A alimentação é a base da saúde e da doença

A alimentação é a base da saúde e da doença

Você já ouviu muitas vezes que para termos uma boa saúde precisamos desenvolver hábitos alimentares saudáveis. O Pai da Medicina, Hipócrates, já afirmava há 2.400 anos atrás: “faça do seu alimento o seu remédio e do seu remédio o seu alimento”. 
A alimentação é de fato o primeiro e mais importante pilar da boa saúde e da longevidade de suas células, órgãos e sistemas. Não podemos começar nenhum trabalho de prevenção ou recuperação da nossa saúde sem mudarmos nossos hábitos alimentares prejudiciais e sem adotarmos hábitos alimentares saudáveis.
Você que sofre com o diabetes (açúcar alto no sangue), quantas vezes seu médico lhe orientou uma dieta, que não fosse apenas cortar o açúcar! E para você que tem hipertensão arterial (pressão alta), quantas vezes seu médico lhe orientou uma dieta, que não fosse somente cortar o sal!
Estes são os dois exemplos mais prevalentes na população em geral. Mas, o que falar de quem tem hipotireoidismo, onde a tireoide não funciona, e quem tem gordura no fígado (esteatose hepática)? Tem dieta para isso? Tem dieta para prevenir ou recuperar isso? E se falarmos de alergias, baixa imunidade, infecções de repetição. Tem dieta para isso? Ou ainda, para os casos de câncer, que virou polêmica recente na mídia com a morte do apresentador e repórter Marcelo Rezende.
Para quem não sabe, Marcelo Rezende, diante da notícia de que a quimioterapia teria somente uma chance de ajudá-lo em 1%, optou em não fazer a quimioterapia e buscar uma alternativa que melhorasse sua qualidade de vida. Procurou orientação num ícone da medicina integrativa, o Dr. Lair Ribeiro, que instituiu a “dieta cetogênica”, como método de melhorar seu metabolismo estrutural, energético e, eventualmente, promover a remissão do câncer.
Qual o real poder que uma alimentação saudável tem em prevenir, remediar, redimir ou curar doenças? Para sabermos se uma alimentação saudável pode trazer reais benefícios para você e seus familiares, você primeiro precisa se perguntar: “Mas, afinal, o que é uma alimentação saudável”? 
Eu tenho certeza que na sua cabeça, quando pergunto o que é alimentação saudável, imediatamente vem à sua mente pão integral, queijo branco, leite desnatado, carnes magras, barrinhas de cereal, produtos à base de soja, mais legumes, frutas e sucos de fruta em abundância, óleos vegetais como canola, margarinas sem colesterol e, jamais, jamais mesmo, comer gordura.
Vivemos uma febre de comidas “light”, “diet”, “gluten free”, “lacfree”, etc. É o mercado da saúde cada vez mais sendo disputado por empresas alimentícias e de produtos diversos. Os velhos programas de TV sobre receitas deram lugar a verdadeiros shows de gastronomia. E nesse oceano de informações desencontradas e muitas vezes antagônicas, ficamos completamente perdidos sobre o que seria uma alimentação saudável.
Como se não bastasse, a dita alimentação saudável (ou balanceada) definida pela Organização Mundial de Saúde deu origem a Pirâmide Alimentar com a seguinte distribuição dos macronutrientes: 60-65% de carboidratos, 20-25% de proteínas e 10-15% de gorduras.
A base e o corpo da pirâmide são representados pelas farinhas como trigo, milho, soja, mandioca, cevada, seguido pelas frutas e legumes, óleos poli-insaturados (soja, canola, milho, girassol), carnes magras de frango sem pele e peixe, oleaginosas como as castanhas, leite e seus derivados. Deixando somente na ponta da pirâmide uma pequena parte para carnes vermelhas e gorduras, ao lado do açúcar e sal refinados, doces e refrigerantes.
Esta distribuição alimentar, que vem predominando durante os últimos 50 anos, com poucas variações, faz parte também das recomendações governamentais, do currículo acadêmico das universidades, da merenda escolar, dos refeitórios de fábricas, indústrias e repartições públicas.
