Hormônios - mitos e verdades

Dr. Mauricio Egydio fala sobre como o medo da palavra foi construído no imaginário do brasileiro a partir de conceitos falsos e muito mal interpretados

Hormônios - mitos e verdades

Descrição

- Foto: Divulgação

Embora tenhamos medo da palavra “hormônio”, este medo foi construído no imaginário do brasileiro a partir de conceitos falsos e muito mal interpretados.

Hormônio é uma substância produzida pelo nosso corpo, assim como tantas outras substâncias, com a capacidade e função de “comunicar” células, órgão e sistemas, para que trabalhem de forma harmoniosa. Portanto, nenhuma razão para se ter “medo de hormônio”.

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Outra razão sem razão é a associação direta de “hormônio” e “câncer”. Uma confusão conceitual que faz associação de causa e efeito entre duas situações muito diferentes.

Hormônios são comunicadores endógenos. Câncer é a replicação desregulada de células do seu próprio corpo que “não mais se comunicam” com o equilíbrio interno, chamado homeostase. Portanto, o primeiro promove diálogo interno, enquanto que o câncer é a perda completa desse diálogo (alguma semelhança na política é mera coincidência).

Temos hormônios formados por proteínas, como os hormônios da tireoide, a insulina, o GH. E temos hormônios formados por gorduras, com base no colesterol, como cortisol, testosterona, estrógeno e a própria vitamina D. Na verdade, temos muito mais hormônios circulantes em nosso corpo do que podemos imaginar, pois a coisa mais importante dentro dos organismos biológicos é a “comunicação”.

Pense nestas duas situações: se minha tireoide falha, o chamado hipotireoidismo, você não sai pensando que tomar hormônio tireoidiano irá te causar um câncer. Você vai lá, toma o hormônio e fica melhor dos sintomas do hipotireoidismo. Você também não fica preocupado com câncer quando faz uso de estrogênios e progestágenos, para evitar a gravidez, fazendo uso diário de anticoncepcionais. As pílulas anticoncepcionais realmente podem fazer muito mal porque são químicos fabricados e não hormônios naturais, mas você não deixa de utilizá-los pensando que irão promover câncer.

Então, de onde veio esta absurda associação? Numa próxima oportunidade poderei fazer um histórico dos confusos trabalhos científicos sobre o tema. Mas no momento, gostaria de contar o caso de uma paciente.

A jovem senhora X teve uma gravidez difícil que chegou à termo por volta do oitavo mês. Nasceu uma linda criança que se desenvolveu muito bem. Mas passado 4 meses, a senhora X começou a perder cabelo, seu vigor foi desaparecendo lentamente, sua pele ficou flácida, manchas surgiram pelo corpo,  sua energia desapareceu, ganhou peso, apresentou um aumento da pressão arterial e entrou em depressão.

Após meses de investigação médica, a senhora X foi diagnosticada com Síndrome da Cela Turca Vazia (um palavrão). O processo difícil de sua gravidez levou à morte da glândula pituitária ou hipófise, que simplesmente é o maestro das demais glândulas, e ela passou a apresentar uma deficiência completa de diversos hormônios, chamado de pan-hipopituitarismo (outro palavrão).

O destino da senhora X é o envelhecimento e morte precoce. Pacientes com esse problema precisam de terapia de reposição hormonal completa. Mas adivinhem, a senhora X recusou todo e qualquer tipo de reposição hormonal devido ao “medo do câncer”. O paradoxo é que, especialmente neste caso, a senhora X está exposta ao aparecimento de diversos tipos de cânceres, justamente pela falta dos hormônios naturais produzidos pelo seu corpo.

Alguém já disse alguma vez que “o conhecimento liberta e a ignorância mata”. Como não quero esse destino para nossos amigos e amigas de São Roque, convoco todos para nosso evento sobre hormônios e saúde. Nos próximos artigos falaremos mais sobre os hormônios e suas funções. Tenham uma Vida Extraordinária e beijo no coração!

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Dr Mauricio Egydio

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