Em busca do sentido da vida

Dr. Mauricio Egydio e Débora Cândido falam sobre como vivendo uma vida sem propósito e o que podemos fazer para mudar esta situação

Em busca do sentido da vida

Por Débora Cândido e Maurício Egydio - Foto: Divulgação

                Estamos vivendo uma vida sem propósito e sem sentido. Vivemos por viver! É assim que você quer desfrutar da sua vida? Uma vida sem sentido e sem um propósito? Acho que não. A nossa vida é muito curta e valiosa para vivermos sem um propósito. Cada ser humano que nasce tem um propósito, um objetivo no mundo, mas será que todos sabem qual seria o seu propósito neste mundo?

            Essa resposta cabe a cada um de nós respondermos.

            Nossa vida não tem regras definidas de como viver, não sabemos o que o destino nos reserva. Nós nascemos, crescemos e morremos. Estamos vivendo sem objetivo, vivendo por viver, somente cumprindo regras sociais e fazendo aquilo que a sociedade espera que você faça, na maior parte do tempo.

            Com tantas expectativas e exigências sociais, tanto a sociedade como nossos familiares esperam de nós um certo comportamento e determinados resultados que, nem sempre, sincronizam-se com nosso real objetivo de vida, desviando do nosso propósito.

            Com isso, muitas vezes, passamos a viver e a realizar o sonho de outras pessoas. E isso é fonte de muita infelicidade, talvez, me arriscaria a dizer que é a fonte de toda infelicidade.

            Vivendo a vida que os outros desejam que você viva, muitos problemas irão aparecer ao longo do tempo. Provavelmente, você ficará cada vez mais doente, psicologicamente doente à principio, podendo desenvolver depressão, neurose, obsessão e diversas doenças do humor. Mais que isso, também poderá ficar fisicamente doente, diminuindo sua resposta bioquímica ao estresse, sua resposta imunológica e sua resposta neuro-hormonal, desenvolvendo diversas doenças metabólicas, inclusive câncer.

            Além disso, existem efeitos imediatos no seu comportamento diário, deixando você cada vez mais raivoso, de mal com a vida e não vendo sentido nas relações sociais, emocionais e familiares. Em outras palavras, você se torna uma pessoa infeliz.       

            Não devemos procurar um sentido abstrato para a vida. Cada um de nós tem sua própria vocação específica e concreta na vida. Cada um precisa executar essa tarefa concreta, através da auto-realização, para se sentir completo. Para o seu propósito de vida não existe substituto, nem pode sua vida ser imitada por outros. Assim, a tarefa de cada um é tão singular como sua oportunidade especifica de realizá-la.

            Não devemos esquecer que o propósito da vida não é um fim, uma conquista final e derradeira, a reta final. É, na verdade, o caminho. Quando você começa a buscar o seu propósito de vida, você já está realizando o propósito. Saber que você está no caminho da sua própria vida já lhe traz força suficiente para ser feliz.

            Não devemos esquecer, também, que podemos encontrar sentido na vida quando nos confrontamos com uma situação sem esperança, ou quando enfrentamos uma fatalidade que não pode ser mudada. São casos em que podemos mudar somente nossa atitude frente ao destino inalterável.

            No livro “Em busca de Sentido”, de Viktor E. Frankl, o autor conta-nos a história de um de seus pacientes, Jerry Long:

            “Jerry sofre um acidente que o deixou quadriplégico há três anos atrás. Tinha apenas dezessete anos quando o acidente ocorreu. Hoje, ele consegue usar um pauzinho com a boca para escrever à maquina. Está acompanhando dois cursos (...) através de um telefone especial. O intercomunicador permite a Jerry ouvir e participar das discussões de aula. Também ocupa seu tempo lendo, assistindo televisão e escrevendo”. E ainda escreve para o Dr. Frankl: “vejo minha vida cheia de sentido e de objetivos (...). Acho que a minha deficiência só vai aumentar minha capacidade de ajudar os outros. Sei que, sem o sofrimento, o crescimento que atingi teria sido impossível”.[1]

            Será que isso significa que o sofrimento é indispensável à descoberta do sentido da vida?

            Por um lado, sim! No entanto, nem sempre é preciso sofrer uma catástrofe pessoal para abrir novos caminhos para sua visão. O fato de você viver uma vida sem sentido já traz infelicidade suficiente para que, em algum momento, você mude seu foco, mesmo sem sofrer acontecimentos emblemáticos como um acidente, a morte de um ser amado ou coisa parecida. Na minha opinião, os acontecimentos críticos na sua vida possuem a função de catalisar mudanças que ocorreriam de qualquer forma, em algum momento futuro.

