A tragédia anunciada

O Palmeiras é eliminado da Libertadores jogando como sempre jogou.

A tragédia anunciada

No início de fevereiro, em meu primeiro texto nessa coluna, destaquei o clássico entre Palmeiras e Corinthians, no Campeonato Paulista, onde o time alvinegro saiu vencedor. Nesse texto, chamei a atenção para a dificuldade que o Palmeiras teve de sair para o jogo e criar oportunidades de gol. Naquela partida, o Palmeiras teve 63% da posse de bola, 28 finalizações e apenas uma certa. Chamei a atenção para a falsa ilusão que o título do Campeonato Brasileiro de 2018 causava e que o futebol do Palmeiras funcionava para consumo interno, mas que era pobre para aspirações internacionais. E foi o que aconteceu.

No primeiro jogo, em Porto Alegre, o time comandado por Felipão conseguiu vencer o Grêmio, no Sul, pelo placar de 1 a 0 e trazer uma excelente vantagem para o jogo de volta. O Palmeiras começou errado esse jogo de volta quando teve que jogar no Pacaembu e não no Allianz Parque, sua casa. Entendo a importância do estádio ter sua função cultural e ainda mais a ajuda financeira que a realização de shows, no estádio, dá aos clubes, entretanto, é inadmissível que o Palmeiras jogue fora de seu estádio a partida mais importante do ano até então. Em campo, a equipe alviverde até começou bem o jogo, marcou logo no início, com o recém contratado Luiz Adriano, e tudo parecia se encaminhar para uma classificação tranquila mas faltou combinar com o Grêmio. A equipe de Renato Portaluppi, que diga-se de passagem joga o melhor futebol do Brasil desde 2017, em 4 minutos virou o jogo e nocauteou o time do Palmeiras. No talento do melhor jogador em atividade, no Brasil, Éverton Cebolinha, o Grêmio fez dois gols e obrigou a equipe palmeirense a sair pro jogo e buscar o gol. Ai os mesmos problemas do Derby de fevereiro voltaram mas com uma diferença fundamental: no jogo contra o Corinthians, a equipe de Fabio Carille pouco ameaçou o Palmeiras após o gol pois é uma equipe que tem extrema dificuldade de criar oportunidades de gol, já o Grêmio, mesmo tendo que se defender, nunca abre mão de atacar, prova disso é que no segundo tempo, Renato coloca Pepê e Diego Tardelli, dois atacantes. O Palmeiras, que precisava do gol para se classificar, não deu uma finalização certa no segundo tempo. Como é de praxe no time do Felipão, abusou-se de bolas alçadas à área e a ligações diretas. A equipe não apresentava qualidade para trabalhar bem a bola e executar uma boa jogada e chegava a ser vexatório um time com o orçamento do Palmeiras ter como principal jogada o lateral na área do Marcos Rocha. E assim terminou de maneira melancólica a Libertadores para o Palmeiras e de maneira heroica e merecida, o Grêmio segue para a semifinal em busca do tetracampeonato.

Essa foi a terceira eliminação do Palmeiras, no ano, em mata-mata: soma-se a essa, as eliminações para o São Paulo no Campeonato Paulista e para o Internacional na Copa do Brasil. Uma outra característica comum em todas essas eliminações, além do futebol arcaico, é a soberba. Desde 2015, quando começou a ser patrocinado pela Crefisa e ter um orçamento gigantesco, a soberba passou a ser comum pelos arredores do Allianz Parque. O desprezo por algumas competições e a falta de respeito com os outros times era visível. Declarações como a do presidente Maurício Galiotte chamando o Campeonato Paulista de “paulistinha” e a patrocinadora lançando uma campanha com a hashtag “Verde é a cor da inveja” são exemplos da soberba que há dentro do clube e que chega até a ser esquizofrênica, visto que ninguém tem inveja de ser eliminado em casa, na Libertadores, pelo terceiro ano consecutivo. Dinheiro não compra títulos, nem respeito, e infelizmente a torcida palmeirense está descobrindo isso da pior maneira possível. É necessário que se repense o futebol, mas também é de extrema importância que se mude a mentalidade do clube, senão a Libertadores e o tão sonhado mundial dificilmente virão nesses anos de bonança.

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Leonardo Casemiro de Oliveira Faria

Leonardo é formado em Gestão pública pela Uninove e atualmente cursa Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul

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