Enfim, é uma alimentação rica em carboidratos e pobre em gorduras, pois o que está por trás disso são conceitos médicos e nutricionais que acreditam que os carboidratos são vitais para a saúde, por produzirem a energia que o corpo necessita para sobreviver, e que as gorduras são perigosas para a saúde, por promoverem doenças do coração, entupimento das artérias, gordura no fígado e obesidade.
No entanto, temos que considerar dois pontos importantes. Nos mesmos últimos 50 anos de predomínio da Pirâmide Alimentar, rica em carboidratos e restrita em gorduras, a obesidade só aumentou no Brasil e no mundo, assim como as doenças do coração e das artérias, junto com diabetes e o câncer.
Estamos falando de 49 a 51% da população brasileira acima do peso e 75% da população americana também acima do peso, que adotam a mesma distribuição alimentar da Pirâmide .
Também estamos falando de um avanço assustador de doenças cardio-metabólicas. Hoje ¼ das mortes nos USA é por Infarto Agudo do Miocárdio e ¼ das mortes estão relacionadas a diabetes e doenças metabólicas. Ou seja, metade dos americanos estão morrendo por doenças do coração e distúrbios metabólicos, principalmente o diabetes. O Brasil não foge muito disso.
Portanto, temos um enorme paradoxo diante de nós. Temos uma recomendação de alimentação saudável oficial e, ao mesmo tempo, um enorme avanço de doenças que esta alimentação, dita “balanceada”, teria a função de evitar.
Muitas explicações são dadas em diversos estudos sobre o assunto, procurando buscar outro culpado. Culpa-se o colesterol, a “junk food”, a sua genética, a sua tireoide, a sua compulsão, a falta de vergonha na cara e a preguiça. Mas ninguém oficialmente propôs ainda o óbvio: vamos rever a Pirâmide Alimentar!
Estou dizendo que ninguém propôs isso oficialmente, porque certamente muitos estudiosos já o fizeram de forma extraoficial. Na verdade, estamos repletos de opções “mais saudáveis”. E estas opções baseiam-se justamente na inversão, parcial ou total, da Pirâmide Alimentar, ou seja, menos carboidratos e mais gorduras na sua alimentação diária.
Essa inversão alimentar precisa ser bem compreendida, pois diversos mitos devem ser desfeitos e o seu medo de gordura deve ser superado. Você precisa se libertar para se transformar.
Para você entender isso, começaremos falando de um hormônio chamado insulina e sua importância no metabolismo energético, no metabolismo da glicose e no metabolismo da gordura. A insulina é a chave de transformação, seja para emagrecer, seja para ganhar massa muscular, seja para adquirir saúde e eliminar doenças. E a insulina tem tudo a ver com o carboidrato. 
No próximo artigo vou explicar sobre os carboidratos e a insulina, sobre o poder inflamatório da insulina e suas consequências para a saúde, farei isso de forma bem detalhada, para você aprender a escolher os alimentos que manterão sua insulina controlada!
Enquanto isso, vamos fazer um exercício: experimente por 15 dias trocar refrigerante por água, trocar o suco de fruta (natural ou não) pela fruta e substituir o pãozinho do café da manhã por omelete com 2 ou 3 ovos inteiros, temperados e adicionados de algum queijo curado (nada de queijo branco), feito em óleo de coco. 
Anote suas percepções e sensações sobre esta mudança em um diário. Verifique como se comportou a sua energia pessoal, seu nível de sonolência durante o dia, o comportamento do sono, o comportamento do intestino e a percepção de inchaços nas mão e na face.
Enfim, experimente comer menos carboidratos a base de farinhas e açúcares e coma mais gorduras naturais provenientes de ovos, castanhas, abacates, óleo de coco, carnes de pasto, etc.  Com isso, sinta a diferença imediata que esta pequena substituição fará em você. 
Nos vemos no próximo artigo. 

Dr. Mauricio Egydio é médico fisiologista e atua nas áreas de saúde, bem-estar e longevidade. 
Contato: [email protected] / Consultório: 11 4719-1476

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