Doação também é investimento

Andrea Voute fala sobre como o ato de doar também pode ser um importante exercício financeiro

Doação também é investimento

Podemos viver uma vida inteira sem nem ao menos nos lembrar das pessoas que precisam de ajuda; é uma opção feita por muitos. Doar faz parte da relação com o dinheiro, assim como ganhar, gastar, poupar e investir.  Mesmo quando nossa situação não for das melhores, tem sempre alguém com mais carência, em dificuldades maiores e passando por necessidades diversas. Sempre há algo para trocar com o outro.

Trocar uma caprichada refeição por um sorriso de barriga cheia. Pode ser para uma criança ou idoso, no meio da rua ou em uma instituição, pode ser até uma doação distante, mas esteja lá para ver a pessoa beneficiada saboreando, valorizando e sorrindo. Trocar um agasalho ou cobertor quentinho por uma expressão de prazer. A verdade é que todos nós temos roupas não usadas e, às vezes, até um dinheirinho que pode se converter em cobertores. Trocar alguns minutos de sua atenção por um estímulo fantástico à autoestima de pessoas que são tratadas como entulho. Desamparadas, solitárias e carentes, quando você chega com dois ouvidos que podem escutar, dois braços que podem abraçar, uma boca que pode confortar, apenas para tratá-las como gente.

Investir tempo e dinheiro no outro tem retorno em auto realização, na maravilhosa sensação se ser útil, em amizade, em percepção de abundância. Inclusive muitas vezes um retorno financeiro acontece: surgem oportunidades de trabalho, pois foi pela doação de tempo e talento que acabamos mostrando o melhor de nós.  A maioria de nós quer ser bom e sente prazer em ajudar, a pessoa com um propósito maior costuma viver mais satisfeita. Mãos ocupadas com um trabalho voluntário não têm tempo de fazer besteira e coração solidário não cabem raiva e compaixão juntos. Isso acaba nos fortalecendo para outros momentos posteriores.

Para quem tem uma fraqueza pelo desperdício, a doação mostra quanta coisa boa se faz com poucos recursos. Faz com que pensemos duas vezes antes de torrar uma quantia que compraria uma cesta básica. Em vez de presentear um parente com um bem de luxo, escolher um curso que será bastante importante para o desenvolvimento dele.

Como qualquer outro investimento, requer atenção e, claro, não adianta esperar sobrar no fim do mês, é preciso separar logo. Se o destinatário da doação precisar e quiser, se este for o melhor momento, se o objeto da doação e a quantidade forem adequados, ainda assim é importante verificar a seriedade com que a minha doação será tratada, sem desonestidade ou negligência e com prioridades alinhadas às minhas. Responsabilidade social implica ser responsável pelas minhas doações até o fim e fazê-las com amor e alguma isenção para conhecer quem recebeu.

A ajuda precisa ser gentil e respeitar o outro, não pode ser eu-impondo-meu-mundo a você, tenho de ouvir, compreender e adequar o que eu tenho a oferecer ao que você está preparado para receber. Não vale usar doações para manipular, fazendo disso um jogo de poder em que o beneficiado recebe passivamente a “ajuda” e eu sinto aquele orgulho. Às vezes, é preferível o silêncio, o afastamento, deixar a pessoa aprender, oferecer educação financeira ou capacitação profissional e não dinheiro.

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Andréa Voûte

Desde 2002 Andréa Voûte ajuda pessoas a lidarem melhor com o seu dinheiro individualmente, em família ou nas micro e pequenas empresas. Foi bancária e hoje é Consultora financeira e palestrante na Voute Contar. Autora do livro Finanças pessoais uma gestão eficaz, criou vários cursos, controles e métodos de consultoria e planejamento. contato@voutecontar.net.br

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