A debacle da seleção feminina

Quais os motivos que fazem uma seleção tão talentosa jogar tão mal?

A debacle da seleção feminina

No último 8 de abril, a seleção brasileira de futebol feminino perdeu para a Escócia, seleção que recém estreou na modalidade, pelo placar de 1 a 0 e escancarou uma crise gigantesca na equipe. O time comandado pelo técnico Vadão amarga a terrível sequência de nove derrotas consecutivas e faltando apenas dois meses para a Copa do Mundo vê sua perspectiva de título ir por água abaixo. A pergunta que fica é: como uma seleção com uma geração tão talentosa consegue ter um desempenho tão ridículo?

Com as Olimpíadas de Atenas, em 2004, onde o Brasil conquistou a medalha de prata, apresentando um futebol excelente e lançando uma geração talentosíssima com jogadoras como Marta, Formiga e Cristiane, o futebol feminino começou a ganhar uma pequena notoriedade, no Brasil, nada comparada à modalidade masculina, mas ainda sim ganhou um certo destaque que rendeu uma euforia em relação a seleção. Entretanto, quinze anos depois, essas mesmas jogadoras continuam sendo as estrelas da seleção. Não houve uma transição satisfatória entre as gerações. Entendo o peso dessas jogadoras, Marta é considerada por muitos como a melhor de todos os tempos, Formiga é recordista em número de jogos com a camisa da Seleção, ganhando até mesmo de Cafu e Cristiane é maior artilheira de todos os tempos das Olimpíadas. Entretanto, o Brasil possui uma nova geração de jogadoras de muita qualidade. Nomes como Andressa Alves, Geyse e Letícia Santos representam uma nova leva de jogadoras que apesar de serem excelentes, têm o peso de serem cobradas para jogar tão bem quanto jogadoras já consagradas, o que acaba interferindo negativamente em seus desempenhos.

O atual treinador da Seleção, Vadão, é velho conhecido no futebol nacional. Ficou famoso quando comandou o famigerado “Carrossel Caipira”, essa alcunha foi dada à equipe do Mogi Mirim quando, em 1992, a equipe apresentou um futebol extremamente ofensivo e que encantou todo o país. O treinador ainda comandou times como o Corinthians, Guarani e o São Paulo, nesse último, ficou conhecido por ter revelado o Kaká. Está em sua segunda passagem pela seleção feminina. Na Copa do Mundo de 2015, quando treinou a seleção pela primeira vez, o Brasil teve uma campanha duvidosa, sendo eliminado pela seleção da Austrália, nas oitavas de final. Nas Olimpíadas, realizada em 2016, no Brasil, a seleção sequer subiu ao pódio, ficando em quarto lugar. Inexplicavelmente, após uma passagem questionável, ele retorna ao cargo, substituindo Emily Lima que foi demitida sem sequer completar um ano no cargo. Vadão é um técnico que, no momento, está ultrapassado e não inova no comando da seleção. Apesar de nove derrotas consecutivas, ele tem certa estabilidade no cargo coisa que Emily não teve. Nesse turbilhão, uma questão é levantada: porque o treinador da seleção tem essa estabilidade e a atual treinadora do Santos não teve? Cabe à CBF responder.

No futebol masculino, há um hiato gigantesco entre a seleção brasileira e a seleção norte-americana, a canarinha tem uma superioridade brutal. Entretanto, quando nos referimos à modalidade feminina esse protagonismo inverte-se. A seleção norte-americana possui um projeto fantástico no futebol feminino. Sob o comando da treinadora Jill Ellis, os Estados Unidos são o atual campeão da Copa do Mundo de futebol feminino. A equipe tem jogadoras fantásticas como Rapinoe, Alex Morgan além da fantástica Carli Lloyd, que foi a melhor jogadora da última Copa. O Brasil precisa seguir o exemplo dos norte-americanos e dar chances a pessoas novas. Não faz sentido algum demitir Emily Lima que não tinha sequer um ano de trabalho para readmitir o ultrapassado Vadão. As fantásticas jogadoras e treinadoras brasileiras, além de ter de enfrentar o desprezo, a falta de investimento e o machismo, agora tem de enfrentar também o amadorismo dos dirigente da CBF. Triste. 

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Leonardo Casemiro de Oliveira Faria

Leonardo é formado em Gestão pública pela Uninove e atualmente cursa Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul

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