            O ser humano possui a brilhante capacidade criativa de transformar aspectos negativos da vida em algo positivo e construtivo. O que importa é tirar o melhor de cada situação vivida. O ser humano é capaz de transformar seus sofrimentos em vitórias e, assim, encontrar o sentido da vida no próprio sofrimento.

            Mas, afinal, como podemos nos encarar diante do espelho, descobrir nossos caminhos para o propósito da nossa vida e sentirmos a verdadeira felicidade de viver? Deixaremos e descoberta do propósito ao acaso dos acontecimentos? Ou podemos nos lançar ativamente nesta jornada de descoberta pessoal?

            Como tudo na vida são escolhas, a busca do propósito parte do mesmo princípio da responsabilidade individual, através de suas escolhas na vida. Muitos pensadores já expuseram formas para você desenvolver o entendimento do propósito. Através de métodos específicos, você pode revelar ativamente qual o propósito de sua vida, neste momento aqui e agora, nesta vida.

            Um método desenvolvido no campo da psicologia é a chamada Logoterapia, apresentada por Viktor Frankl.

            Frankl foi professor de Neurologia e Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade de Viena. Durante 25 anos, ele foi chefe da Policlínica Neurológica de Viena. Sua “Logoterapia / Análise Existencial” veio a ser conhecida como a “Terceira Escola Vienense de Psicoterapia”. Ele manteve cátedras em Harvard, Stanford, Dallas e Pittsburgh, e foi Professor de Logoterapia na Universidade Internacional dos EUA, em San Diego, na Califónia.

            Nascido em 1905, Frankl recebeu os títulos de Doutor em Medicina e Doutorado em Filosofia pela Universidade de Viena. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele passou três anos em Auschwitz, Dachau e outros campos de concentração. A experiência da morte iminente nos campos de concentração, trariam a Frankl, ao contrário da maioria de seus colegas de extermínio, uma capacidade transcendente de se relacionar com a cruel realidade imediata do campo de concentração nazista.

            Durante quatro décadas o Dr. Frankl fez inúmeras palestras em todo mundo. Ele recebeu títulos hononários de 29 universidades da Europa, das Américas, da África e da Ásia. Recebeu inúmeros prêmios, entre eles o Oscar Pfister Award da American Psychiatric Association, e foi membro honorário da Academia Austríaca de Ciências.

            Os 39 livros escritos por ele foram traduzidos para 43 idiomas. Seu livro “O homem em busca de um sentido” vendeu milhões de cópias e foi listado entre os dez livros mais influentes do mundo.

            Viktor Frankl morreu em 1997, em Viena, certo de que viveu uma vida de propósito.

            O que é Logoterapia? O Termo Logoterapia vem de “logos”, palavra grega que significa “sentido”. Em termos literais, seria a “Terapia para a busca do Sentido da Vida”. Esta técnica concentra-se no sentido da existência humana, bem como na busca da pessoa por esse sentido. A busca de sentido na vida é a principal força motivadora no ser humano.

            A Logoterapia baseia sua técnica, denominada “intenção paradoxal”, trabalhando o medo através do objeto do próprio medo. Segundo Viktor Frankl, o próprio medo produz aquilo de que temos medo. Nessa abordagem, o paciente que sofre de fobia é convidado a evocar precisamente aquilo que teme, mesmo que apenas por um momento. Esse procedimento promove numa inversão na atitude do paciente, uma vez que seu temor é substituído por um desejo paradoxal.

            A Logoterapia ensina três caminhos para o sentido da vida. Primeiro seria o trabalho (ou ação) no qual existe a identificação plena de realização do self. O segundo caminho viria do encontro do amor verdadeiro, abstrato, espiritual ou real, onde o self se realiza no outro self. Mas, o mais importante, no entanto, seria o terceiro caminho: seria o transcender do self acima de si mesmo, diante de um destino sem esperança, crescendo para além de si mesmo e, assim, mudando a si mesmo. Transformando uma tragédia pessoal em triunfo, a Logoterapia se realiza.

 

Débora Cândido tem 30 anos, é estudante de Psicanálise no Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica e estudante de Hipnoterapia Ericksoniana no Instituto Milton Erickson de São Paulo.

 

Dr. Mauricio Egydio, tem 54 anos, é Médico Fisiologista e atua nas áreas de saúde, bem-estar e longevidade.

 

Para uma imersão sobre a Consciência Humana e a Logoterapia não percam a Palestra Conexão Mente-Corpo Saúde, do Prof. João Vanin

Data: 10/03/2018, das 14 às 18hs

Local: Associação Comercial de São Roque

Ingressos à venda: Clínica Performance e Saúde e Lojas Short

Através do telefone (11) 4719-1476

Ou pelo email: [email protected]

 

[1] Frankl, Viktor E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. São Leopoldo: Sinodai; Petrópolis: Vozes, 2017.

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