A hora e a vez de Fernando Diniz

Todo mundo tem a sua hora, todo mundo tem a sua vez

A hora e a vez de Fernando Diniz

As últimas semanas tem sido no mínimo inusitadas ao time do São Paulo. A equipe sofreu uma derrota em casa para o Goiás e no dia seguinte viu, seu então treinador, Cuca, pedir demissão. Infelizmente para a torcida do São Paulo, esse fato já se tornou corriqueiro, Cuca foi o 12º treinador da era Leco em cerca de 4 anos de gestão. No dia seguinte à derrota para o Goiás, a equipe tricolor anunciou Fernando Diniz, que teve apenas um dia para enfrentar o embalado Flamengo. Contra todas as expectativas, o São Paulo conseguiu um empate com sabor de vitória no Maracanã e Diniz teve sua primeira semana de treinamento. Após essa semana de treinamento, o São Paulo enfrentou o Fortaleza, no reencontro com seu maior ídolo, Rogerio Ceni, treinador da equipe cearense, e nessa partida, em que a equipe são-paulina se saiu vitoriosa, já se notou leves marcas do trabalho de Diniz. É um recomeço para o São Paulo e, principalmente, para Fernando Diniz, que assim como Nhô Augusto, em Arrial do Rala-Coco, no conto A hora e a vez de Augusto Matraga, presente no livro Sagarana, de Guimarães Rosa, tem a sua hora e a sua vez.

Fernando Diniz ganhou notoriedade, no futebol nacional, após um vice-campeonato paulista, em 2016, com o Audax. Além do improvável resultado com uma equipe modesta, o que mais impressionou nesse time do Audax foi o estilo de jogo implementado por Diniz. A equipe valorizava ao máximo a posse de bola e do goleiro ao centroavante, dificilmente se via um chutão ou uma tentativa de ligação direta, todas as jogadas eram extremamente bem trabalhadas e com muito toque de bola. Esse estilo de jogo chamou muito a atenção já que é incomum, no Brasil, ver equipes com essa filosofia, visto que 90% dos times se importam primeiro em defender-se o máximo possível para não levar gols e só depois vão se preocupar em criar oportunidades de marcar, um retrato do marasmo futebolístico no Brasil. Além do vice-campeonato, o Audax ainda revelou jogadores que depois foram jogar em diversos times da Série A do brasileiro: Tchê Tchê, Camacho, Yuri e Bruno Guimarães são só alguns deles.

Apesar do bom trabalho frente ao Audax, Diniz nunca foi unanimidade entre torcedores e principalmente entre a imprensa, onde vários não são adeptos do seu estilo de jogo e preferem esquemas mais conservadores, e os questionamentos à esse esquema só aumentaram após seu trabalho no Athletico Paranaense e posteriormente no Fluminense. Apesar de em determinados momentos ambas as equipes terem apresentado um bom futebol, uma maré de maus resultados acabaram derrubando Fernando Diniz. Entretanto é importante ressaltar que em ambas equipes foi deixado um legado pós-Diniz. Sob o comando de Tiago Nunes, o Athletico foi campeão da Sul-Americana e campeão da Copa do Brasil, e em ambos títulos é nítido a influência de Diniz no modo de jogar do Athletico, que trabalha a bola de maneira magistral. Na época jogador, e atualmente dirigente da equipe paranaense, o ex-zagueiro Paulo André, quando treinado por Diniz disse que esqueceu tudo que sabia sobre futebol, até então, e recomeçou do zero, Tiago Nunes,

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logo após assumir o comando do Athletico, destacou a importância do trabalho de Fernando Diniz e disse que de maneira nenhuma descartaria o trabalho feito por antigo técnico. Nesse último domingo, após o Fluminense vencer o clássico contra o Botafogo, ao ser questionado sobre a sequência de vitórias do Flu após demitir o então treinador Oswaldo de Oliveira, Ganso ressaltou que essa sequência é resultado de um trabalho de oito meses, fazendo referência ao trabalho de Diniz, que foi eleito o melhor treinador do Campeonato Carioca comandando o Fluminense no início do ano.

É evidente que há alguns excessos na filosofia de jogo de Fernando Diniz, que as vezes acabam expondo muito a equipe e resultam em derrotas, além disso, há uma demora para que a equipe assimile as ideias de jogo de um esquema mais ousado como é o dele. Esses dois aspectos são extremamente complicados quando se trata de São Paulo, visto que é uma equipe que há muito tempo não ganha títulos e necessita de resultados rápidos, mas a diretoria do São Paulo não pode mais errar. Diniz foi uma escolha dos líderes do elenco e que foi respaldada pela diretoria, sendo assim, essa escolha tem de ser abraçada e levada até o fim. Independentemente do resultado no final do ano, Fernando Diniz tem de iniciar o ano de 2020 como treinador do São Paulo.

Ele é um oásis no meio de tanta mesmice no futebol brasileiro, joga um futebol bonito e que revive o DNA do São Paulo bicampeão do mundo de Telê Santana, e no final de tudo, depois de muito trabalho, a bola costuma premiar quem a trata bem. É o momento para Fernando Diniz mostrar que não é só mais um “Professor Pardal” e sim um treinador com estilo próprio e que tem tudo para vencer, principalmente com um elenco como é o do São Paulo, recheado de jogadores excepcionais como Daniel Alves, Hernanes, Juanfran e alguns que ele até mesmo já trabalhou como é o caso de Pablo e Tchê Tchê. O sucesso de Diniz no São Paulo não seria bom apenas para a torcida tricolor mas sim para todo o futebol brasileiro que agora, com treinadores estrangeiros como é o caso de Sampaoli e Jorge Jesus, volta a se preocupar com desempenho e não apenas com resultado.

Todo mundo tem a sua hora, todo mundo tem a sua vez e chegou a de Fernando Diniz.

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Leonardo Casemiro de Oliveira Faria

Leonardo é formado em Gestão pública pela Uninove e atualmente cursa Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Sigam-me no instagram: @leofaria12

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