O que representa Pia Sundhage na Seleção Feminina de Futebol

Após Copa do Mundo ruim, CBF aposta na treinadora sueca para renovar a Seleção

  O que representa Pia Sundhage na Seleção Feminina de Futebol

 No último dia 25 de julho, a CBF anunciou que a sueca Pia Sundhage é a nova treinadora da Seleção Feminina de Futebol. Esse anúncio é mais importante do que parece, principalmente quando se leva em conta o passado recente da Seleção. Há uns meses antes da Copa do Mundo, ocorrida em julho, comentei, nessa mesma coluna, sobre como o planejamento para a Copa estava sendo feito de maneira equivocada. A CBF demitiu a treinadora Emily Lima, que vinha fazendo um bom trabalho, trouxe de volta para o comando técnico o Vadão, um desses dinossauros do futebol brasileiro e com isso a Seleção enfileirou nove derrotas consecutivas antes da Copa. Como não podia ser diferente, o Brasil teve um desempenho ruim e foi eliminado nas oitavas de final, ressaltando que a Seleção ficou em 3º lugar no grupo, passou para o mata-mata num critério de desempate. Esse desempenho resultou na necessária demissão de Vadão.

 O Brasil vive um momento deliciado pois os três pilares da Seleção há mais de 10 anos, Marta, Formiga e Cristiane, já estão na curva descendente da carreira e há uma grande possibilidade de não completarem esse ciclo de Copa do Mundo. Assim sendo, é preciso que novos talentos surjam e ocupem a lacuna que essas excepcionais jogadoras deixarão, pois como a própria Marta disse, na saída de campo após a eliminação para a França, não vai existir uma Marta, uma Cristiane e uma Formiga para sempre.

  Diante desse cenário de mal futebol e necessidade de renovação, a CBF escolheu Pia Sundhage como a nova treinadora da Seleção Brasileira. A treinadora sueca é uma das referências no cenário mundial de futebol feminino. Pode-se dizer que foi ela a precursora desse ciclo vitorioso da Seleção Norte-Americana que perdura até hoje, vide a última copa. Sob o comando dos EUA, Sundhage conquistou duas medalhas de ouro olímpicas, em 2008 e 2012, e ainda foi vice na Copa do Mundo de 2011. Após a conquista do ouro olímpico em 2012, Pia Sundhage deixa o comando dos EUA e assume a seleção de seu país natal, a Suécia. Sob o comando da Seleção Sueca, ela ganhou pela primeira vez uma medalha olímpica para seu país, na modalidade, ficando com a medalha de prata. Mas mais importante que resultados, foi o legado deixado por ela na Seleção Sueca, tanto que mesmo após ela deixar a seleção principal, em 2017, a Suécia foi 3º lugar na Copa desse ano, realizada na França.

A escolha de Pia Sundhage é um grande acerto da CBF. Ninguém melhor para comandar esse próximo ciclo de Copa do que uma treinadora vitoriosa e competente, vide que nas últimas três finais olímpicas, ela estava presente em todas. Fazendo um paralelo com o futebol masculino, a contratação de Sundhage é similar à uma possível contratação de José Mourinho para a Seleção masculina. Inclusive, esse é um grande paradigma que a Seleção Feminina quebra. Na Seleção masculina, nunca houve um treinador estrangeiro efetivado no cargo e quando ventila-se o nome de algum, surgem ufanistas de todos os lados dizendo que é um absurdo um treinador estrangeiro comandar a seleção brasileira. Uma ignorância tremenda, principalmente quando se leva em conta a qualidade dos técnicos brasileiros.

Depois de vários anos fazendo tudo errado em relação ao futebol feminino, a CBF parece que começou a acertar. A contratação de Pia Sundhage representa uma mudança, sobretudo na mentalidade da CBF de encarar o futebol feminino, digo isso não só pela contratação da treinadora, mas também pelo calendário que começa a se organizar. O Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, em 2019, voltará a ser transmitido na TV aberta e vários times grandes do futebol brasileiro como São Paulo, Grêmio, Palmeiras e Cruzeiro estão dando mais importância para seus times femininos. Diante disso, a semente foi plantada, basta agora cultivar para que o futebol brasileiro feminino dê bons frutos.

Foto

Leonardo Casemiro de Oliveira Faria

Leonardo é formado em Gestão pública pela Uninove e atualmente cursa Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Sigam-me no instagram: @leofaria12

ver mais

mais de Leonardo Casemiro de Oliveira Faria

Comentários:

1