Serei um polvo benevolente ou um eremita humilde

Andréa Voûte propõe uma importante reflexão a todos nós

Serei um polvo benevolente ou um eremita humilde

- Imagem: Ben Dumond / Unsplash

Visualize este paraíso: você tem liberdade, independência e autonomia. Você escolhe o que fazer com o seu dinheiro. Você pode fazer o que ama, trabalhando com as pessoas certas, recebendo o valor justo, dentro do prazo conveniente. Quando você enriquece, outros aspectos de sua vida além do material melhoram, você compartilha generosamente a riqueza e as pessoas lhe retribuem com gratidão. Quando você passa por dificuldades, age com discrição e poupa as outras pessoas de envolverem-se em seus problemas dos quais elas não tem culpa. Suas bênçãos o tornam um polvo benevolente e poderoso e suas maldições o tornam um eremita humilde.

Agora vamos à realidade.

Você vai indo bem e prospera a cada dia mais. Investe em coisas que acredita e gasta no que gosta, melhorando de vida. Naturalmente quer levar em sua excitante jornada todos os que você ama e os que se encaixariam bem em seus promissores projetos. Tem certeza de que irão atingir metas incríveis juntos e alcançar novos patamares, evoluindo continuamente e sendo cada vez mais felizes! É verdade que o dinheiro pode comprar liberdade e controle, mas isso tem limites, ainda bem.

Ninguém tem obrigação de te acompanhar, convide sem manipular. Nem todos estão preparados para subir, muitos não querem crescer, alguns temem qualquer mudança. Respeite-os no ponto em que estão, ajude-os sem forçar e ame-os como são. Talvez em um outro momento e talvez não com você, compreenda isso. Algumas pessoas começam junto e desistem, tentam mas não conseguem, paciência. Respeite a individualidade, o ritmo e o direito de errar de todos. E ainda tem as decepções ao realizar alguns planos e ver que nem tudo é o que esperamos e nem todos adaptam-se à nova vida.

Cada degrau que você subir junto com as vitórias pede escolhas complicadas. Romper laços com quem ficou na escala anterior, formar novos grupos, voltar um degrau e puxar alguém que ficou, empurrar quem não tem forças, enfrentar quem bloqueia a subida. Leve quem se dispuser voluntariamente e quem estiver preparado. Cuide do seu desenvolvimento e conquiste a sua privacidade, selecione os companheiros e afaste os interesseiros.

Em outro momento, você vai indo mal e se endivida a cada dia mais. Os problemas se multiplicam e fogem ao seu controle, prejudicando o seu futuro e outros aspectos da sua vida que não tem nada a ver com as finanças. Naturalmente você não quer levar ninguém para o fundo do poço, mas não há como evitar, você está fraco e caindo. Trouxe problemas a quem menos desejava e às vezes nem viu ou entendeu como. O alcance da sua pobreza vai se ampliando automaticamente, criando novas dívidas.

Você pode querer resolver tudo sozinho mas não consegue, pede ajuda e se depara com avareza ou recebe apoio inesperado sem pedir. Situações extremas e difíceis podem revelar o melhor ou o pior das pessoas. É preciso resolver o quanto antes e da melhor maneira possível, afetando menos gente em um grau não tão comprometedor.

A riqueza é mais fácil de organizar e administrar do que a pobreza. Com o sucesso, você tem mais espaço para planejar e agir dentro do plano. O fracasso invade e não te permite tanta liberdade, ele restringe o seu poder de ação. Não há garantia de nada, mas o impacto das boas notícias é mais previsível do que o impacto das más notícias. É mais fácil escolher quem levar para o alto da montanha do que escolher quem arrastar ladeira abaixo.

Andréa Voûte

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Andréa Voûte

Desde 2002 Andréa Voûte ajuda pessoas a lidarem melhor com o seu dinheiro individualmente, em família ou nas micro e pequenas empresas. Foi bancária e hoje é Consultora financeira e palestrante na Voute Contar. Autora do livro Finanças pessoais uma gestão eficaz, criou vários cursos, controles e métodos de consultoria e planejamento. contato@voutecontar.net.br

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