O que acontece com o São Paulo?

Fica evidente que o principal problema do São Paulo não é o treinador

O que acontece com o São Paulo?

Descrição

No último dia 13/2, o São Paulo passou por um dos maiores vexames de sua história: foi eliminado na Pré-Libertadores pelo modesto Talleres. Essa eliminação culminou na demissão do treinador André Jardine e em diversos protestos por parte da torcida. Mas será que o treinador é o principal culpado desse insucesso?

Jardine foi o 17º treinador, em dez anos, no São Paulo. Essa dança das cadeiras no comando técnico do time indica a total instabilidade para se comandar a equipe, fora a completa indefinição de uma identidade na forma de jogar. A título de comparação, o principal rival, o Corinthians, teve oito técnicos diferentes nos últimos dez anos e empilhou títulos. Fica evidente que o principal problema do São Paulo não é o treinador e sim quem comanda o clube. Diferente da constante troca de técnicos, a presidência do São Paulo é ocupada de maneira extremamente constante: o mesmo grupo político tem o poder desde 2002, quando Marcelo Portugal Gouvêa se torna presidente do clube. É importante ressaltar que essa direção teve um início fantástico, ganhando um Campeonato Paulista, uma Libertadores, um Mundial e três Brasileiros; entretanto, nos últimos onze anos, o clube conquistou apenas uma Copa Sul-Americana.

A verdade é que após esse período vitorioso, a diretoria do São Paulo foi tomada por uma arrogância que reflete numa falta de autocrítica e que a cega, insistindo em decisões erradas. Não há time no mundo que seja vitorioso tendo dezessete treinadores em 10 anos. Se destrincharmos esses treinadores fica claro a falta de uma busca por padrão de jogo. O São Paulo teve, nesse período, treinadores como Osório e Dorival Jr que valorizam a posse de bola e fazem seus times proporem o jogo. Nesse mesmo período teve nomes como Bauza e Aguirre que preferem times reativos e que joguem buscando o contra-ataque. Esse mescla de estilo de treinadores expõem a incompetência da diretoria em buscar um padrão de jogo, o que implica na necessidade de todo treinador começar do zero o seu trabalho.

PUBLICIDADEJORNAL DA ECONOMIA JE

A atual gestão, presidida por Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, talvez seja a pior em toda história do São Paulo. Nela o clube passou por diversos vexames como a eliminação da Copa do Brasil pelo Juventude, eliminação da Copa Sul-Americana pelo Defensa y Justicia e posteriormente pelo Colón, a briga contra o rebaixamento em 2017 e a já citada eliminação contra o Talleres. Além disso essa diretoria toma decisões inexplicáveis e equivocadas como o desmanche do time em 2015 e em 2017, além da bizarra demissão de Diego Aguirre faltando cinco rodadas para o término do Brasileiro de 2018. Uma outra atitude deplorável do Leco é a tentativa de se esconder atrás de ídolos. Em sua gestão ele trouxe Rogerio Ceni, Raí, Lugano, Ricardo Rocha e Hernanes. Durante as crises, ele tenta sair de cena e deixar a responsabilidade para os ídolos.

Fica claro que o principal problema do São Paulo é a sua administração arcaica, personificada no Leco e não um treinador, estrutura ou elenco. É preciso que a direção, os conselheiros e toda estrutura administrativa desça do salto e deixe de lado toda prepotência, arrogância e incompetência. A contratação do Cuca para assumir, apenas em abril, um time que precisa ser ajeitado com urgência, é mais um exemplo da incompetência e descaso para com o clube. O presidente do São Paulo Futebol Clube, se tem algum amor à instituição, deve renunciar, assumir que não entende nada de futebol e passar o bastão para alguém com ideias novas. A torcida não aguenta mais tantos vexames e ter de aguentar o time levar ao pé da letra “As tuas glorias/ Vêm do Passado”. O São Paulo foi o time que inovou criando o sócio torcedor no Brasil, inovou trazendo o treinador húngaro Béla Guttmann que treinou o temido Honved, que encantou a Europa na década de 50, tem o maior estádio particular do Brasil, é o time com mais títulos internacionais no país e não merece ser administrado por pessoas tão incompetentes. O clube parou no tempo e precisa de pessoas novas para voltar a ser o que sempre foi, Leco já faz hora extra na administração do clube.

Foto

Leonardo Casemiro de Oliveira Faria

Leonardo é formado em Gestão pública pela Uninove e atualmente cursa Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul

ver mais

mais de Leonardo Casemiro de Oliveira Faria

Comentários: