesus é um típico treinador europeu e quebra alguns paradigmas que há muito tempo perduram no Brasil, são eles: poupar jogadores, recuar o time após abrir o placar, jogar recuado fora de casa, entre outros. Esses paradigmas que há muito tempo já foram superados na Europa, quando são superados, no Brasil, ainda surpreendem muitos e essa superação é um dos motivos do Flamengo estar sobrando, atualmente, no futebol Brasileiro. Já acostumado com o futebol brasileiro e europeu, e ainda caindo nas graças da torcida, Jorge Jesus seria uma ótima opção para a Seleção, visto que já conhece grande parte dos jogadores e que, por ser português, não teria o problema do idioma. Jesus pratica um futebol extremamente ofensivo, que sempre foi o DNA da Seleção Brasileira e seu estilo de jogo encaixa perfeitamente com o que o torcedor espera ao ver a Seleção jogar. O treinador do Flamengo foi questionado recentemente sobre uma possível chance na Seleção e desconversou, dizendo que seu foco agora é a equipe carioca mas uma proposta certamente o faria balançar.

JOSÉ MOURINHO

José Mourinho dispensa apresentações. Explosivo, irreverente e acima de tudo campeão. O treinador português já foi campeão da Champions League, Europa League, Premier League, Campeonato Espanhol, Campeonato Italiano e vários outros torneios. Mourinho é sem dúvidas um dos maiores nomes do futebol mundial e está sem trabalhar desde sua saída do Manchester United. Mourinho diversas vezes recusou a Seleção Portuguesa mas era um momento diferente do atual: ele vivia o auge da carreira e a Seleção Portuguesa vivia uma péssima fase. Atualmente, “The Special One”, como é conhecido na Inglaterra, não tem o peso que tinha antes e uma Seleção Brasileira é muito mais atrativa e possui uma camisa muito mais pesada que a da Seleção de Portugal. Recentemente, José comentou alguns jogos de equipes brasileiras na Copa Sul-Americana e elogiou diversos times e jogadores brasileiros. Mourinho causaria um impacto enorme na imprensa mundial já com sua chegada e devido à sua importância no futebol, não haveria nenhum jogador maior que o treinador, na Seleção, fato que atualmente é muito questionado pelos torcedores. Mourinho, diferente de seu compatriota Jorge Jesus, não é um treinador ofensivo. Suas equipes geralmente jogam mais compactadas, com as duas linhas mais próximas e sempre com dois extremos polivalentes, o que torna suas equipes extremamente verticais e pragmáticas, não é muito bonito de se ver mas traz resultado. O ponto de Mourinho seria mais pelo impacto de seu nome na Seleção do que na mudança de jogo, propriamente dito.

ARSÈNE WENGER

O francês Arsène Wenger é, sem dúvidas, o maior treinador da história do Arsenal. Comandou a equipe londrina por 22 anos e era dele o lendário esquadrão da temporada 2003/04, que foi campeão inglês de maneira invicta, jogando um futebol vistoso e que de 38 jogos, venceu 26 partidas e empatou as outras 12. Após 22 anos no Arsenal e um ano sabático, Arsène está pronto para um novo desafio e assumir a Seleção Brasileira seria um casamento perfeito, visto que já se declarou fã do futebol brasileiro e em toda sua carreira sempre teve ótima relação com jogadores brasileiros. Recentemente, o treinador francês disse que gostaria de treinar uma seleção na próxima Copa do Mundo e seu amor pelo futebol brasileiro, juntamente com seu estilo de jogo ofensivo e sua habilidade para trabalhar com jovens talentos, ocasionariam no casamento perfeito entre Wenger e Seleção Brasileira.

O futebol brasileiro vive numa arrogância e soberba que, no momento é injustificável. Muitas pessoas, principalmente os mais saudosistas, acham absurda a ideia de um treinador estrangeiro assumir a Seleção Brasileira. Entretanto, os resultados recentes da Seleção, e o trabalho pífio que 95% dos treinadores brasileiros vêm apresentando não trazem muitas expectativas que um brasileiro possa ressuscitar a temida Seleção Brasileira de décadas passadas. É preciso que se supere essa xenofobia velada existente no futebol brasileiro, onde várias pessoas claramente torcem contra Jorge Jesus e Jorge Sampaoli pelo simples fato de serem estrangeiros. Grande parte da imprensa e, principalmente, treinadores ultrapassados que não tem mais sucesso algum, claramente torcem contra e dão declarações confirmando esse fato. Não há nenhum treinador brasileiro comandando algum grande europeu e esse é um indicativo muito relevante sobre o nível dos nossos técnicos, a Seleção é só um reflexo disso tudo e se algo não for feito, o tão sonhado hexa demorará para vir.

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Leonardo Casemiro de Oliveira Faria

Leonardo é formado em Gestão pública pela Uninove e atualmente cursa Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Sigam-me no instagram: @leofaria12

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